Custo de acompanhamento do autista nos EUA (US$3,2 milhões) e benefícios para as operadoras de saúde

Por Alysson Multri, Ph.D. (trecho da entrevista em evento na cidade de Caxias do Sul, setembro/2018).

A evolução do sequenciamento genético tem evoluído dramaticamente, semana passada mostramos que é possível fazer um minicérebro com 100% a menos do custo que fazíamos antes. As tecnologias tão evoluindo, mas ainda são caras. Mas eu vou dar um exemplo de como um sistema de saúde consegue ainda ter lucro, mesmo com uma tecnologia cara: a primeira terapia gênica que está sendo aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration, agência federal que regula o setor de medicamentos nos Estados Unidos) é para a distrofia muscular infantil. O bebê nasce com um problema que o músculo não segura o corpo, não tem resistência nenhuma. A mortalidade é muito alta nos primeiros anos de vida. Isso é devastador para os pais, que acessam o seguro saúde, que faz de tudo para manter esse bebê vivo, tenta todos os medicamentos possíveis, e a criança começa a apresentar uma série de outros problemas. O custo nos primeiros anos três anos de vida, para o seguro, é de cerca de US$ 10 milhões. O custo da terapia gênica é de US$ 1 milhão. Quando a empresa anunciou que ia oferecer esse tratamento por esse preço, todo mundo pensou que isso nunca ia chegar na população. Só que nunca foi a intenção vender para a família. A intenção foi vender para o seguro de saúde. Então, acho que esse tipo de compensação vai fazer muito sentido. O sequenciamento genético também, há doenças que as pessoas não fecham o diagnóstico e se mantêm naquele tratamento a vida inteira, enquanto é muito mais barato fazer um exame genético, com a chance de você descobrir o que é e acertar o tratamento. Estima-se em US$3,2 milhões o custo de acompanhamento do autista nos Estados Unidos. Mas ainda é difícil, mesmo lá. Alguns estados estão mais na frente, e eventualmente vai chegar no Brasil também.

Fonte: http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/noticia/2018/09/o-futuro-do-autismo-e-o-fim-do-autismo-projeta-neurocientista-10585090.html

Softwares gratuitos para pessoas com autismo e deficiência intelectual

O site http://www.projetoparticipar.unb.br/ possui um conjunto de softwares com objetivo de auxiliar pessoas com deficiência intelectual e autismo no processo de alfabetização, matemática básica, aprendizagem social, entre outros. Os softwares são gratuitos e desenvolvidos na Universidade de Brasília, UnB.

Fonte: http://www.projetoparticipar.unb.br/

Cientistas descobrem remédio que ameniza déficit social em autistas

Pequenas doses de substância anticancerígena são aplicadas em ratos e, em três dias, aliviam um dos sintomas mais emblemáticos do transtorno. Pesquisadores americanos se preparam para os testes com humanos.

O transtorno do espectro do autismo tem como uma das principais características a dificuldade de interação social. Em busca de uma abordagem para amenizar esse problema, pesquisadores americanos resolveram testar, em ratos manipulados para ter o transtorno, um medicamento que interfere na expressão de genes. A substância, já prescrita para o tratamento de cânceres, surtiu resultados positivos, mantendo a melhora dos sintomas das cobaias por um período equivalente “a vários anos em humanos”, segundo os autores.

“Descobrimos um pequeno composto molecular que mostra um efeito profundo e prolongado sobre os déficits sociais semelhantes aos do autismo sem efeitos colaterais óbvios, enquanto muitos compostos usados atualmente para tratar uma variedade de doenças psiquiátricas falharam em demonstrar a eficácia terapêutica para esse sintoma central do autismo”, ressalta Zhen Yan, pesquisadora do Departamento de Fisiologia e Biofísica da Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas de Jacobs, na Universidade de Buffalo, e principal autora do estudo, publicado na revista Nature Neuroscience.

Segundo Zhen Yan, estudos de rastreamento genético humano anteriores mostraram que muitos genes interrompidos no autismo são semelhantes aos relacionados a tumores. Por isso a escolha de um composto anticancerígeno para conduzir o experimento. “Existe uma ampla sobreposição nos genes de risco para o autismo e para o câncer, muitos dos quais são fatores de remodelação da cromatina (núcleo do DNA) importantes para a manutenção do genoma e para a sua regulação. Nos apoiamos na especulação de que é possível reutilizar medicamentos anticancerígenos como tratamentos direcionados para o autismo”, detalha.

Os pesquisadores utilizaram uma dose bastante baixa de romidepsina em roedores que sofreram alterações no gene Shank 3, considerado um forte fator de risco para o autismo. Um trabalho anterior da mesma equipe, em 2015, revelou que a perda do Shank 3 interrompe as comunicações neurais, afetando a função do receptor NMDA, um ator crítico na regulação da cognição e da emoção, levando a déficits sociais.

Nas cobaias, o medicamento rendeu resultados positivos após três dias de aplicação, e o efeito durou três semanas. Segundo Zhen Yan, o período abrangeu da fase juvenil à adolescência tardia das cobaias, um estágio crítico de desenvolvimento para habilidades sociais e de comunicação, e é equivalente a vários anos em seres humanos. A constatação, ressalta a cientista, sugere que os efeitos de um tratamento similar poderiam ser duradouros. “O resultado mais espantoso foi o efeito dramático e duradouro da romidepsina sobre os deficits sociais autistas. Nenhum outro composto tem tais efeitos terapêuticos”, destaca.

Além disso, a romidepsina restaurou mais de 200 genes que foram reprimidos nos animais manipulados para ter o transtorno. “O autismo envolve a perda de muitos genes. Para resgatar os deficits sociais, um composto tem que afetar uma série de genes envolvidos na comunicação neuronal”, explica Yan. “A vantagem de poder ajustar um conjunto de genes identificados como fatores-chave de risco para o autismo pode explicar a eficácia forte e duradoura desse agente terapêutico.”

Cuidados 

Segundo Ana Kariny, neurologista do Hospital Anchieta, em Brasília, o trabalho americano tem resultados interessantes, mas é preciso ponderação na hora de interpretá-los. “Os dados são bem explicados e argumentados. Porém, temos que ter cuidado para que ninguém pense que se trata da cura do autismo, porque ainda é uma pesquisa inicial, feita com ratos”, ressalta.

A médica explica que o déficit de comportamento e de comunicação, dependendo do grau de comprometimento, pode limitar o tratamento. O surgimento de novas abordagens medicamentosas, portanto, é importante para médicos, pacientes e familiares. “Os medicamentos antipsicóticos precisam ser usados com cuidado. Principalmente para as famílias, ter uma nova opção seria uma luz no fim do túnel.” Antes disso, reforça Ana Kariny, são necessários novos estudos. “Acredito que, nas próximas etapas, seria interessante fazer testes mais voltados para a população humana que também consigam mostrar se os benefícios serão mantidos a médio e longo prazos”, sugere.

A pesquisadora Zhen Yan conta que a equipe pretende se aprofundar no estudo do uso da romidepsina e de outros compostos semelhantes. “O próximo passo da nossa pesquisa é encontrar mais e melhores agentes terapêuticos para tratar os principais sintomas do autismo, especialmente aqueles que não só funcionam em estágios de desenvolvimento, mas também aqueles que têm efeitos crônicos na idade adulta com administrações repetidas”, adianta.

Fonte: https://www.uai.com.br/app/noticia/saude/2018/09/05/noticias-saude,233491/cientistas-descobrem-remedio-que-ameniza-deficit-social-em-autistas.shtml

Benefícios da equoterapia em pacientes com TEA

O presente trabalho foi realizado através de uma revisão de literatura, utilizando artigos científicos indexados de bancos de dados eletrônicos e livros didáticos. De acordo com as pesquisas realizadas neste trabalho, devido ao movimento tridimensional transmitido através do passo do cavalo, da sua função cinesioterapêutica, das características do animal utilizado e do ambiente em que é realizado, é estimulado no praticante melhora na conscientização corporal, coordenação motora, equilíbrio, ajuste do tônus, estimulação proprioceptiva, relaxamento, melhora da memória e concentração, ganho de independência, melhora na utilização de linguagem e melhora da socialização. Conclui-se que a equoterapia promove benefícios para o praticante com TEA.

Fonte: http://www.fisiosale.com.br/tcc/2017/ana_carolina_maria_laura.pdf

Importância do treinamento, acompanhamento e engajamento dos pais nas terapias

De acordo com o neuropediatra Carlos Gadia, um dos mais respeitados internacionalmente profissionais a atender crianças com autismo, a dedicação e o preparo dos pais, principalmente, é o fator determinante na evolução social e comportamental de uma pessoa com autismo.

Segundo ele, grande parte dos programas de tratamento para crianças com autismo incluem várias terapiasque são determinantes para o exercício de habilidades como a comunicação verbal, por exemplo. No entanto, dificuldades financeiras, a pouca disponibilidade de tempo dos pais, a agenda apertada dos profissionais capacitados e uma série de outros fatores continua impossibilitando a dedicação no volume recomendado.

Uma das perguntas que eu escuto com frequência no dia a dia de clínica é a seguinte: ‘eu só consigo levar meu filho para terapia uma hora por semana, isso é suficiente?’”. A resposta, segundo ele, é bastante simples: “para uma criança com autismo, uma hora por semana de terapia é o mesmo que nenhuma terapia. Não existe método algum de abordagem para o TEA que dê resultado neste tempo. Se você tem apenas uma hora por semana para dedicar à terapia do seu filho com autismo, use esse tempo para treinar os pais”.

O motivo para essa afirmação do especialista é que, com capacitação, os pais podem se tornar multiplicadores de conhecimento e realizar processos terapêuticos com os filhos, compartilhando as informações com outros pais e levando-a para toda a comunidade.

As vantagens dessa rede que se constrói dessa forma vão muito além da evolução daquela criança em específico. “Treinar pais tem um impacto que é renovador nos pais. Os pais deixam de se verem como incapazes, impotentes, e passam a se ver como um fator preponderante que vai mudar a vida dos filhos”, complementa.

Para Dr. Gadia, uma das soluções para capacitação de pais em larga escala seria o treinamento remoto. Essa é uma das necessidades mais imediatas para a evolução da forma como o autismo é abordado no Brasil, dado o tamanho do país e a dificuldade de chegar a regiões mais distantes.

Fonte: http://superspectro.com.br/noticia/dr-carlos-gadia-se-voce-tem-uma-hora-por-semana-para-terapia-use-para-treinar-os-pais