CID 11 – O que mudou referente ao autismo?

A CID 11 é a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. O documento é utilizado por profissionais da área da saúde para identificar estatísticas e tendências de saúde em todo o mundo. É composto por cerca de 55 mil códigos únicos para doenças, lesões, e causas de morte. Com isso é importante ressaltar que profissionais como psicólogos, psiquiatras e outros, relacionados a área da saúde mental, utilizam em sua prática clínica o CID, que agora será o 11, e o DSM 5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

A partir deste mês de janeiro a CID 11 entra em vigor e é de extrema importância conhecer as modificações com relação ao autismo para a efetiva aplicação. Vamos analisar as diferenças?

Classificação de autismo na CID 10:

F84– Transtornos globais do desenvolvimento (TGD);

F84.0– Autismo infantil;

F84.1– Autismo atípico;

F84.2– Síndrome de Rett;

F84.3– Outro transtorno desintegrativo da infância;

F84.4– Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados;

F84.5– Síndrome de Asperger;

F84.8– Outros transtornos globais do desenvolvimento;

F84.9– Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

Classificação de autismo na CID 11:

6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

6A02.0 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

6A02.1 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

6A02.2 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

6A02.3 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

6A02.4 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

6A02.5 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

6A02.Y – Outro Transtorno do Espectro do Autismo especificado;

6A02.Z – Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado.

Diante das classificações apresentadas, percebe-se que na CID 11, a Síndrome de Asperger já não se faz presente nas divisões e que assim como no DSM 5, encontra-se presente dentro do Espectro e não mais separado dele. (Para entender o porquê a Síndrome de Asperger deixou de existir no DSM5: https://observatoriodoautista.com.br/2021/11/09/mitos-e-verdades-sobre-o-autismo).É possível perceber também que,  na CID 11, as classificações têm como foco perceber a deficiência intelectual e o prejuízo na linguagem.

Ressalto aqui, mais uma vez, a importância do tratamento com um profissional qualificado na área, a fim de que os resultados sejam efetivos e para que um novo laudo, com as devidas mudanças, possa ser realizado.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Até a próxima semana!

Referências

Assembleia Mundial da Saúde aprova revisão de classificação internacional de doenças. Nações Unidas Brasil, 2021. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/83259-assembleia-mundial-da-saude-aprova-revisao-de-classificacao-internacional-de-doencas&gt;.  Acesso em: 05 de jan de 2022.

CID-11 unifica Transtorno do Espectro do Autismo no código 6A02.Tismoo,2022.Disponível em: <https://tismoo.us/destaques/cid11-unifica-transtorno-do-espectro-do-autismo-no-codigo-6a02/>. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). World Health Organization, 2022. Disponível em: < https://www.who.int/classifications/classification-of-diseases&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Confira a CID-11, disponibilizada pela OMS. Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, 2022.Disponível em: < https://sbmn.org.br/confira-a-cid-11-disponibilizada-pela-oms/&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

SANTOS, Rebeca Collyer dos. Mitos e Verdades sobre o Autismo. Observatório do Autista, 9 de nov de 2021. Disponível em: <https://observatoriodoautista.com.br/2021/11/09/mitos-e-verdades-sobre-o-autismo/&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Alunos da Universidade do Vale do Taquari fazem trabalho de conclusão de curso sobre a ODAPP

No dia 25 de novembro de 2021, os alunos Cristiane Bonora, Gabriel Faller, Gilmar L. Raach, Gleice Montagner e Valdenir J. Elauterio, da Universidade do Vale do Taquari,  apresentaram um trabalho de conclusão de curso sobre estratégia de vendas. Para a realização do mesmo, produziram um estudo de caso sobre a empresa ODAPP. E o trabalho contou com a orientação da professora, mestra Cristina Marmitt.

O estudo foi qualitativo, de caráter descritivo e teve como objetivo: identificar as principais estratégias de vendas da empresa, identificar como acontece o alinhamento estratégico entre marketing e vendas, bem como identificar quais são as estratégias utilizadas e as possíveis lacunas entre a bibliografia e as estratégias utilizadas pela empresa. Para isso realizou-se uma pesquisa com o CEO da ODAPP a fim de levantar dados e compreender alguns pontos sobre o funcionamento da empresa.

Ao decorrer do trabalho os alunos abordaram temas como: prospecção de clientes, inbound Marketing, planejamento de vendas, recrutamento e treinamento de vendedores entre outros aspectos importantes. Ao final do trabalho apresentaram seus resultados e propuseram também possíveis melhorias para a empresa. Vale ressaltar que no dia da apresentação o CEO da ODAPP assistiu ao trabalho através de vídeo chamada.

A empresa agradece o interesse dos alunos e todo o trabalho desenvolvido pelos mesmos. É de extrema importância abordar sobre estratégias de vendas, sobretudo com o foco no cliente. É exatamente isso que a ODAPP acredita.

Para saber mais sobre a ODAPP acesse: http://www.odapp.org.

Referências

BONORA, Cristiane et.al. Estratégia de Vendas: Estudo de caso da empresa ODAPP. 2021.17f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação). Universidade do Vale do Taquari-UNIVATES, Lajeado, 2021.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Aumento de prevalência de Autismo: 1 a cada 44 crianças.

No dia dois de dezembro de 2021, o relatório do CDC (Center of Diseases Control and Prevention) traduzido para o português como Centro de Controle de Doenças e Prevenção, publicou dados recentes a respeito da prevalência de autismo entre crianças de 8 anos (1 a cada 44 crianças), dados estes que foram coletados em 2018, obtiveram um aumento de 22% em relação ao estudo anterior (1 para cada 54 crianças). Segundo Paiva Jr (2021), se estes dados fossem referentes ao Brasil, o país teria cerca de 4,84 milhões de autistas, entretanto, apesar de alguns estudos em determinados estados, não tem-se ainda um número de prevalência no Brasil.

Para corroborar os estudos realizados no Brasil, cito um que foi realizado no interior do estado de São Paulo, no qual a amostra populacional foram crianças entre 7 e 12 anos de idade. A taxa encontrada foi de 27,2 a cada 10 mil crianças (Paula et.al.,2011 apud Júlio Costa e Antunes, 2018). Entretanto, como falado anteriormente, não é um dado significativo para representar toda a população brasileira.

Com relação ao assunto principal desta publicação, os dados apresentados pelo CDC tiveram como base 11 comunidades da rede de monitoramento de Deficiências de Desenvolvimento e autismo (ADDM) e teve como resultado a prevalência geral de TEA de 23,0 por 1000, ou seja, um em 44 crianças de 8 anos. Vale ressaltar que o resultado mostrou também que a prevalência é de 4,2 vezes maior entre meninos que entre meninas.

Diante disso, você pode pensar: “Por que de alguns anos para cá aumentou tanto o número de pessoas com TEA? O que aconteceu”? Muitos ainda ficam confusos com relação ao diagnóstico e à prevalência, mas a resposta se dá devido ao aumento de profissionais capacitados e consequentemente aos diagnósticos assertivos, ao aumento do número de estudos e de pesquisas, à melhora na qualidade dos serviços de saúde e no aumento da conscientização da população em geral (Júlio Costa e Antunes 2018).

Gostou do conteúdo? Não deixe de ler os próximos assuntos.

Obrigada por me acompanhar até aqui.

Referências

JÚLIO COSTA, Annelise; ANTUNES, Andressa Moreira. Transtorno do Espectro autista na prática clínica. São Paulo: Pearson Clinical Brasil, 2018.

PAIVA JR, Francisco. EUA publica nova prevalência de autismo: 1 a cada 44 crianças, com dados do CDC. Canal autismo, 2021. Disponível em: <https://www.canalautismo.com.br/noticia/eua-publica-nova-prevalencia-de-autismo-1-a-cada-44-criancas-segundo-cdc/>.  Acesso em: 06 de dez de 2021.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

A importância da musicoterapia para pessoas com transtorno do espectro do autismo

Conforme já foi esclarecido aqui no blog, existem diversos mitos sobre o transtorno do Espectro do autismo (TEA), que são propagados e tidos como verdadeiros. Diante disso que tal direcionarmos nosso olhar para fatos baseados em evidências científicas, sobretudo na neurociência?

Vários estudos mostram a existência de diversas alterações no sistema nervoso central que poderiam explicar o TEA e as alterações referentes à interação social, comunicação e comportamento. Diante desses variados estudos exponho os de Damásio e Maurer, citados por SCHARTZMAN (2011) e SAMPAIO, R. T. et al (2015) que afirmaram que haveriam alterações fisiológicas e/ou anatômicas em várias regiões do sistema nervoso, tais como na área entorrinal, giro do cíngulo, giro para-hipocampal, área perrinial, regiões subicular e pré-subicular. Estas alterações foram verificadas a partir da comparação de comportamentos encontrados em pessoas com TEA e em adultos com lesões corticais adquiridas.

Outro estudo que apresento é o de SCHARTZMAN, citado por SAMPAIO, R. T. et al (2015), que em suas pesquisas sobre a teoria da mente em pessoas com TEA verificou alterações no córtex-orbito-frontal, no corpo amigdalóide e nos lobos temporais. Vale ressaltar que a teoria da mente é a capacidade que uma pessoa tem para fazer inferências sobre os estados mentais de outras pessoas, como compreender comportamentos e sentimentos (BOSA e CALLIAS, 2000).

Posso citar inúmeros estudos, porém faço apenas um recorte para uma breve compreensão a respeito do tema, pois é importante entender determinadas alterações para compreender a importância da musicoterapia.

Falar a respeito de música é falar de expressão social, cultural, emocional e religiosa. A mesma encontra-se presente em todas as culturas e simboliza histórias, experiências e entretenimento. A música possui a capacidade de gerar emoções e de mobilizar processos cognitivos complexos como a memória, o controle de impulso, a atenção, a execução e o controle de ações motoras. A partir de estudos foi possível observar também que tanto canções quanto músicas instrumentais são capazes de gerar ativações no hipocampo, na amígdala, na ínsula e em outras regiões cerebrais (OMAR et al., 2011 apud SAMPAIO, R. T. et al, 2015).

A musicoterapia, portanto, é capaz de modular a atenção, a emoção, a cognição e os comportamentos do paciente, a fim de alcançar os objetivos clínicos, elaborados de modo individual para cada sujeito. Vale ressaltar que, no processo terapêutico da musicoterapia, os resultados não dependem somente do estímulo musical, mas também da relação estabelecida entre o profissional e o paciente.

Com isso, um dos objetivos que podem ser trabalhados com pessoas com o transtorno do Espectro do autismo, no processo de musicoterapia, é a atenção compartilhada, visto que é possível trabalhar os processos de comunicação e interação social a partir da manipulação de objetos.

Se você é musicoterapeuta e trabalha com pessoas com o TEA ou com outros transtornos do neurodesenvolvimento, conheça a Odapp (www.odapp.org). Uma plataforma na qual você trabalha suas avaliações, programas e planos terapêuticos de maneira mais prática.

Obrigada por me acompanharem até aqui e até a próxima semana.

Referências

BOSA, C.; CALLIAS, M. “Autismo: breve revisão de diferentes abordagens”. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2000, n.1, v.13, p.167-177.

SAMPAIO, R. T. et al. A Musicoterapia e o Transtorno do Espectro do Autismo. Per Musi. Belo Horizonte, 2015, n.32, p.137-170.

SCHWARTZMAN, J. “Neurobiologia dos Transtornos do Espectro do Autismo”. In: SCHWARTZMAN, J.; ARAUJO, C. Transtornos do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon, 2011.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Afinal o que é Neurodiversidade?

“A Neurodiversidade tem como pressuposto chave que todas as formas de diversidade neurológica devem ser respeitadas. Deste modo, as terapêuticas deveriam buscar não uma cura, mas centrar-se em maximizar habilidades, fornecer suporte socioemocional e fomentar estratégias diante das demandas individuais e ambientais” (Silberman, 2015).

O importante é entender que todos são diferentes e respeitar e trabalhar a diversidade neurológica não é pensar em incapacidade, mas sim em diferentes modos de ser e de desenvolver potencialidades e por esse motivo cada dia mais a ciência estuda e reflete a respeito do conceito de deficiência e de diversidade.

Com isso, atualmente existem ativistas do movimento de neurodiversidade que se opõem à famílias e aos grupos de pais de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo que entendem o transtorno como doença. (Ortega, 2009). Desse modo cabe aos profissionais da área da saúde e da educação pensar em meios de trabalhar e respeitar a neurodiversidade.

A plataforma ODAPP acredita justamente nisso, e por esse motivo trabalha empoderando e conectando profissionais da saúde e da educação especial com as famílias por meio da plataforma completa. A mesma facilita o dia a dia do terapeuta dentro e fora do consultório, pois proporciona forte engajamento dos pais no tratamento e no fornecimento de indicadores de desempenho para gestores das clínicas e operadoras de planos de saúde.  Para saber mais acesse www.odapp.org.

Referências

Brilhante, Aline Veras Morais et al. “Eu não sou um anjo azul”: a sexualidade na perspectiva de adolescentes autistas. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2021, v. 26, n. 2, p. 417-423. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232021262.40792020&gt;. Acesso em: 22 de nov. de 2021.

Oliver M. The Politics of Disablement London: The Macmillan Press; 1990.

Ortega, Francisco.Deficiência, autismo e neurodiversidade. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2009, v. 14, n. 1,p. 67-77. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1413-81232009000100012&gt; Acesso em: 22 de nov. de 2021.

Silberman S. Neurotribes: The legacy of autism and the future of neurodiversity. New York: Penguim Random House; 2015.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

26/11/2021 – Nova versão 1.3.4 do aplicativo ODAPP agora compatível com Android 11

Foto por Deepanker Verma em Pexels.com

Baixe gratuitamente a nova versão 1.3.4 na Google Play compatível com Android 11. Muitas novidades e melhorias para você! Confira se seu celular está configurado para atualização automática ou acesse os links a seguir. A versão web também recebeu várias melhorias e elas já estão no ar! Ah … essas melhorias estão também na última versão iOS!

Em caso de dúvidas, acesse nossa central de atendimento pelo Whatsapp 31 9 9666-5022. Agende uma demonstração ou treinamento com nossa equipe de Customer Success e saiba mais sobre essas e outras novidades.

Mitos e Verdades sobre o autismo

Existem diversos mitos com relação ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e embora seja um assunto que tem-se ouvido de modo mais frequente nos últimos anos, ainda é propagado e entendido de forma errônea. “Apesar dos avanços científicos na compreensão do autismo e das atualizações em documentos que trazem a sintomatologia do Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais V (DSM-V), da  American Psychiatric Association – APA (2014) e a Classificação Internacional de Transtornos Mentais e de Comportamento 11 (CID-11), da World Health Organization (2018), ainda há grande falta de entendimento sobre o que é autismo e quais são características específicas do modo de ser e de viver de pessoas com TEA” (LEMOS SHAW, Gisele Soares; LEANDRO, Leonésia  e  ROCHA-OLIVEIRA, Rafaela, 2021).

O TEA é um transtorno do Neurodesenvolvimento que é caracterizado pelas dificuldades que o indivíduo tem na interação social, na comunicação e pelo padrão restrito e repetitivo de comportamentos. A classificação desse transtorno sofreu várias alterações durante os anos gerando grande confusão. Por isso vamos citar alguns mitos propagados e explicar as verdades por trás dos mesmos.

Mito 1- A frieza e a falta de amor da mãe causa o autismo

Esse mito permanece até os dias de hoje e teve início com o psiquiatra Leo Kanner, em 1940, que criou o conceito das “mães geladeiras”. O mesmo afirmou que as crianças vivam em seu “mundo particular”, sem interação com as outras, devido à postura fria que suas mães possuíam. No entanto, posteriormente, o cientista fez publicamente uma autocrítica, compreendendo que essas mães, possivelmente, se relacionavam com maior distanciamento de seus filhos porque estes não conseguiam corresponder efetivamente a elas.

Mito 2- Todo autista é igual

Como citado anteriormente, a classificação do TEA gerou muita confusão com relação às nomenclaturas e até mesmo com relação ao próprio diagnóstico. Por isso é importante entender, de modo breve, a história.

Em 1952, o Manual diagnóstico estatístico de saúde mental (DSM) apresentava o autismo como sendo sintoma da esquizofrenia.  Já 1980, com o DSM 3, houve a separação desses transtornos, ou seja crianças que falavam sozinhas não eram vistas como aquelas que tinham alucinações, mas sim aquelas que possuíam ecolalia (repetição daquilo que a própria criança diz ou daquilo que falam).

Posteriormente, com o DSM 4, o autismo era definido pela tríade de dificuldades na  socialização, comunicação e interesses restritos e estereotipado e poderia ser classificado como Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Síndrome de Asperger, entre outras várias possibilidades.

Em 2013, com o DSM 5, a versão mais atual do DSM, essas várias possibilidades de classificação diagnóstica foram eliminadas, passando a possuir uma única termologia: Transtorno do Espectro Autista, dividido em nível I (necessita de apoio), nível II (necessita de apoio substancial) e nível III (necessita de apoio muito substancial).

Com isso, a eliminação das classificações não faz com que as pessoas com o transtorno do Espectro Autista sejam todas iguais, o diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado, especializado na área, para identificar o transtorno e sobretudo os níveis de apoio, para que o tratamento seja feito de forma individualizada, Vale ressaltar que cada sujeito é único e generalizar o tratamento não contribui para o seu real desenvolvimento.

Mito 3- As classificações do autismo se dividem em: Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e Síndrome de Asperger

Mesmo já tendo sido explicado acima, é importante enfatizar essa questão da nomenclatura, porque muitas pessoas e profissionais ainda utilizam as nomenclaturas antigas. Atualmente o termo utilizado é “Transtorno do Espectro Autista”, pelo DSM 5 e pelo CID 11(código internacional de doenças), “Transtorno do Espectro do Autismo”.

Diante disso, a Síndrome de Asperger, termo comumente utilizado,não é mais um diagnóstico possível, porque todas as pessoas que têm dificuldades de interação social e comunicação ou interesses restritos e estereotipados são classificadas como pessoas com TEA.

A mudança da classificação se justifica, porque nos Estados Unidos o tratamento é financiado pelo governo, e todos os detalhes são elementos usados para não disponibilizar o tratamento de forma gratuita ou a inclusão do sujeito em um plano de saúde. Diante disso, o diagnóstico de Síndrome de Asperger não cobria os mesmos direitos contidos no diagnóstico de autismo.

Mito 4 – Drogas e Vacinas causam o autismo

Assim como o mito das “mães geladeiras”, é errado pensar que as causas do autismo se dão devido ao uso de drogas e vacinas. O uso da primeira sem dúvida tem seus efeitos, porém não tem nenhuma relação com o transtorno citado, já o uso da segunda também em nada se relaciona. Foi comprovado que as causas são hereditárias, unicamente genéticas, e o que encontram-se são fatores de risco como: Prematuridade, idade avançada da mãe, diabetes gestacional etc.

Mito 5- Como o autismo não tem cura, não tem nada que se possa fazer

Muitos acreditam que pelo o autismo ser um transtorno e não possuir “cura” nada deve ser feito. Pelo contrário o tratamento do TEA é de extrema importância para o desenvolvimento do indivíduo. Todos possuem suas potencialidades, sobretudo pessoas com o Transtorno do Espectro autista. É fundamental que os familiares procurem profissionais capacitados para a realização desse processo e não negligenciem o crescimento dos mesmos.

No Brasil, existem profissionais e empresas qualificadas para o auxílio de pessoas com TEA e a ODAPP, é um exemplo. A empresa conta com uma gestão completa de terapias em crianças com autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento através de um software web e um aplicativo para coleta de dados. Para saber mais acesse: www.odapp.org.

Rebeca Collyer dos SantosEditora Chefe
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), e como Customer Success na empresa Odapp Autismo

27 práticas comprovadas cientificamente como de alta eficácia para o tratamento dos TEA

Ao instrumentalizarmos os pais e a família da criança com atraso de linguagem ou com TEA, possibilitamos o ‘empoderamento’ dos pais, devolvendo-lhes a autonomia em relação ao vínculo, à interação e ao desenvolvimento de seus filhos. Segundo diversos autores, quando os familiares são bem informados e treinados para lidar com as dificuldades das crianças são esperados inúmeros benefícios no funcionamento adaptativo da criança, bem como, há uma diminuição dos comprometimentos na saúde mental dos familiares envolvidos.

Wong et al. (2014) identificaram 27 práticas comprovadas cientificamente como de alta eficácia para o tratamento dos TEA e, dentre estas práticas, está a intervenção implementada ou mediada pelos pais. A literatura traz inúmeras evidências da importância e eficiência do TP (Treinamento Parental), de modo que o treino é parte dos programas de tratamentos baseados na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), sendo um dos pilares mais importantes da intervenção.

Adaptado do blog https://www.batepaponojardim.com/

Créditos para Maria Claudia Arvigo

DESOSPITALIZAÇÃO: ESTE É O FUTURO DOS HOSPITAIS

O futuro dos hospitais reside na desospitalização. Cada vez mais tratamentos hoje exclusivamente hospitalares serão levados para a casa do paciente. E, quando a internação for necessária, é essencial “levar a casa do paciente” para o hospital, respeitando seus hábitos e preferências, providenciando que ele possa ter atividades comuns e que contribuam para uma experiência positiva.

Confira o artigo completo aqui

Volume 9 da coleção Comportamento em foco com ênfase em Análises Teóricas, Educação e Questões Sociais

A Editora da ABPMC anunciou no final de 2019 o lançamento do Volume 9 da coleção Comportamento em foco com ênfase em Análises Teóricas, Educação e Questões Sociais, referente aos encontros Brasileiros de Psicologia e Medicina Comportamental de 2016-2017. O volume é composto por 18 capítulos sobre: aprendizagem de sentenças, Gerontologia Comportamental, Transtornos de Conduta e Opositivo Desafiador, controle aversivo do comportamento, renovação comportamental, estratégias de disseminação da análise do comportamento, ensino de soma e subtração para indivíduos com autismo, efeito do uso de selos ambientais,  uso de drogas, famílias e políticas públicas, Performance Diagnostic Check-list, além de leituras comportamentais de temas como dor, negritude, identidade de gênero, metodologias ativas e atuações no ambiente escolar. 

O Volume 9 da coleção Comportamento em Foco, assim como os demais já publicados, está disponível gratuitamente no formado de e-book (pdf) e pode ser acessado no seguinte link: http://abpmc.org.br/publicacoes.php?inf=3