Técnica de edição de DNA

O cientista chinês He Jiankui, de 34 anos, da universidade SUSTech(Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China), em Shenzhen, na China, em 25 de novembro de 2018, anunciou (por um vídeo no YouTube) que havia editado o gene CCR5 em dois embriões humanos, com o objetivo de que os bebês não expressem um receptor para o vírus HIV.
Veja, abaixo, o vídeo explicativo sobre a técnica de edição de DNA, Crispr-cas9, do canal Ciência Traduzida:

Causas genéticas, epigenéticas e ambientais do TEA

O trabalho da citada fonte mostra os quadros sindrômicos geneticamente determinados, representados por dezenas de síndromes. Entre elas estão desde as clássicas síndromes de Down ou X-Frágil até raras microdeleções e duplicações. Estas síndromes explicam a maioria das causas identificadas. Outro grupo é o das síndromes ambientais ou efeitos fetais devidos a intercorrências gestacionais, desde infecções até estresse psicológico materno. No entanto a maioria das causas são indefinidas e o modelo que melhor explica, cerca de 80% de indivíduos com TEA é o modelo multifatorial com regulação epistática. O trabalho em anexo revisa estes grupos de causas e indica o método de avaliação diagnóstica para identificá-las. Na prática são necessários: equipes multidisciplinares experientes na avaliação dos pacientes e exames genéticos complementares, desde o cariótipo até o array genômico. O Sistema Único de Saúde brasileiro é amplamente deficiente nesta área e assim a maioria dos indivíduos com TEA não são adequadamente avaliados. Este déficit prejudica o cuidado a estes indivíduos e subtrai das famílias orientação adequada através do aconselhamento genético.

Fonte: http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/cpgdd/article/viewFile/11278/7014

Inflamação reduz conexões de neurônios obtidos em laboratório a partir de células do dente de crianças com o transtorno neurológico

A partir de dentes de leite doados por crianças com e sem autismo, os grupos liderados pelos neurocientistas brasileiros Patricia Beltrão Braga, da USP, e Alysson R. Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, confirmaram que uma inflamação em células cerebrais chamadas astrócitos pode estar associada ao desenvolvimento de uma forma grave desse transtorno. Mais importante: ao menos em laboratório, o controle da inflamação nos astrócitos reverteu alterações que ela provoca nos neurônios, as células responsáveis por transmitir e armazenar informações no cérebro e que se encontram mais imaturas nessa forma de autismo.

A reportagem completa pode ser encontrada em http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/01/16/mais-uma-possivel-causa-do-autismo/

 

 

Importância do aconselhamento e exame genético

Apesar de estudos científicos afirmarem que o Transtorno do Espectro Autista, mais conhecido como autismo, tem forte ligação com a genética, é preciso lembrar que a condição é multifatorial, ou seja, seu desenvolvimento depende de diversos fatores, incluindo alterações no DNA. Segundo a geneticista Maria Rita Passos Bueno, professora da USP, existem, hoje, pelo menos 800 genes candidatos e 100 confirmados para o risco de autismo.

“As mutações genéticas podem vir de um ou dos dois pais, ainda que sejam saudáveis ou que apresentem apenas sinais muito discretos do Transtorno do Espectro Autista. Em outros casos, surgem na formação do óvulo ou do espermatozoide e, portanto, estão apenas na criança e não nos seus pais. São mutações novas, chamadas de mutações ‘de novo’, e estas, em geral, têm maior chance de serem a causa do autismo”, explica a especialista.
Ainda conforme a professora da USP, além das chances de a mutação ser nova ou herdada, ela pode estar relacionada a um padrão de herança monogênica (quando afeta apenas um gene) ou oligogênica (afeta mais de um gene). “Na prática, isso quer dizer que os testes genéticos não têm indicação para todos os casos de autismo e nem sempre darão respostas definitivas para a família. Mas, os testes genéticos podem ser úteis para a confirmação do diagnóstico clínico, para identificar possíveis síndromes que podem ter impacto na saúde da criança, além do comportamento autista”, orienta Maria Rita Bueno.

De qualquer forma, segundo a especialista, os testes genéticos também servem para identificar outros membros da família que podem ser passíveis de gerar filhos com autismo, assim como oferecer o aconselhamento genético para que os casais possam embasar suas decisões a respeito do planejamento familiar.

Fonte: Revista Encontro, 26/06/2018

Amostra de sangue para detectar autismo em crianças

Um estudo confimou o sucesso em detectar com precisão se uma criança tem transtorno do espectro autista (TEA) usando uma amostra de sangue. Realizado pelo Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, o estudo foi publicado na edição de junho da revista científica “Bioengineering & Translational Medicine”. O estudo foi feito um ano depois de os pesquisadores publicarem seu trabalho em um estudo similar anterior.

Em entrevista ao G1, Juergen Hahn, principal autor do estudo, professor e chefe do Departamento de Engenharia Biomédica do Instituto Politécnico de Rensselaer disse que o sucesso desta nova tentativa é um passo muito importante e necessário para o desenvolvimento de um exame de sangue que possa apoiar o diagnóstico do transtorno de espectro autista.

Fonte: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/estudo-usa-amostra-de-sangue-para-detectar-autismo-em-criancas.ghtml

Pesquisa publicada na Nature é pioneira nos estudos com células-tronco induzidas em testes com variantes genéticas relacionadas com o Autismo

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Sabe-se que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio causado em regiões cerebrais que são responsáveis pelo desenvolvimento, comprometendo assim as habilidades de comunicação e socialização. Os primeiros sintomas clínicos do TEA são diferentes de pessoa para pessoa, o que dificulta seu diagnóstico precoce. Como cada indivíduo autista manifesta os sintomas em graus diferentes, alguns apresentam severas dificuldades na comunicação, por exemplo, e outras falam bem e possui um vocabulário acima da média comparado com outras.

O que já foi elucidado até o momento, é que o autismo pode ser atribuído a fatores epigenéticos, genéticos, ambientais e grupos de genes específicos. O grupo que preocupa bastante a comunidade científica especializada no assunto são os indivíduos com TEA que não apresentam sintomas clínicos claros (não sindrômico).

Pesquisa publicada recentemente na Nature mostra vários tipos celulares como polpa dentária e as células-tronco pluripotentes induzidas para testes moleculares. Foi relatada nesta pesquisa uma perturbação de translocação balanceada do gene TRPC6 em um indivíduo não sindrômico. A redução ou haploinsuficiência (quando a proteína que este gene produz reduz sua produção por consequência da insuficiência de uma das cópias herdadas dos pais) do gene TRPC6 leva a alterações de desenvolvimento, características físicas e funcionais neurais.

Durante essa pesquisa desenvolvida pela Universidade da Califórnia e cooperação com a Universidade de São Paulo, Escola de Medicina da Universidade de Yale, Instituto de Farmacologia e Toxicologia da Universidade de Munique, Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e Instituto Salk de Estudos Biológicos descobriram que substâncias como a IGF1 ou hiperforina podem completar a função do TRPC6 que pode melhorar a qualidade de autistas não sindrômicos.

Identificaram também que os níveis de síntese proteica do gene MeCP2 afetam a expressão gênica de TRPC6. Além disso, mutações do gene MeCP2 provocam a Síndrome de Rett que é uma distúrbio de desenvolvimento através de uma encefalopatia degenerativa progressiva caracterizada por comportamentos bastante agitados e comunicação verbal debilitada. Um estudo sobre sequenciamento genético com autistas e grupo controle identificou mutações deste gene específico em ambos os grupos e não apresentou relação com o autismo.

A conclusão dos pesquisadores constata que o gene TRPC6 tem predisposição ao autismo e pode desencadear o transtorno de outras alterações genéticas. Além disso, essa pesquisa foi pioneira nos estudos com células-tronco induzidas utilizadas em testes de variantes genéticas que podem ocorrer em indivíduos autistas. Corresponde um grande avanço dentro dos estudos da área dos transtornos de desenvolvimento.

Artigo pode ser encontrado no PubMed referenciado como:

GRIESI-OLIVEIRA, Karina et al. Modeling non-syndromic autism and the impact of TRPC6 disruption in human neurons. Molecular psychiatry, v. 20, n. 11, p. 1350, 2015.

MUOTRI, Alysson et al. Modeling non-syndromic autism and the impact of TRPC6 disruption in human neurons. 2014.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.

Ácido fólico pode reduzir o risco de autismo provocado por medicamentos para epilepsia e produtos tóxicos

5 - acido folico

O ácido fólico é uma vitamina B e, normalmente, é usado como suplemento na gravidez para evitar problemas congênitos. De acordo com cinco pesquisas publicadas nos últimos meses, o ácido fólico pode reduzir o risco de autismo e aliviar as características da condição.

Três destes estudos indicam que o ácido fólico, como suplemento na gravidez, diminui o risco de autismo associado á exposição de fármacos epilépticos ou produtos tóxicos da criança no útero. Os suplementos pré-natais são conhecidos por prevenir problemas congênitos (durante a gravidez).

Pesquisas com crianças expostas às drogas epilépticas Durante a pesquisa das gestações com crianças expostas as drogas epilépticas, revisaram dados médicos para 104.946 nascimentos na Noruega entre 1999 e 2008. Eles se concentraram em 288 mulheres que tomaram drogas epilépticas durante seus 328 gestações. Quando as mães estavam grávidas entre o período de 17 a 30 semanas, relataram a ingestão do ácido fólico como suplementação e, posteriormente, quando seus filhos tinham 18 a 36 meses de idade, responderam um questionário que avaliavam a presença do autismo nas crianças. Dos 68 filhos cujas mães não tomaram ácido fólico, 11 (32 por cento) apresentaram características de autismo aos 18 meses de idade; 9 das crianças (26 por cento) apresentaram esses traços aos 36 meses. Em comparação com as mulheres que tomaram ácido fólico, 15 das crianças de 18 meses (9 por cento) e 8 das crianças de 36 meses de idade (6 por cento) apresentaram traços de autismo. Sendo assim, os bebês que não tiveram suplementação do ácido fólico durante a gestação foram quase seis vezes mais passíveis de mostrar traços de autismo aos 18 meses e oito vezes mais passíveis aos 36 meses, quando comparados com crianças que tiveram a suplementação.
Ação do ácido fólico contra pesticidas e produtos químicos

Os outros dois estudos sobre suplementos analisaram os partos na Califórnia entre 1997 e 2008. Os pesquisadores exploraram se o ácido fólico reduz o risco de autismo provoca por pesticidas. Quando as crianças tinham entre 2 e 5 anos, as mães relataram a ingestão de ácido fólico e outras vitaminas – a partir de suplementos e alimentos – durante a gravidez. Eles questionaram as mães a frequência da exposição pré-natal aos inseticidas na casa para 296 crianças com autismo e 220 crianças saudáveis. Eles também estimaram a exposição pré-natal aos pesticidas com base na proximidade das casas próximas a fazendas. Entre as mulheres que ingeriram ácido fólico acima da média, os bebês expostos aos pesticidas durante a gravidez são aproximadamente de 1,3 a 1,9 vezes mais prováveis apresentar autismo quando comparado com crianças sem exposição.

Mulheres com ingestão de ácido fólico abaixo da média e exposição a pesticidas podem dobrar o risco. No outro estudo avaliando nascimentos do estado da Califórnia, os pesquisadores estimaram a exposição pré-natal a cinco tipos de poluentes atmosféricos. O estudo incluiu 346 crianças com autismo e 260 de crianças saudáveis como grupo controle. Os pesquisadores constataram que a ingestão de ácido fólico acima da média não tem um efeito estatisticamente significativo no risco de autismo da maioria dos tipos de poluentes do ar – um risco que está longe de ser estabelecido -, contudo está ligada a um risco de autismo um pouco menor devido à exposição a um poluente do ar: dióxido de nitrogênio. Todos os estudos levaram em consideração, a ingestão de outras vitaminas e minerais da mãe, idade, renda salarial, nível de escolaridade, tabagismo, consumo de álcool, gravidez precoce e o status socioeconômico. Além disso, os pesquisadores ainda precisam descobrir como o ácido fólico pode mitigar o risco de autismo associado a medicamentos, pesticidas ou poluição do ar, uma vez que esses fatores de risco provavelmente terão diversos efeitos biológicos.

Conteúdo adaptado do site Spectrum News (https://spectrumnews.org/news/flurry-studies-hint-folic-acids-protective-role-autism/) e revisados de artigos publicados na PubMed:

BJØRK, Marte et al. Association of folic acid supplementation during pregnancy with the risk of autistic traits in children exposed to antiepileptic drugs in utero. JAMA neurology, v. 75, n. 2, p. 160-168, 2018.

SCHMIDT, Rebecca J. et al. Combined prenatal pesticide exposure and folic acid intake in relation to autism spectrum disorder. Environ Health Perspect, v. 125, n. 9, p. 097007, 2017.

GOODRICH, Amanda J. et al. Joint effects of prenatal air pollutant exposure and maternal folic acid supplementation on risk of autism spectrum disorder. Autism Research, v. 11, n. 1, p. 69-80, 2018.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, redatora do Observatório do Autista®.