ABA e o Autismo

O que é ABA?

Certamente se você recebeu o diagnóstico do seu pequeno, já deve ter ouvido falar sobre a Análise do comportamento Aplicada, seja por orientação médica/profissional ou por ter pesquisado sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Caso você ainda não tenha ouvido falar, não tem problema, este texto será uma oportunidade de conhecimento a respeito do tema.

A sigla ABA é utilizada para referir-se à Análise do Comportamento Aplicada (em inglês: Applied Behavior Analysis).  De acordo com Hübner (2019), ABA é uma ciência complexa derivada do behaviorismo de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). É uma abordagem baseada em evidências científicas, utilizada mundialmente, e foi originada nos EUA, na década de 60.  Sabe-se que não foi desenvolvida unicamente para o tratamento do Transtorno do Espetro do Autismo, porém, atualmente, há grandes resultados nessas área, por ensinar habilidades, reduzir os comportamentos repetitivos e estereotipados e por funcionar de modo intensivo e sistemático.

Características da Terapia baseada em ABA

As características gerais de uma intervenção baseada na ABA, envolvem alguns pontos importantes, como: a identificação de comportamentos e habilidades que precisam ser melhorados, seleção e descrição dos objetivos, e delineamento de uma intervenção que envolva as estratégias comprovadamente efetivas para modificar determinados comportamentos. O objetivo é que os comportamentos aprendidos e modificados sejam generalizados para diversas áreas da vida do indivíduo (Camargo & Rispoli, 2013; Cartagenes et al., 2016; Fisher & Piazza, 2015).

Para que isso ocorra, o profissional deve realizar manejos comportamentais que são necessários para o desenvolvimento da criança, como criar diferentes maneiras de brincar com os brinquedos, elogiar, imitar e reproduzir o comportamento da criança (Shillingsburg, Hansen, & Wrigth, 2018). Os comportamentos alvos devem ser medidos e constantemente definidos. Deve-se aumentar a motivação por meio de fornecimento variado de reforços (seja algum brinquedo, objeto que a criança goste ou elogios). É necessário também: fornecer instruções claras e diretas, identificar e usar instruções efetivas, reforçar toda vez que a criança se aproximar do comportamento-alvo (modelação), buscar respostas simples em comportamentos mais complexos e, por fim, usar métodos explícitos para a promoção da generalização e a manutenção dos comportamentos, em que os comportamentos alvos sejam reproduzidos em vários contextos da vida da criança (Fisher & Piazza, 2015).

Além disso, a ABA caracteriza-se por realizar uma coleta de dados antes, durante e depois da intervenção. O acompanhamento dessas informações tem como objetivo analisar o progresso individual da criança, bem como auxiliar na tomada de decisões em relação aos programas de intervenção e as possíveis estratégias.

Quais profissionais podem aplicar/trabalhar com a ABA?

Normalmente os psicólogos que trabalham com a Psicoterapia Comportamental realizam a intervenção em ABA, entretanto outros profissionais como fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais que possuem formação e especialização em ABA também podem utiliza-la.

Considerações finais

Para o tratamento de crianças com TEA, procure sempre profissionais qualificados, sobretudo com qualificação em ABA, pois é a ciência que traz melhores resultados.

Se você trabalha com ABA e realiza a coleta de dados durante a intervenção, bem como elabora planos terapêuticos e programas, acesse www.odapp.org e conheça a praticidade em suas mãos.

Obrigada por me acompanhar até aqui!

Referências

GAIATO, Mayra. ABA e os profissionais que podem usar. 2019 (04:23). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=m2Gd2DwgRps >.    Acesso em: 24 de mai de 2022.

MACIEL, Islaine. Análise do Comportamento auxilia no tratamento de TEA. Jul de 2019. Disponível em: < https://sites.usp.br/psicousp/analise-do-comportamento-auxilia-no-tratamento-de-tea/#:~:text=Em%20entrevista%20a%20professora%20do,%2C%20na%20d%C3%A9cada%20de%2060%E2%80%9D >.  Acesso em: 23 de mai de 2022.

SOUSA, Deborah Luiza Dias de et al. Análise do comportamento aplicada: a percepção de pais e profissionais acerca do tratamento em crianças com espectro autista. Contextos Clínic,  São Leopoldo ,  v. 13, n. 1, p. 105-124, abr.  2020 . Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822020000100007#:~:text=Os%20resultados%20mostram%20que%20a,os%20comportamentos%20repetitivos%20e%20estereotipias.>. Acesso em: 23 de mai de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Semana da Conscientização do Autismo da ODAPP, o que aconteceu?

Dia 2 de abril comemora-se o dia Mundial da Conscientização do Autismo, por isso todo ano muitas empresas, profissionais e famílias costumam organizar a semana e/ou o mês de Conscientização do Autismo. Neste ano de 2022, nós, da Odapp Autismo, realizamos a nossa Semana da Conscientização.

Do dia 31 de março ao dia 8 de abril, diversos profissionais abordaram diferentes aspectos relacionados ao Autismo, pois a temática deste ano foi Interdisciplinaridade. Os convidados foram profissionais das mais diversas áreas, de diversos Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de Aveiro (Portugal). Todos proporcionaram experiências únicas, transmitindo conhecimento para toda a comunidade autista. O evento contou com Lives e exposições artísticas.

Dia 31 de março as profissionais Rahissa Mafra e Bruna Bezzeril deram início ao evento, sendo que a primeira, às 19 horas, abordou sobre Autismo na Infância e na Adolescência e a segunda, às 20 horas, em parceria com a Rádio Ame os Raros, abordou sobre Terapias Comportamentais na Vida de Crianças com TEA.

No dia 01 de abril, a convidada foi a Psicóloga Marina Almeida que, às 18:30, falou a respeito do Desenvolvimento Psicossexual das Pessoas Autistas e durante a Live a participante deixou várias indicações de livros: Jogo de cartas Conversinha Teens-livraria Florence; Série Descobertas Maria está menstruada; Maria aprende sobre intimidade;João aprende intimidade – Amazon ou na Carlos livraria; Sexuality and severe Autism autora Kate Reynolds- Amazon; Falando com seu filho sobre sexo – Summus Editora; Sexo e Adolescência- Editora Atica; Série Coisas da Vida – Editora Artemed; Enquanto isso no mundo do autismo -Editora Memnon; Uma vivência de Amor- Êxitos Scipione.

Já no dia 02 de abril, dia da Conscientização Mundial do Autismo, contamos com a presença da Neuropsicóloga Leticia Segretti, que, às 20 horas, em parceria com a Rádio Ame os Raros,abordou o tema Avaliação do Autismo.

No 04 de abril ocorreram duas Lives, a primeira, às 18 horas, com a Terapeuta ABA Raquel Nunes, de Portugal, e a segunda, às 20 horas, com o Ph.D Lucelmo Lacerda. Na primeira Live o tema abordado foi Intervenção Precoce no TEA. Já na segunda, que ocorreu em parceria com a Rádio Ame os Raros, o tema trabalhado foi A Atuação do Analista do Comportamento e do Acompanhante Terapêutico no Cuidado de Crianças com TEA: Atualidade e Tendência.

Em continuidade ao evento, no dia 05 de abril, o convidado foi o Psicólogo Matheus Alves que transmitiu seu conhecimento a respeito das Habilidades Sociais no TEA.

Já no dia 06 de abril, às 18 horas, a Psicóloga e Acompanhante Terapêutica, Débora Guerra falou sobre a Importância do Acompanhante Terapêutico no Tratamento de Pessoas com TEA. No mesmo dia, às 20:30, Rodrigo Tramonte, Autista, Cartunista e escritor, falou sobre O Lado Sério do Autismo, explicando sobre suas vivências, dificuldades, facilidades e sobre seus trabalhos profissionais.

No penúltimo dia do evento, 07 de abril, a convidada, Fisioterapeuta e Analista de Negócios, Tatiana Sanches, explicou sobre a Regulamentação nas Operadoras de Saúde, esclarecendo a respeito do papel das mesmas, da forma de atuação e sobre a regulamentação que seguem.

Por fim, a profissional, Psicopedagoga Núbia Rosetti, no dia 08 de abril, abordou sobre  Modelos cognitivos no TEA. Nesta Live a convidada falou sobre os Modelos Cognitivos, sobre estratégias pedagógicas, assim como questões referentes ao processo de aprendizagem.

É importante enfatizar que durante todo o período do evento, todos os dias às 12 horas, ocorreu a exposição de talentos do artista Lucas, que através das suas obras, Guaxinim TEA, sempre aborda aspectos concernentes ao Autismo e sobretudo sobre ele mesmo.

Se você não assistiu as Lives, todas ficaram gravadas no instagram da Odapp e também no instragram da Rádio Ame os Raros. A seguir os links para que você possa acompanhar e aprender com cada uma delas:

Rahissa Mafra

Bruna Bezerril

Marina Almeida

Leticia Segretti

Raquel Nunes

Lucelmo Lacerda

Matheus Alves

Débora Guerra

Rodrigo Tramonte

Tatiana Sanches

Nubia Rosetti

Lucas Cartunista

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Teoria da mente e o TEA

Muitas pessoas pensam e até mesmo afirmam que pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não possuem empatia e que não são capazes de amar. Neste texto irei explicar e desmistificar esse pensamento. Não é verdadeiro falar que pessoas com TEA não são empáticas, é até perigoso, pois cria-se um rótulo e uma falsa ideia dos seres humanos tão únicos que realmente são.

Cada ser humano tem sua subjetividade e isso não é diferente com pessoas com TEA, o que ocorre pode ser explicado pela teoria da mente que você irá entender agora.

Teoria da mente

“A expressão “Teoria da mente” (ToM) deriva de um prestigiado artigo publicado na década de setenta por um primatologista e um psicólogo, Premack e Woodruff, cujo título questionava se, a exemplo dos seres humanos, os chimpanzés também teriam uma “Teoria da mente” (1978).” (TONELLI, 2011). Esse termo refere-se a capacidade de um indivíduo compreender os estados mentais do outro (LIMA, 2019).

Atualmente o estudo da Teoria da Mente se estendeu para outros transtornos como a esquizofrenia e o transtorno bipolar, para a melhoria dos quadros e para a possibilidade de desenvolvimento de estratégias de prevenção e de tratamento das mesmas.

Relação da Teoria da Mente com o Autismo

O que acontece é que em pessoas com TEA há uma diferença no processamento cognitivo da Teoria da Mente, sendo assim podem ter uma incapacidade de inferir os estados mentais dos outros. Segundo (Frith & Happé, 1999) os mesmos podem apresentar empobrecimento no processamento de emoções, no reconhecimento das expressões faciais, do controle do olhar, do uso da linguagem pragmática (metáfora e ironia), da capacidade de imitação, do uso de gestos, e do reconhecimento de pensamentos e sentimentos de si mesmos e de outras pessoas. É possível observar a questão da teoria da mente em autistas a partir da escassez de jogos de faz-de-conta e na dificuldade em usar e entender termos associados a estados mentais.

Marcos do desenvolvimento infantil

Desde o segundo ano de vida:  o indivíduo tem a capacidade de atribuir estados mentais a outros já estariam em ação.

Entre dois e três anos: indivíduo tem a habilidade de interpretar desejos e emoções estaria instalada.

Aos quatro anos de idade: idade em que aparece o entendimento da noção de crenças e outros estados epistêmicos mais elaborados, mas a evolução da teoria da mente não se encerra nesse momento.

Após os quatro anos: surgem a compreensão mais sofisticada da ambiguidade e da ironia, o reconhecimento dos traços de personalidade alheios, o uso da intencionalidade para realizar julgamentos morais e o refinamento da capacidade de interpretar.

Considerações finais

Em pessoas com TEA esses marcos não ocorrem dessa maneira, diante disto a teoria da mente se compromete. De modo resumido, podemos observar que a teoria da mente é muito importante na vida de qualquer pessoa e quando há algum déficit, áreas do desenvolvimento mental podem ser afetadas. Em pessoas com TEA, portanto, a sociabilidade é uma área bastante afetada.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Se você é um profissional da saúde ou possui clínica e quer saber mais sobre a ODAPP acesse: www.odapp.org.

Referências

LIMA, Rossano Cabral. Investigando o autismo: teoria da mente e a alternativa fenomenológica. Rev. NUFEN, Belém,  v. 11, n. 1, p. 194-214, 2019. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175-25912019000100013 >. Acesso em: 24 de mar de 2022.

Teoria da Mente e autismo: qual a relação? Instituto de Psiquiatria PR, Paraná, 27 de jul de 2020. Disponível em: < http://institutodepsiquiatriapr.com.br/teoria-da-mente-e-autismo-qual-a-relacao/ >. Acesso em: 25 de mar de 2022.

Tonelli, Hélio. Autismo, teoria da mente e o papel da cegueira mental na compreensão de transtornos psiquiátricos. Psicologia: Reflexão e Crítica [online]. v. 24, n. 1.p. 126-134, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/prc/a/kQDx4WZqCRD9FwChDkdnH3m/?lang=pt# >. Acesso em: 24 de mar de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Exoma ou Array, qual exame genético é mais indicado para o Transtorno do Espectro do Autismo?

No Brasil pouco se fala sobre exames genéticos e laboratoriais a respeito de transtornos do neurodesenvolvimento, por isso é de extrema importância valorizarmos os estudos que são realizados na área. A seguir citarei a respeito de um artigo publicado pela bióloga Graciela Pignatari.

Com o objetivo de comparar o exame de microarranjo genômico (CGH-array ou SNP-array) com o exame de sequenciamento do Axoma, 12 revisores compostos por neuropediatras, aconselhadores genéticos, especialistas em comportamento e geneticistas clínicos e laboratoriais se reuniram para realizar uma meta-análise a fim de analisar o impacto de tais exames no gerenciamento clínico dos pacientes com TEA, deficiência intelectual e Transtornos do neurodesenvolvimento.  Vale ressaltar que o CGH/SNP-array, foi o primeiro teste sugerido para crianças com transtorno do neurodesenvolvimento.

Para tal estudo, os profissionais tiveram como base artigos científicos que foram publicados entre 01 de janeiro de 2014 a 29 de junho de 2018. Ao analisarem cada um deles, chegaram à seleção de 30 artigos mundiais de trabalhos realizados na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia e no Oriente Médio.

Dentre os 30 artigos, 21 foram exclusivamente para transtornos do neurodesenvolvimento e nove, além dos transtornos do neurodesenvolvimento, foram também para casos clínicos específicos como por exemplo neutropenia, microcefalia, ou síndrome Coffin-Siris.

Após analisarem os artigos foi possível concluir que o rendimento do exame de sequenciamento completo do Exoma foi, no geral, em torno de 36%, sendo 53% para os transtornos do neurodesenvolvimento associados a outras condições e 31% para transtorno do neurodesenvolvimento isolado. Já no exame de microarranjo genômico (CGH/SNP-array), o rendimento foi de 15-20%. Com relação ao Transtorno do Espectro do Autismo, em específico, foi visto que O TEA sem comorbidades teve o rendimento de 16%, o TEA associado a deficiência intelectual heterogênea de 37% e o TEA associado a deficiência intelectual primária de 39%.

Com base na análise, conclui-se que, em alguns casos, o exame do sequenciamento do Exoma seria mais indicado que o exame do microarranjo genômico, como nos casos de pacientes com transtorno do neurodesenvolvimento, sobretudo para aqueles com TEA e com deficiência intelectual. Com isso para escolher um exame genético apropriado é necessário o conhecimento clínico do paciente.

Referências

PAIVA JUNIOR, Francisco. Qual exame genético é mais indicado, exoma ou array?. Tismoo. São Paulo, 13 de jan de 2022. Disponível em: < https://tismoo.us/ciencia/qual-exame-genetico-e-mais-indicado-exoma-ou-array/?utm_campaign=newsletter_14jan2022&utm_medium=email&utm_source=RD+Station&gt; Acesso em: 01 de fev de 2022.

PIGNATARI, Graciela. Mapeamento genético- Qual exame genético é mais útil, exoma ou array?. Canal autismo, 2022. Disponível em:< https://www.canalautismo.com.br/artigos/mapeamento-genetico-qual-exame-genetico-e-mais-util-exoma-ou-array/&gt; Acesso em: 02 de fev de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

CID 11 – O que mudou referente ao autismo?

A CID 11 é a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. O documento é utilizado por profissionais da área da saúde para identificar estatísticas e tendências de saúde em todo o mundo. É composto por cerca de 55 mil códigos únicos para doenças, lesões, e causas de morte. Com isso é importante ressaltar que profissionais como psicólogos, psiquiatras e outros, relacionados a área da saúde mental, utilizam em sua prática clínica o CID, que agora será o 11, e o DSM 5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

A partir deste mês de janeiro a CID 11 entra em vigor e é de extrema importância conhecer as modificações com relação ao autismo para a efetiva aplicação. Vamos analisar as diferenças?

Classificação de autismo na CID 10:

F84– Transtornos globais do desenvolvimento (TGD);

F84.0– Autismo infantil;

F84.1– Autismo atípico;

F84.2– Síndrome de Rett;

F84.3– Outro transtorno desintegrativo da infância;

F84.4– Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados;

F84.5– Síndrome de Asperger;

F84.8– Outros transtornos globais do desenvolvimento;

F84.9– Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

Classificação de autismo na CID 11:

6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

6A02.0 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

6A02.1 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

6A02.2 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

6A02.3 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

6A02.4 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

6A02.5 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

6A02.Y – Outro Transtorno do Espectro do Autismo especificado;

6A02.Z – Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado.

Diante das classificações apresentadas, percebe-se que na CID 11, a Síndrome de Asperger já não se faz presente nas divisões e que assim como no DSM 5, encontra-se presente dentro do Espectro e não mais separado dele. (Para entender o porquê a Síndrome de Asperger deixou de existir no DSM5: https://observatoriodoautista.com.br/2021/11/09/mitos-e-verdades-sobre-o-autismo).É possível perceber também que,  na CID 11, as classificações têm como foco perceber a deficiência intelectual e o prejuízo na linguagem.

Ressalto aqui, mais uma vez, a importância do tratamento com um profissional qualificado na área, a fim de que os resultados sejam efetivos e para que um novo laudo, com as devidas mudanças, possa ser realizado.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Até a próxima semana!

Referências

Assembleia Mundial da Saúde aprova revisão de classificação internacional de doenças. Nações Unidas Brasil, 2021. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/83259-assembleia-mundial-da-saude-aprova-revisao-de-classificacao-internacional-de-doencas&gt;.  Acesso em: 05 de jan de 2022.

CID-11 unifica Transtorno do Espectro do Autismo no código 6A02.Tismoo,2022.Disponível em: <https://tismoo.us/destaques/cid11-unifica-transtorno-do-espectro-do-autismo-no-codigo-6a02/>. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). World Health Organization, 2022. Disponível em: < https://www.who.int/classifications/classification-of-diseases&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Confira a CID-11, disponibilizada pela OMS. Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, 2022.Disponível em: < https://sbmn.org.br/confira-a-cid-11-disponibilizada-pela-oms/&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

SANTOS, Rebeca Collyer dos. Mitos e Verdades sobre o Autismo. Observatório do Autista, 9 de nov de 2021. Disponível em: <https://observatoriodoautista.com.br/2021/11/09/mitos-e-verdades-sobre-o-autismo/&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

A importância da musicoterapia para pessoas com transtorno do espectro do autismo

Conforme já foi esclarecido aqui no blog, existem diversos mitos sobre o transtorno do Espectro do autismo (TEA), que são propagados e tidos como verdadeiros. Diante disso que tal direcionarmos nosso olhar para fatos baseados em evidências científicas, sobretudo na neurociência?

Vários estudos mostram a existência de diversas alterações no sistema nervoso central que poderiam explicar o TEA e as alterações referentes à interação social, comunicação e comportamento. Diante desses variados estudos exponho os de Damásio e Maurer, citados por SCHARTZMAN (2011) e SAMPAIO, R. T. et al (2015) que afirmaram que haveriam alterações fisiológicas e/ou anatômicas em várias regiões do sistema nervoso, tais como na área entorrinal, giro do cíngulo, giro para-hipocampal, área perrinial, regiões subicular e pré-subicular. Estas alterações foram verificadas a partir da comparação de comportamentos encontrados em pessoas com TEA e em adultos com lesões corticais adquiridas.

Outro estudo que apresento é o de SCHARTZMAN, citado por SAMPAIO, R. T. et al (2015), que em suas pesquisas sobre a teoria da mente em pessoas com TEA verificou alterações no córtex-orbito-frontal, no corpo amigdalóide e nos lobos temporais. Vale ressaltar que a teoria da mente é a capacidade que uma pessoa tem para fazer inferências sobre os estados mentais de outras pessoas, como compreender comportamentos e sentimentos (BOSA e CALLIAS, 2000).

Posso citar inúmeros estudos, porém faço apenas um recorte para uma breve compreensão a respeito do tema, pois é importante entender determinadas alterações para compreender a importância da musicoterapia.

Falar a respeito de música é falar de expressão social, cultural, emocional e religiosa. A mesma encontra-se presente em todas as culturas e simboliza histórias, experiências e entretenimento. A música possui a capacidade de gerar emoções e de mobilizar processos cognitivos complexos como a memória, o controle de impulso, a atenção, a execução e o controle de ações motoras. A partir de estudos foi possível observar também que tanto canções quanto músicas instrumentais são capazes de gerar ativações no hipocampo, na amígdala, na ínsula e em outras regiões cerebrais (OMAR et al., 2011 apud SAMPAIO, R. T. et al, 2015).

A musicoterapia, portanto, é capaz de modular a atenção, a emoção, a cognição e os comportamentos do paciente, a fim de alcançar os objetivos clínicos, elaborados de modo individual para cada sujeito. Vale ressaltar que, no processo terapêutico da musicoterapia, os resultados não dependem somente do estímulo musical, mas também da relação estabelecida entre o profissional e o paciente.

Com isso, um dos objetivos que podem ser trabalhados com pessoas com o transtorno do Espectro do autismo, no processo de musicoterapia, é a atenção compartilhada, visto que é possível trabalhar os processos de comunicação e interação social a partir da manipulação de objetos.

Se você é musicoterapeuta e trabalha com pessoas com o TEA ou com outros transtornos do neurodesenvolvimento, conheça a Odapp (www.odapp.org). Uma plataforma na qual você trabalha suas avaliações, programas e planos terapêuticos de maneira mais prática.

Obrigada por me acompanharem até aqui e até a próxima semana.

Referências

BOSA, C.; CALLIAS, M. “Autismo: breve revisão de diferentes abordagens”. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2000, n.1, v.13, p.167-177.

SAMPAIO, R. T. et al. A Musicoterapia e o Transtorno do Espectro do Autismo. Per Musi. Belo Horizonte, 2015, n.32, p.137-170.

SCHWARTZMAN, J. “Neurobiologia dos Transtornos do Espectro do Autismo”. In: SCHWARTZMAN, J.; ARAUJO, C. Transtornos do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon, 2011.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Projeto “Hora do silêncio” : Iniciativa que busca trazer inclusão para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Foto por Gustavo Fring em Pexels.com

Como muitos já sabem, a hipersensibilidade (quando a pessoa percebe os estímulos do ambiente de maneira mais intensa) e a hiposensibildade (quando a pessoa busca por mais estímulos no ambiente) são características de pessoas com TEA. Existem diferentes tipos de hipersensibilidade, sendo elas: visual, sensorial, auditiva, olfativa e oral.

Quem convive com pessoas com o TEA, sabe o quão bom seria se todos entendessem e respeitassem as necessidades das mesmas. Por isso na cidade de Rio Claro (SP), na qual existem aproximadamente 2000 autistas, a prefeitura em parceria com o “Instituto Incluir”, criou o projeto “Hora do silêncio”. A implementação do mesmo foi realizada em um supermercado da cidade.

Por uma hora a luz e o som do ambiente são reduzidos, a fim de proporcionar a inclusão de pessoas com TEA, de modo que ocupem espaços na sociedade de maneira igualitária. É importante citar também que os funcionários desse supermercado, foram orientados e treinados para receber essas pessoas, com o objetivo de criar uma experiência mais agradável possível.

Para saber mais assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=s3H_iCzYJLU

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos.
Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), e como Customer Success na empresa Odapp Autismo

Novo estudo publicado (abril, 2020) recomenda 25 horas de intervenção semanal

Estudo publicado em abril com mais de 805 crianças entre 3 e 6 anos de idade com TEA no Canadá e EUA apontou que a maioria está recebendo, seis meses após seu diagnóstico, pouco mais de 5 horas de terapias semanais, e o recomendada naqueles países é de 25 horas por semana. Um terço destas crianças iniciou intervenções com terapia comportamental, a que mais tem eficácia comprovada por evidências científicas, segundo a Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente.

Um painel de especialistas organizado pela Autism Intervention Research Network on Behavioral Health recomenda pelo menos 25 horas por semana dessas terapias. Porém, entre as crianças deste novo estudo, apenas 14% delas estavam recebendo este mínimo semanal — e cerca de 47% estavam recebendo menos de 5 horas por semana. Em relação a especialidade da terapia, a divisão foi de 77% com fonoaudiólogos, 67% com terapia ocupacional e apenas 33% com terapia comportamental.

Fonte: ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32238536.

Treinamento de habilidades comportamentais implementadas pelos pais

O comprometimento das habilidades sociais é uma característica principal TEA. Pesquisas indicam que as habilidades sociais estão intimamente ligadas ao desenvolvimento social e consequências sociais negativas podem persistir se comportamentos sociais específicos não forem adquiridos. O presente estudo avaliou os efeitos do treinamento de habilidades comportamentais (BST) no ensino de quatro pais de crianças com TEA como treinadores de habilidades sociais. Um desenho de linha de base múltipla não simultânea entre as díades pai-filho foi empregado e a observação direta foi usada para avaliar o comportamento dos pais e da criança. Os resultados demonstraram melhora substancial no ensino de habilidades sociais para todos os participantes em habilidades treinadas e não treinadas. Medidas auxiliares do desempenho infantil indicaram melhora nas habilidades também. Altos níveis de respostas corretas de ensino foram mantidos em um mês de acompanhamento.

Fonte: Parent-implemented behavioral skills training of social skills. Rebecca K. Dogan et al., 2017

Análise do comportamento e autismo: marcos históricos descritos em publicações norteamericanas influentes

A análise do comportamento aplicada (ABA) ao autismo constitui-se como um domínio influente nos EUA, cuja eficácia dos procedimentos provenientes desse campo é amplamente reconhecida. O entendimento das contingências que operam nesse ambiente profissional e o conhecimento das práticas que vêm produzindo sucesso como consequência podem trazer benefícios para outros ambientes, incluindo a comunidade científica brasileira. O objetivo deste artigo é apresentar uma breve narrativa de marcos históricos e práticas descritos em leituras influentes no contexto acadêmico norte-americano, com ênfase na formação profissional e práticas aplicadas ao TEA. Questões relacionadas à evolução da área no Brasil são discutidas.

Fonte: Oda, F. (2018). Análise do comportamento e autismo: Marcos históricos descritos em publicações norteamericanas influentes. Revista Brasileira De Terapia Comportamental E Cognitiva20(3), 86-98. https://doi.org/10.31505/rbtcc.v20i3.1218