Desafios da Inclusão Escolar

Não é a primeira vez e tampouco a última que falaremos a respeito da Inclusão escolar, ou melhor da falta da mesma e de seus desafios. Embora muitas conquistas foram concretizadas, na prática existem aspectos que são deficitários, a começar pela própria inclusão e aceitação às diferenças que muitas vezes não ocorrem no ambiente escolar.

Por isso falar de inclusão é falar da predominante exclusão que ainda existe na sociedade pós-moderna. Segundo Machado, Almeida e Saraiva (2009), se tratar de inclusão é falar de um conflito histórico e pertencente a um certo funcionamento social, determinado pela exclusão social, sendo que o sistema em que vivemos é excludente em sua raiz. Dessa maneira, abordar a inclusão é perceber as práticas exclusivas constitutivas de nossa sociedade, uma sociedade de desiguais.

Para corroborar com o tema cito o caso da jornalista Janine Saponara citado por Basílio e Moreira (2014), que passou por situações difíceis com o seu filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo, por falta de preparação dos profissionais no ambiente escolar. Observa-se claramente o despreparo profissional quando a mesma relata que a escola utilizou como estratégia a omissão do autismo de seu filho. Ela afirma: “De início, rejeitei a ideia, porque contar sobre o autismo me deixaria mais tranquila. Até que em uma reunião, me explicaram que quando você rotula, as pessoas não vão espontaneamente ajudar a romper as barreiras; ao passo que, quando não se sabe, há curiosidade para essa conquista.”

Vale ressaltar que o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, como visto no capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), apud Basílio e Moreira (2014). A mesma trata-se da Educação Especial e deve visar a efetiva integração do estudante à vida em sociedade.

Quando a inclusão ocorre?

Quando a criança e adolescente apresenta suas potencialidades e não esconde as suas particularidades, apresentando e respeitando o seu diagnóstico. De acordo com a educadora da Escola da Vila, Maria da Paz Castro, citada pelas autoras anteriores, a inclusão é possível quando observa-se também o aluno fora do contexto escolar, pois a criança autista deve ocupar e fazer uso dos espaços públicos, assim como todos os cidadãos. Com isso, pensemos: Além das leis e de todos os estudos realizados, como podemos proporcionar a inclusão? A seguir mostrarei o lúdico como uma das maneiras de incluir a criança em sala de aula ou nas horas de intervalo. Vale ressaltar que é possível adaptar as brincadeiras para cada ambiente, por isso prezo pela importância de um profissional qualificado e atualizado nos estudos para conseguir realizar tais adaptações.

A utilização do Lúdico no processo de Inclusão Escolar

De acordo com Silva (2013), o lúdico contribui para o desenvolvimento e aprimoramento, intelectual, e físico de crianças com Transtorno do Espectro Autista, ou seja, as brincadeiras, o lúdico não são apenas diversão, mas sim geradores de informações, e conhecimentos para o desenvolvimento das mesmas, ajudando na concentração e nas aptidões.

Com isso, é importante pensar que com as dificuldades nas relações sociais e na comunicação verbal e não verbal, o trabalho lúdico com crianças autistas exige uma preparação dos profissionais como também dos familiares destas crianças para que os objetivos sejam atingidos.

O autor citado acima propõe algumas ideias de como utilizar a ludicidade:

  • Podem ser aplicadas brincadeiras afetivas como sorrir, olhar, e conversar;
  •  Brincadeiras frente ao espelho, como fazer caretas, brincar de abaixar e levantar observando no espelho e sorrir;
  •  Brincadeiras corporais como brincar de fazer cocegas, abraçar, de pegar, esconder;
  •  Brincadeiras com músicas e brincadeiras cantadas como dramatizar a música com o corpo, dançar, pular e interagir; isto pode ser pensado no momento de cantar o alfabeto, por exemplo;
  • Brincadeiras com massinha, tinta e argila para que a criança perceba suas sensações.

Obrigada por me acompanhar até aqui! Para saber mais sobre a Odapp, acesse: http://www.odapp.org.

Referências

BASÍLIO, Ana; MOREIRA, Jéssica. Autismo e escola: os desafios e a necessidade da inclusão. Centro de Referências em Educação Integral, abr de 2014. Disponível em: < https://educacaointegral.org.br/reportagens/autismo-escola-os-desafios-necessidade-da-inclusao/ >. Acesso em: 30 de mai de 2022.

KIBRIT, Bruna. Possibilidades e desafios na inclusão escolar. Revista Latino americana de Psicopatologia Fundamental [online], v. 16, n. 4. pp. 683-695, 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rlpf/a/KLC37Vh3r7CsMSHvMjWKSjm/?lang=pt# >. Acesso em: 01 de jun de 2022.

MACHADO, A. M.; ALMEIDA, I; SARAIVA, L. F. O. Rupturas necessárias para uma prática Inclusiva. In Educação Inclusiva: experiências profissionais em psicologia. Brasília: Conselho Federal de Psicologia. p.21-35, 2009.

SILVA, L.C. O autismo e o lúdico. Revista de Ciências Sociais do Norte, 2013. Disponível em: < https://www.revistanativa.com.br/index.php/nativa/article/view/256 >.  Acesso em: 02 de jun de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Inclusão, Suporte e Adaptação para crianças com TEA no ambiente escolar

É de extrema importância promover adaptações no ambiente físico, escolar, familiar e social. As adaptações fazem parte da inclusão, pois com o suporte necessário o indivíduo pode se desenvolver, se comunicar e interagir da melhor maneira possível. Cada pessoa, sobretudo, com Transtorno do Espectro Autista, possui suas individualidades, suas necessidades, bem como suas potencialidades, por isso é necessário conhece-las a fim de proporcionar a adaptação ideal e funcional para cada uma.

Quando falamos em inclusão e adaptação, um dos espaços que pensamos é sem dúvida a escola, pois a mesma se destaca por favorecer o desenvolvimento infantil. Isso ocorre devido a convivência social que as crianças têm umas com as outras e também pelo importante papel do professor de mediar as diferentes formas de aprendizado e aquisições de habilidades.

De acordo com Höher Camargo e Bosa (2012), o contexto escolar proporciona contatos sociais, favorecendo o desenvolvimento da criança autista, assim como o das demais crianças, pois na medida em que convivem, as mesmas aprendem com as diferenças. Já Silva e Facion (2008) corroboram com os autores, afirmando que os demais alunos irão se enriquecer por terem a oportunidade de conviver com as diferenças.

Com isso, podemos fazer associação com o conceito de mediação de Vygotsky, pois todo o processo realizado dentro de sala de aula, dos alunos aprenderem e auxiliarem uns aos outros, pode ser considerado mediação da aprendizagem, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento das crianças.

E para que toda a interação e a inclusão ocorram, quais sãos os tipos de suporte e adaptações que podem ser pensados no ambiente escolar? Veja alguns exemplos:

  • Material Pedagógico Adaptado (Cartões de Comunicação, Prancha de Comunicação Alternativa, Livros adaptados, informática acessível);
  • Acompanhante Especializado na sala de aula (profissional de apoio);
  • PEI(Plano Educacional Individualizado);
  • Adaptação de aulas extras como nas aulas de Educação física e música;
  • Atenção e cuidado nas necessidades sensoriais da criança.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Para saber mais sobre a ODAPP acesse: http://www.odapp.org.

Referências

HÖHER CAMARGO, S. P.; BOSA, C. A. Competência social, inclusão escolar e autismo: um estudo de caso comparativo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v.28, n.3, p.315-324, 2012

Lemos, Emellyne Lima de Medeiros Dias, Salomão, Nádia Maria Ribeiro e Agripino-Ramos, Cibele Shírley. Inclusão de crianças autistas: um estudo sobre interações sociais no contexto escolar. Revista Brasileira de Educação Especial [online], v. 20, n. 1, p. 117-130, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbee/a/GS4c9BPW9PW8ZqzBGjx7Kzj/?lang=pt >. Acesso em: 25 de abr de 2022.

SCHIRMER, Carolina Rizzotto; FERREIRA PINTO, Luciana Meira; RACHED, Ana Caroline. Material pedagógico adaptado ou especialmente elaborado e os recursos de Comunicação Alternativa e Ampliada postados no WhatsApp. In: NUNES, L. R. O. P., and SCHIRMER, C. R., orgs. Salas abertas: formação de professores e práticas pedagógicas em comunicação alternativa e ampliada nas salas de recurso multifuncionais [online]. Rio de Janeiro: EDUERJ.p. 207-241, 2017. Disponível em: < https://books.scielo.org/id/xns62/pdf/nunes-9788575114520-12.pdf>.  Acesso em: 25 de abr de 2022.

SILVA, M. F. M. C.; FACION, J. R. Perspectivas da inclusão escolar e sua efetivação. In FACION, J. R. (Org.). Inclusão escolar e suas implicações. 2ª ed. Curitiba: Ibpex. p.185-216, 2008.

SIMONE, Leal. A escola parece inclusiva mas não é quando. 20 de abr de 2022. Instagram: @atipicamente.azul. Disponível em: < https://instagram.com/atipicamente.azul?igshid=YmMyMTA2M2Y=>. Acesso em: 26 de abr de 2022.

VYGOTSKY, L. S. Formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga no Instituto CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Quais são os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista?

“O final do ano de 2012 foi um marco decisivo em relação aos direitos da pessoa com autismo. A Lei 12.764 de 27/12/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, determinou que a pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Lembrando que a Lei é federal, portanto, vale em qualquer lugar do Brasil. A Lei 13.146 de 06/07/2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência ou conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, confirma e solidifica muitos direitos não somente da pessoa com autismo, mas também de toda pessoa com deficiência, sendo essa juntamente com a Lei Berenice Piana, as principais fontes de busca e garantia de direitos.”(Autismo Legal, 2022).

Embora muitos desconhecem, o autista possui direitos na saúde, na educação, no trabalho, na previdência(BPC/LOAS), no transporte, no lazer, e civis. Aqui citarei apenas alguns para conhecimento.

Com relação aos direitos na área da saúde, um deles é referente a regulamentação da ANS (Agência Nacional de Saúde), na qual estabelece limites de sessões de terapia, de acordo com o tipo da terapia. As Pessoas que são diagnosticadas dentro do Transtorno do Espectro Autista pelo código (F84.*) do cid 10 tem um limite diferenciado. Além disso, o limite que é determinado não significa o número máximo, mas sim o mínimo, por isso caso seja necessário e comprovado, pelo médico, o convênio médico é obrigado a disponibilizar quantas sessões forem necessárias para o paciente.

Na educação são muitos os direitos. A pessoa com TEA tem direito desde o transporte que o leva para a escola até a uma pessoa que irá acompanhá-lo durante os estudos, intermediando suas relações escolares. Uma questão importante referente a educação é a escola negar a matrícula de um aluno por causa do TEA. Não existe limite máximo de vagas para alunos de inclusão, se a escola afirmar isso, saiba que é crime de discriminação.

Já abordando sobre os direitos na previdência, todo deficiente, e idoso, de baixa renda tem direito a um benefício chamado Benefício de Prestação Continuada (BPC). As pessoas, na maioria das vezes, fazem referência ao BPC como LOAS. No Entanto, LOAS é a Lei Orgânica de Assistência Social. É de extrema importância entender que o benefício não é uma aposentadoria, e a principal diferença é que quem tem BPC ou LOAS não recebe 13º salário, e também não é “herdável” pelos dependentes.

Para entender mais sobre questões legais referentes ao Autismo, acesse o e-book do Autismo Legal que está disponível gratuitamente em: www.autismolegal.com.br/e-book.

E Para saber mais sobre a ODAPP acesse: www.odapp.org.

Referências

Autismo Legal. Direitos do Autista. Butantã, São Paulo. Disponível em: <www.autismolegal.com.br/e-book>. Acesso em: 13 de abr de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Governo federal lança caderneta do SUS para pessoas com doenças raras

“O governo federal lançou nesta quinta-feira (3) a caderneta do Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas com doenças raras. Estima-se, de acordo com o Ministério da Saúde, que há cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil com alguma condição rara de saúde. Em todo o mundo, são cerca de 300 milhões de raros e cerca de 6 mil a 8 mil tipos de doenças diferentes conhecidas. As doenças raras são caracterizadas como condições de saúde, geralmente crônicas, de baixa prevalência na população. A Caderneta do Raro, como foi batizada, serve para orientar pacientes e familiares que buscam atendimento especializado no SUS. Segundo o Ministério da Saúde, além de trazer os principais sinais e alertas que podem indicar a existência de uma doença rara, o documento traz informações sobre tratamentos e dicas para uma vida mais saudável.”

Para ler o texto na íntegra acesse: https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2022/03/03/interna_nacional,1349847/governo-federal-lanca-caderneta-do-sus-para-pessoas-com-doencas-raras.shtml

Obrigada por me acompanhar até aqui.  E para saber mais sobre a ODAPP acesse: http://www.odapp.org.

Referências

AGÊNCIA BRASIL. Governo federal lança caderneta do SUS para pessoas com doenças raras. 03 de fev de 2022. Disponível em: < https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2022/03/03/interna_nacional,1349847/governo-federal-lanca-caderneta-do-sus-para-pessoas-com-doencas-raras.shtml&gt;. Acesso em 07 de fev de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

STJ adia julgamento sobre cobertura dos planos de Saúde

“O julgamento sobre a cobertura dos planos de saúde para procedimentos listados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi suspenso, mais uma vez, na tarde desta quarta-feira (23/2). A apreciação do caso terminou empatada e foi adiada após pedido de vistas (mais tempo para analisar o tema) do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Ainda não há data para ser retomada. Na ação, os ministros devem decidir se a cobertura dos planos deve ser exemplificativa ou taxativa, ou seja, se as operadoras podem ou não ser obrigadas a cobrir procedimentos não incluídos na lista da ANS, conhecida como rol(..)”.

Para esclarecer melhor o assunto em questão, a lista de Rol de procedimentos da ANS consiste em uma lista de exames, procedimentos e tratamentos que possuem cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Diante disso se o rol for taxativo implica em uma lista pré-definida pela Agência Reguladora, ou seja mesmo que o médico indique algum exame ou procedimento o plano de saúde não tem a obrigatoriedade de cobrir. Já o rol exemplificativo consiste em uma lista de procedimentos mínimos obrigatórios, o que significa que a mesma fica em aberto para a inserção de novos procedimentos.

É por isso que profissionais da área da saúde, pais e familiares de crianças e pessoas com TEA se mobilizaram nas redes sociais, visto que lutam pelos seus direitos e pelos melhores tratamentos possíveis.

Para ler o texto na íntegra acesse: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/02/4987831-stj-adia-julgamento-que-pode-mudar-na-cobertura-dos-planos-de-saude.html

Referências

PATRIOLINO, Luana. STJ adia julgamento que pode mudar cobertura dos planos de saúde. Brasília, 23 de fev de 2022. Disponível em: < https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/02/4987831-stj-adia-julgamento-que-pode-mudar-na-cobertura-dos-planos-de-saude.html > Acesso em: 23 de fev de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Inclusão da Escala M-CHAT-R/F na nova versão da caderneta da criança

A escala M-CHAT-R/F é um instrumento utilizado para auxiliar a identificação de pacientes com idade entre 16 e 30 meses com possível Transtorno do Espectro do autismo. O instrumento pode ser utilizado por qualquer profissional da área da saúde, e é de rápida aplicação. O mesmo pode ser respondido pelos cuidadores e pais da criança durante a consulta. Segundo a Lei nº 13.438, de 26 de abril de 2017, a avaliação pela M-CHAT-R é obrigatória para crianças em consultas pediátricas de acompanhamento realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Já a caderneta da criança, é um instrumento que auxilia no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, sendo assim todo cidadão tem direito a receber um exemplar no momento do seu nascimento. A mesma contém o desenvolvimento afetivo, cognitivo e de linguagem, bem como os marcos de desenvolvimento neuropsicomotor. Vale ressaltar que informações como vacinas, alimentação saudável e aleitamento materno também estão contidas na caderneta a fim de proteger a saúde da criança.

Com isso, na 3ª edição da Caderneta da Criança, ocorrerá a inclusão da escala M-CHAT-R/F, que, como já citado, auxilia na identificação de pacientes com idade entre 16 e 30 meses com possível Transtorno do Espectro do autismo. Portanto, a partir de março, a versão impressa desta 3ª edição chegará ao DF e aos demais estados de todo o Brasil, tendo em vista que a remessa a ser enviada será de aproximadamente 10 milhões de cadernetas.

Vale ressaltar que na Odapp (www.odapp.org) o profissional pode cadastrar a escala M-CHAT-R/F e registrar as respostas obtidas, sendo assim, na web, o profissional cria a escala e no aplicativo do celular o mesmo coleta os dados. Confira a seguir um breve exemplo da escala M-CHAT-R/F dentro do aplicativo:

Gostou dessa informação? Não deixe de acompanhar os próximos conteúdos e até mais.

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde – Governo Federal. Nova versão da Caderneta da Criança será enviada para todo o Brasil. Brasília, 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Autismo em Idosos

Você já observou que pouco se fala em autismo em idosos? Isso acontece, porque na década de 50 o autismo era visto como um sintoma da esquizofrenia, por isso muitas pessoas que são idosas hoje, em sua infância, adolescência e juventude foram diagnosticadas de modo equivocado.

Então podemos nos perguntar: “onde estão os idosos com Transtorno do Espectro do Autismo agora? será que a vida inteira foram vistos como doentes mentais e não tiveram o tratamento adequado?” É possível ir além e questionar que muitos por possuírem um comportamento considerado agressivo, viveram em prisões, nas ruas e em locais de segregação social ao invés de serem tratados e incluídos.

“Geralmente, adolescentes e adultos com transtorno do espectro autista são propensos a ansiedade e depressão. Apesar de ser um espectro amplo, diverso e particular com características singulares para cada indivíduo, o transtorno do espectro autista possui um grande impacto em crianças, família, comunidade e sociedade” (APA, 2014 apud CAVALCANTE et.al, 2021).

A transição que ocorre da adolescência para a fase adulta é repleta de desafios e inúmeras possibilidades para qualquer indivíduo, sobretudo para aqueles com TEA, devido às suas particularidades, por isso o sucesso dessa transição não depende apenas do nível de funcionalidade e autonomia, mas também das redes de apoio existentes para apoiar tais pessoas. De acordo com Vicente e Rasga (2017), os serviços disponíveis para o tratamento do TEA tendem a aumentar, tendo em vista que há algumas décadas o autismo recebia menos atenção das comunidades e da área da educação se comparado a hoje e que muito adultos e idosos ficavam sem registros e diagnósticos corretos

As mesmas autoras destacam que na fase adulta não existe uma resposta adequada dos serviços sociais, pois a partir do momento em que a pessoa sai da escola espera-se que a mesma encontre soluções para se desenvolver e tenha capacidade de executar determinada ocupação na sociedade. No entanto isto muitas vezes não ocorre devido à falta de um ensino superior adaptado ou de um emprego protegido, embora há sim instituições e empresas que prezam pelos direitos e proteção de adultos com TEA.

Hendricks e Wehman (apud Rosa 2015), corroboram essa questão em suas pesquisas relacionadas à transição do período escolar para a vida adulta em pessoas com TEA, pois em seus resultados apresentaram que apesar da existência de políticas públicas para a implementação de planos de transição para a vida adulta, os alunos com TEA, em sua grande maioria, não recebem, ou receberam serviços de apoio necessários para a realização desta transição. Com isso podemos indagar: “Como os idosos possuem qualidade de vida e tratamento adequado se na transição da fase escolar para a fase adulta não possuem necessariamente os apoios e os cuidados necessários?”.

Por isso, é importante pensarmos no hoje e no agora, pois as pessoas com TEA hoje, serão os idosos de amanhã. Atualmente, em 2022 temos um diagnóstico mais preciso e correto devido ao avanço da ciência e dos estudos, diante disso é possível uma melhor qualidade de vida e um tratamento a longo prazo para tais pessoas.

E para que tudo isso possa acontecer de maneira prática e eficiente, temos a ODAPP, que é uma plataforma de gestão terapêutica completa que auxilia o profissional da saúde em seus atendimentos. Para saber mais acesse: www.odapp.org.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Até a próxima semana!

Referências

CAVALCANTE, Juliana Lima et.al. Qualidade de vida de autistas idosos: uma revisão narrativa. Ciência em Movimento – Educação e Direitos Humanos, v. 23, n. 46, p.  65-73, 2021.

KWANT, Fátima de. Idosos autistas. Holanda, 23 de out de 2019. Instagram: @fatimadekwant.  Disponível em: <https://www.instagram.com/p/B39a3Z_FHNk/&gt;. Acesso em: 13 de jan de 2022.

ROSA, Fernanda Duarte. Autistas em idade adulta e seus familiares : recursos disponíveis e demandas da vida cotidiana. Tese (Doutorado). Universidade Federal de São Carlos, 2015.

VICENTE, Astrid M.; RASGA, Célia. O que acontece quando as crianças com autismo crescem? Um estudo exploratório. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Lisboa, Portugal. Ed.especial 9,n.5,p.24-28, 2017.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Mitos e Verdades sobre o autismo

Existem diversos mitos com relação ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e embora seja um assunto que tem-se ouvido de modo mais frequente nos últimos anos, ainda é propagado e entendido de forma errônea. “Apesar dos avanços científicos na compreensão do autismo e das atualizações em documentos que trazem a sintomatologia do Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais V (DSM-V), da  American Psychiatric Association – APA (2014) e a Classificação Internacional de Transtornos Mentais e de Comportamento 11 (CID-11), da World Health Organization (2018), ainda há grande falta de entendimento sobre o que é autismo e quais são características específicas do modo de ser e de viver de pessoas com TEA” (LEMOS SHAW, Gisele Soares; LEANDRO, Leonésia  e  ROCHA-OLIVEIRA, Rafaela, 2021).

O TEA é um transtorno do Neurodesenvolvimento que é caracterizado pelas dificuldades que o indivíduo tem na interação social, na comunicação e pelo padrão restrito e repetitivo de comportamentos. A classificação desse transtorno sofreu várias alterações durante os anos gerando grande confusão. Por isso vamos citar alguns mitos propagados e explicar as verdades por trás dos mesmos.

Mito 1- A frieza e a falta de amor da mãe causa o autismo

Esse mito permanece até os dias de hoje e teve início com o psiquiatra Leo Kanner, em 1940, que criou o conceito das “mães geladeiras”. O mesmo afirmou que as crianças vivam em seu “mundo particular”, sem interação com as outras, devido à postura fria que suas mães possuíam. No entanto, posteriormente, o cientista fez publicamente uma autocrítica, compreendendo que essas mães, possivelmente, se relacionavam com maior distanciamento de seus filhos porque estes não conseguiam corresponder efetivamente a elas.

Mito 2- Todo autista é igual

Como citado anteriormente, a classificação do TEA gerou muita confusão com relação às nomenclaturas e até mesmo com relação ao próprio diagnóstico. Por isso é importante entender, de modo breve, a história.

Em 1952, o Manual diagnóstico estatístico de saúde mental (DSM) apresentava o autismo como sendo sintoma da esquizofrenia.  Já 1980, com o DSM 3, houve a separação desses transtornos, ou seja crianças que falavam sozinhas não eram vistas como aquelas que tinham alucinações, mas sim aquelas que possuíam ecolalia (repetição daquilo que a própria criança diz ou daquilo que falam).

Posteriormente, com o DSM 4, o autismo era definido pela tríade de dificuldades na  socialização, comunicação e interesses restritos e estereotipado e poderia ser classificado como Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Síndrome de Asperger, entre outras várias possibilidades.

Em 2013, com o DSM 5, a versão mais atual do DSM, essas várias possibilidades de classificação diagnóstica foram eliminadas, passando a possuir uma única termologia: Transtorno do Espectro Autista, dividido em nível I (necessita de apoio), nível II (necessita de apoio substancial) e nível III (necessita de apoio muito substancial).

Com isso, a eliminação das classificações não faz com que as pessoas com o transtorno do Espectro Autista sejam todas iguais, o diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado, especializado na área, para identificar o transtorno e sobretudo os níveis de apoio, para que o tratamento seja feito de forma individualizada, Vale ressaltar que cada sujeito é único e generalizar o tratamento não contribui para o seu real desenvolvimento.

Mito 3- As classificações do autismo se dividem em: Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e Síndrome de Asperger

Mesmo já tendo sido explicado acima, é importante enfatizar essa questão da nomenclatura, porque muitas pessoas e profissionais ainda utilizam as nomenclaturas antigas. Atualmente o termo utilizado é “Transtorno do Espectro Autista”, pelo DSM 5 e pelo CID 11(código internacional de doenças), “Transtorno do Espectro do Autismo”.

Diante disso, a Síndrome de Asperger, termo comumente utilizado,não é mais um diagnóstico possível, porque todas as pessoas que têm dificuldades de interação social e comunicação ou interesses restritos e estereotipados são classificadas como pessoas com TEA.

A mudança da classificação se justifica, porque nos Estados Unidos o tratamento é financiado pelo governo, e todos os detalhes são elementos usados para não disponibilizar o tratamento de forma gratuita ou a inclusão do sujeito em um plano de saúde. Diante disso, o diagnóstico de Síndrome de Asperger não cobria os mesmos direitos contidos no diagnóstico de autismo.

Mito 4 – Drogas e Vacinas causam o autismo

Assim como o mito das “mães geladeiras”, é errado pensar que as causas do autismo se dão devido ao uso de drogas e vacinas. O uso da primeira sem dúvida tem seus efeitos, porém não tem nenhuma relação com o transtorno citado, já o uso da segunda também em nada se relaciona. Foi comprovado que as causas são hereditárias, unicamente genéticas, e o que encontram-se são fatores de risco como: Prematuridade, idade avançada da mãe, diabetes gestacional etc.

Mito 5- Como o autismo não tem cura, não tem nada que se possa fazer

Muitos acreditam que pelo o autismo ser um transtorno e não possuir “cura” nada deve ser feito. Pelo contrário o tratamento do TEA é de extrema importância para o desenvolvimento do indivíduo. Todos possuem suas potencialidades, sobretudo pessoas com o Transtorno do Espectro autista. É fundamental que os familiares procurem profissionais capacitados para a realização desse processo e não negligenciem o crescimento dos mesmos.

No Brasil, existem profissionais e empresas qualificadas para o auxílio de pessoas com TEA e a ODAPP, é um exemplo. A empresa conta com uma gestão completa de terapias em crianças com autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento através de um software web e um aplicativo para coleta de dados. Para saber mais acesse: www.odapp.org.

Rebeca Collyer dos SantosEditora Chefe
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), e como Customer Success na empresa Odapp Autismo

Projeto “Hora do silêncio” : Iniciativa que busca trazer inclusão para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Foto por Gustavo Fring em Pexels.com

Como muitos já sabem, a hipersensibilidade (quando a pessoa percebe os estímulos do ambiente de maneira mais intensa) e a hiposensibildade (quando a pessoa busca por mais estímulos no ambiente) são características de pessoas com TEA. Existem diferentes tipos de hipersensibilidade, sendo elas: visual, sensorial, auditiva, olfativa e oral.

Quem convive com pessoas com o TEA, sabe o quão bom seria se todos entendessem e respeitassem as necessidades das mesmas. Por isso na cidade de Rio Claro (SP), na qual existem aproximadamente 2000 autistas, a prefeitura em parceria com o “Instituto Incluir”, criou o projeto “Hora do silêncio”. A implementação do mesmo foi realizada em um supermercado da cidade.

Por uma hora a luz e o som do ambiente são reduzidos, a fim de proporcionar a inclusão de pessoas com TEA, de modo que ocupem espaços na sociedade de maneira igualitária. É importante citar também que os funcionários desse supermercado, foram orientados e treinados para receber essas pessoas, com o objetivo de criar uma experiência mais agradável possível.

Para saber mais assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=s3H_iCzYJLU

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos.
Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), e como Customer Success na empresa Odapp Autismo

“O que é inclusivismo? A criança com deficiência é colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência”

“O que é inclusivismo? A criança com deficiência é colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia, ela ‘atrapalhava’ — entre aspas, essa palavra eu falo com muito cuidado – ela atrapalhava o aprendizado dos outros, porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela, atenção especial”, declarou o ministro em entrevista ao programa ‘Sem Censura’, da TV Brasil, na última segunda-feira (9/8).

Fonte: Correio Brazilience