Atendimento via plano de saúde ou particular?

Supervisão terapêutica e escolar online tem crescido

Várias operadoras de planos de saúde e seguradoras estão criando estratégias para lidar com a escalada da demanda por atendimento a crianças com autismo nível 1 e 2. Uma delas é credenciar clínicas para realizar esses atendimentos. Ocorre que várias destas estão declinando do credenciamento e permanecendo apenas com o serviço particular. Porém o valor da consulta particular tem afastado os clientes e este ciclo se torna vicioso: os profissionais reclamam do valor do repasse das operadoras, as famílias do valor das consultas particulares e as operadoras do seu custo operacional crescente. Profissionais reclamam da falta de clientes. Clientes reclamam da falta de profissionais. E as crianças? Como ficam? 

Um Psicólogo de um plano de saúde, em geral, recebe algo entre R$20 e R$30 por consulta e pode ainda levar meses para receber este valor. Com isso, dificilmente consegue se manter atualizado, realizar cursos, investir em sua clínica, realizar atendimentos e supervisão, ações fundamentais para uma prestação de serviços de qualidade. Este fato tem o desestimulado do credenciamento junto aos planos, permanecendo apenas com o atendimento particular. Ocorre que, dado um valor médio por consulta de R$120,00 as famílias não tem conseguido arcar com estes custos ao longo do período recomendado de intervenções que pode alcançar até 20 horas por semana. Os profissionais portanto não conseguem ter uma carteira de clientes que atenda suas expectativas profissionais e nem as famílias conseguem dar a frequência e intensidade de tratamento recomendada.

Valeria portanto a pena se credenciar junto a uma operadora? Nós acreditamos que sim, desde que o profissional aumente sua eficiência operacional!

COMO AUMENTAR SUA EFICIÊNCIA OPERACIONAL?

Uma das alternativas é automatizar parte dos processos que envolvem um atendimento típico: (i) substituir relatórios e documentos a serem preenchidos em papel por versões digitais, online; (ii) engajar as famílias e escolas no tratamento com devolutivas e comunicações em tempo real e; (iii) permitir a realização de terapias (reforço) por cuidadores em ambiente natural com supervisão à distância.

Se você é um profissional autônomo que atende poucas crianças no consultório, em domicílio ou na escola, use o app da plataforma ODAPP para organizar toda a rotina dos atendimentos: currículos funcionais, folhas de registro, escalas diagnósticas, anamneses e relatórios preenchidos pelo celular, tanto por você quanto para seu cliente, aluno ou paciente. É possível também realizar a supervisão online, compartilhando tarefas para serem executadas em casa pelos pais (reforço) ou na escola pelos educadores (PDI) com o preenchimento de relatórios em tempo real. O profissional cadastrado tem ainda seu perfil gratuitamente divulgado para famílias, escolas e clínicas dentro da plataforma estando apto a receber solicitações de atendimento.

Convênios investem em terapia online diante do aumento da demanda por Psicólogos

Operadoras de planos de saúde estão criando estratégias para lidar com a escalada da demanda na área de saúde mental. Terapias online, atenção integrada com médicos da família e ação conjunta com startups são parte do arsenal das seguradoras para prestar atendimento e conter os custos trazidos pelo aumento da procura.

As consultas com psicólogos saltaram 116% e as internações em hospital-dia (quando o paciente é acolhido durante o dia e volta para casa à noite) cresceram 211% no período, segundo dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

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Notas da CIRCULAR ABPMC

“O termo ABA, vem do inglês, Applied Behavior Analysis, significa Análise do Comportamento Aplicada e se refere à parte aplicada da ciência do comportamento. Desta forma, ABA envolve tanto uma área de pesquisa, quanto as diversas possibilidades de prestação de serviço que se utilizam das tecnologias investigadas em relação à sua efetividade na resolução dos problemas humanos. Uma área na qual estas tecnologias se mostraram fortemente efetivas foi o tratamento de pessoas com Desenvolvimento Atípico, especificamente pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA – CID F.84.0). A literatura cientifica da mais alta qualidade metodológica têm mostrado largamente a efetividade da intervenção nesta população, principalmente em casos nas quais a intervenção é realizada de maneira intensiva, precoce e por um longo prazo“.

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RESOLUÇÃO Nº 11, DE 11 DE MAIO DE 2018

Regulamenta a prestação de serviços psicológicos realizados por meios de tecnologias da informação e da comunicação 

 Art. 1º – Regulamentar a prestação de serviços psicológicos realizados por meio de tecnologias da informação e da comunicação.

Art. 2º – São autorizadas a prestação dos seguintes serviços psicológicos realizados por meios tecnológicos da informação e comunicação, desde que não firam as disposições do Código de Éca Profissional da psicóloga e do psicólogo a esta Resolução: 

I. As consultas e/ou atendimentos psicológicos de diferentes tipos de maneira síncrona ou assíncrona;

II. …

III. Utilização de instrumentos psicológicos devidamente regulamentados por resolução permanente, sendo que os testes psicológicos devem ter parecer favorável do Sistema de Avaliação de Instrumentos Psicológicos (SATEPSI), com padronização e normatização específica para tal finalidade.


IV. A supervisão técnica dos serviços prestados por psicólogas e psicólogos nos mais diversos contextos de atuação.

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Modelo DIR/Floortime

Criado no final da década de 1980, o método DIR®/Floortime™ foi patenteado pelos pesquisadores norte-americanos Stanley Greenspan e Serena Wieder e aplicado em diversas escolas e instituições nos Estados Unidos e na Europa. Para eles, o afeto e os relacionamentos têm um papel fundamental no desenvolvimento da aprendizagem e saúde mental das crianças com autismo onde devemos olhar para as competências sociais, emocionais e intelectuais.

Developmental, Individual Difference, Relationship-based Model (as iniciais das palavras em inglês, significam, em português: “Desenvolvimento funcional emocional”; “Diferenças Individuais” e “Relacionamento”) é um modelo terapêutico com base no desenvolvimento nas diferenças individuais e nas relações interpessoais de crianças com alguma alteração no desenvolvimento da sociabilidade, dentre elas, o autismo. A ideia é ajudá-las a utilizar suas capacidades levando em conta a etapa do desenvolvimento em que se encontram e como processam as informações que recebem do entorno. Em outras palavras, o objetivo é a formação de alicerces para as competências sociais, emocionais e intelectuais, em vez de focar em habilidades isoladas. O modelo DIR® entende a criança como um ser único e, na sua individualidade, busca construir as bases para que ela possa pensar, se comunicar e se relacionar, apesar das suas limitações. A abordagem Floortime™ faz parte do modelo DIR® como a principal estratégia para sistematizar a brincadeira com a criança e proporcionar sua progressão sobre as etapas do desenvolvimento. É uma abordagem que pode ser utilizada por profissionais de várias áreas (psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais) e familiares capacitados. A participação da família é importante devido à relação emocional e ao fato de passarem a maior parte do tempo com a criança. No Floortime (tempo de chão), a família e/ou terapeuta segue os interesses da criança ao mesmo tempo em que a desafia a alcançar maior domínio das capacidades sociais, emocionais e intelectuais.

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Comissão de Direitos Humanos aprova carteira de identificação para autistas

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou nesta quinta-feira (27) o Projeto de Lei 2.573/2019, que prevê a confecção de carteira de identificação da pessoa com transtorno do espectro autista (TEA).

O objetivo é assegurar atendimento prioritário em serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.

A relatora, senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), apresentou voto favorável. Na opinião da parlamentar, o autismo é uma deficiência invisível aos olhos, por não afetar a aparência, e por isso precisa de uma comprovação para o atendimento prioritário.

— Alguns municípios no Brasil já adotam a carteira de identificação. O documento não é apenas importante; é verdadeiramente essencial em estabelecimentos comerciais ou públicos, em particular os de saúde — afirmou.

A proposta segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Fonte: Da Redação – Agência Senado | 27/06/2019, 12h09

Treinamento de Respostas Pivôs (PRT)

Resultado do trabalho de pesquisadores como Robert Koegel, o Treinamento de Respostas Pivôs (Pivotal Response Treatment®, PRT® (na sigla em inglês) é um método de intervenção comportamental e considerado uma ramificação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Esse tratamento lança mão da motivação da criança com autismo para ensinar a ela novas habilidades em situações naturais e em ambientes variados. O achado de Koegel e seus colaboradores, que deu origem ao PRT®, foi perceber que crianças com autismo se revelavam bastante desinteressadas em aprender. Apesar disso, quando expostas a situações naturais, sem formalidade e com respeito às escolhas feitas por elas, a aprendizagem acontecia com maior frequência e de modo mais natural.

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Organização Mundial da Saúde treina curitibanos para o atendimento ao autismo

Até sexta-feira (27/7), equipe do Programa Internacional de Capacitação de Familiares e/ou Cuidadores de Crianças com Atraso ou Transtorno do Neurodesenvolvimento/Autismo em Curitiba recebe consultoras da Organização Mundial da Saúde (OMS), na Associação Comercial do Paraná. Elas vão treinar quatro profissionais “masters”, que irão disseminar a metodologia do programa de desenvolvimento das crianças com autismo.

“Havia uma grande expectativa de avançar no treinamento dos profissionais, pois a população tem se mostrado muito interessada neste projeto”, destaca o apoio técnico do Departamento de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Joari Stahlschmidt. Três dos quatro profissionais que serão capacitados fazem parte da secretaria.

As consultoras, com a equipe de coordenadores e dos másters, vão validar o material didático, traduzido e adaptado para a realidade das famílias e crianças brasileiras. A partir desta terça-feira (24/7), as sessões de capacitação terão o apoio de famílias com crianças autistas.

Essas famílias são voluntárias e vão aprender técnicas para aplicar na rotina das crianças e também darão retorno à equipe sobre a eficácia da metodologia. A intenção é que elas se tornem protagonistas na melhoria da qualidade de vida de crianças com síndromes do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou atraso no neurodesenvolvimento.

Parceria

O programa é uma parceria da Prefeitura de Curitiba com a OMS, a Fundação Autism Speaks e a ONG curitibana Ico Project. Curitiba foi a primeira cidade do mundo a firmar essa parceria, em março deste ano. Até então, os convênios vinham sendo feitos entre a OMS e governos federais.

“Na nossa primeira visita, fizemos todo o planejamento e, desde então, a equipe trabalhou duro e satisfatoriamente para chegarmos a este treinamento”, destaca a consultora da OMS Pamela Dixon Thomas. “É um programa muito significativo em Curitiba porque tem potencial para ser implantado em outras partes do Brasil”, destaca.

Passo a passo do programa

O projeto funciona em sistema de “pirâmide do conhecimento”. Os masters que receberão treinamento nesta semana – três da Secretaria Municipal da Saúde e um do Ico Project – vão ensinar vários facilitadores. Estes, irão replicar o conhecimento a pais e cuidadores.

Os facilitadores serão profissionais da Atenção Primária da Saúde da secretaria, ampliando exponencialmente a rede de pessoas com condições de dar suporte ao desenvolvimento das crianças.

O objetivo é, nesse sistema, capacitar todos os pais e cuidadores de crianças entre 2 e 9 anos com TEA de Curitiba em cinco anos. Serão priorizadas famílias de regiões de alta vulnerabilidade da cidade.

Fonte: https://www.bemparana.com.br/noticia/organizacao-mundial-da-saude-treina-curitibanos-para-o-atendimento-ao-autismo

Sobre as terapias comportamentais DIR/Floortime, ESDM e TEACCH

2 - tratamentos

Autismo é um distúrbio complexo do desenvolvimento que afeta principalmente a fala, o comportamento, as interações sociais e afetivas de indivíduo. Sabe-se que a manifestação dos sintomas é diferente para cada pessoa ou criança, sendo assim o transtorno pode ser classificado de leve a severo. Baseado neste parâmetro, o portador de Transtorno do Espectro Autista (TEA) deve ter um tratamento individualizado para atender a necessidade e dificuldade de cada um. Hoje em dia, encontra-se variados tratamentos para o autismo e, neste artigo, citaremos os principais e seus benefícios.

Os tratamentos ajudam nas habilidades e desenvolvimento como comunicação, socialização, alfabetização e controle dos comportamentos repetitivos e estereotipados dos indivíduos autistas, então eles devem ser iniciados o quanto antes para que os comportamentos não prolonguem e interfiram na sua vida adulta.

Atualmente, as pesquisas científicas estão trabalhando na produção de diversas intervenções para minimizar os sintomas do distúrbio e estabelecer bem-estar dos autistas e suas famílias. Os tratamentos que destacaremos neste artigo são: o modelo Denver de Intervenção Precoce; Teacch e DIR Floortime.

Modelo Denver

O Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM – Early Start Denver Model) é direcionado para crianças com autismo entre 1 a 5 anos (12-60 meses) e tem a intenção de trabalhar a comunicação receptiva e expressiva, competências sensoriais, competências motoras e comportamento adaptativo. Os níveis de competência são divididos por faixa etária: Nível 1: 12-18 meses; Nível 2: 18-24 meses; Nível 3: 24-36 meses; Nível 4: 36-48 meses.

Os benefícios do modelo foram bastante significativos podendo ressaltar a aceleração do desenvolvimento, melhora nos aspectos motores e na linguagem, incluindo ganhos importantes na comunicação receptiva e expressiva e no desenvolvimento sociocomunicativo, especialmente na fala espontânea. Por outro lado, o método não mostrou avanço na socialização de pessoas fora da família e nas atividades da vida diária.

Modelo TEACCH

O TEACCH, ou Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com déficits relacionados à Comunicação, aborda um método transdisciplinar que envolve o aspecto educacional e clínico e baseia-se na Teoria Behaviorista e a Psicolinguística Esta última foi a teoria que mais pesquisou estratégias para diminuir os déficits de comunicação do Autismo e utiliza recursos visuais para enriquecer a conexão entre o pensamento e a linguagem, proporcionando uma maior riqueza e facilidade na comunicação.

O tratamento procura melhorar adaptação de cada indivíduo através do aprimoramento das habilidades e enriquecendo o ambiente para incentivar a socialização; promove a troca de conhecimento entre os pais e os profissionais especializados em transtornos de desenvolvimento, apontando os principais pontos que devem ser priorizados e trabalhados tanto no espaço clínico como em casa; avaliar qual habilidade a ser praticada e método que auxilia o desenvolvimento da criança; trabalhar de em um modelo transdisciplinar e geral, fazendo que com os profissionais que trabalham com esse método possa ajudar a controlar o maior número de problemáticas envolvidas ao transtorno.

DIR Floortime

Do inglês, Developmental, Individual Difference, Relationship-based Model (DIR®/Floortime™), o modelo visa trabalhar o desenvolvimento, a diferença individual e o relacionamento das crianças com outras pessoas. É um método que auxilia pais, educadores e outros profissionais a analisar o indivíduo com TEA e empregar a melhor intervenção que desenvolve as dificuldades e pontos importantes do autista.

O modelo procura construir uma base para aumentar as capacidades sociais, emocionais e intelectuais de maneira generalizada, diferente de outros modelos que trabalham apenas comportamentos e habilidades de modo isolado. Esse tratamento permite que as atividades desenvolvidas acessem diferentes regiões do cérebro e da mente, fazendo com que eles sejam acionados de maneira conjunta.

A parte D da sigla representa a parte de desenvolvimento do modelo e podemos destacar que neste momento é trabalhado o desenvolvimento de capacidades importantes como manter-se calmo e controlado, encontrar e se relacionar com outras pessoas, iniciar e responder a todos os tipos de comunicação e melhorar aspectos cognitivos. O sucesso deste conjunto ajuda a crianças nas relações interpessoais e na vida academia e profissional.

A letra I corresponde às diferenças individuas de cada criança, estudando como ela recebe, entende e transmite as informações do ambiente. Procura buscar as percepções mais sensíveis da criança como as sensações aos toques e sons e como ela capta informações ou planeja suas ações.

A letra R significa a parte que analisa os relacionamentos da criança com outras pessoas como educadores, profissionais, familiares, cuidadores, colegas e outros que possuem afinidades e relações afetivas. Essa parte descreve e compara a aprendizagem realizada por pessoas de sua convivência com as aprendizagens feitas baseadas nas diferenças individuais de capacidade e desenvolvimento.

O Floortime™ procura trabalhar as emoções e habilidades da criança e instigá-la com desafios para desenvolver suas capacidades. Um exemplo comum é em jovens autistas que são incentivados a andar e em crianças a falar e se comunicar. O método DIR®/Floortime™ abrange todas as técnicas com o fim de querer que a criança evolua e supere seus desafios e principais dificuldades.

Referências

GREENSPAN, Stanley; WIEDER, Serena. DIR®/Floortime™ Model. The International Council on Developmental and Learning Disorders, 2008.

LÖHR, Thaise. Intervenção precoce em crianças com autismo: modelo Denver para a promoção da linguagem, da aprendizagem e da socialização. Educar em Revista, v. 32, n. 59, p. 293-297, 2016.

KWEE, Caroline Sianlian; SAMPAIO, Tania Maria Marinho; ATHERINO, Ciríaco Cristóvão Tavares. Autismo: uma avaliação transdisciplinar baseada no programa TEACCH. Revista CEFAC, v. 11, n. 2, 2009.

Por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.