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Efeitos da atividade física em jovens com transtorno do espectro autista

Artigo de abril de 2018 apresenta resultados de um estudo que mostram um efeito moderado a grande incluindo o desenvolvimento de competências de manipulação, habilidades motoras, funcionamento social, força muscular e resistência em jovens submetidos a atividade física. Os autores concluem que a posição da atividade física como uma estratégia baseada em evidências para jovens com TEA é reforçada.

Um total de 29 estudos com 30 amostras independentes (N = 1009) foram utilizados e os resultados das meta-análises indicaram um efeito global moderado (g = 0,62). Vários desfechos indicaram efeitos de moderado a grande (g ≥ 0,5); especificamente, efeitos positivos moderados a grandes foram revelados para participantes expostos a intervenções direcionadas ao desenvolvimento de habilidades manipulativas, habilidades locomotoras, aptidão relacionada à funcionamento social, força e resistência muscular. Análises foram realizadas para explicar a variância entre os grupos; o ambiente foi a única variável subgrupo (características de intervenção) que produziu uma diferença significativa (QB = 5,67, P <0,05) entre as análises. Embora não tenham sido encontradas diferenças significativas, várias tendências foram aparentes dentro dos grupos nos quais os grupos experimentais superaram os grupos de controle.

Referência bibliográfica: Autism Res 2018, 11: 818-833. © 2018 Sociedade Internacional para Pesquisa do Autismo, Wiley Periodicals, Inc.

 

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Indivíduos com TEA têm quatro vezes mais chances de apresentar depressão em sua vida segundo estudo.

(Março, 2018) Existe uma incerteza substancial sobre a prevalência de transtornos depressivos em indivíduos com TEA. Esta meta-análise resumiu quantitativamente os estudos que avaliaram a prevalência atual de transtornos depressivos unipolares em crianças, adolescentes e adultos com TEA segundo as diretrizes do guia PRISMA. Um total de 7857 artigos foram identificados por meio de 5 bases de dados (PubMed, Web of Science, PYSCInfo, CINAHL, Dissertações e Teses da ProQuest) e dois revisores independentemente selecionaram artigos e extraíram dados. Sessenta e seis artigos preencheram os critérios de inclusão.

Os resultados indicaram que a prevalência ao longo da vida foi de 14,4% (IC 95% 10,3-19,8) e 12,3% (IC 95% 9,7-15,5), respectivamente. As taxas de transtornos depressivos foram maiores entre os estudos que usaram uma entrevista padronizada para avaliar transtornos depressivos (tempo de vida = 28,5%, IC95% 20,1–38,8; atual = 15,3%, IC95% 11,0–20,9) e exigiram que os participantes relatassem por conta própria sintomas depressivos (tempo de vida = 48,6%, IC 95% 33,3-64,2; corrente = 25,9%, IC 95% 17,0-37,3). As taxas também foram maiores em estudos que incluíram participantes com maior inteligência. A prevalência ao longo da vida, mas não atual, foi positivamente associada à idade.

Em conclusão, descobriu-se que as taxas de transtornos depressivos são altas entre os indivíduos com TEA. Em comparação com indivíduos com desenvolvimento típico, os indivíduos com TEA têm quatro vezes mais chances de apresentar depressão em sua vida. Esses resultados sugerem que indivíduos com TEA devem ser regularmente selecionados e receber tratamento para depressão.

Fonte: https://link.springer.com/article/10.1007/s10802-018-0402-1

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Quase metade dos adultos com autismo sofre de depressão

foto depressao enviada em 230318

De acordo com uma nova pesquisa publicada no Journal of Anormal Child Psychology, quase metade dos adultos com autismo sofrerá coma depressão clínica durante a vida.

A depressão tem consequências devastadoras na vida de um portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA), podendo causar perda de habilidades que já foram trabalhadas e ensinadas, maior dificuldade de realizar funções do dia-a-dia e, no pior dos casos, o suicídio. Pessoas com autismo devem ser regularmente examinadas para que não desenvolva a depressão e, se caso for diagnosticado, acessar o tratamento adequado.

Até o momento, pesquisadores não sabiam a quantidade de indivíduos autista que sofrem com a depressão. Neste novo estudo, que envolveu uma revisão sistemática de quase 8.000 artigos científicos, revela evidências claras de que a depressão é altamente identificada tanto em crianças como em adultos com TEA. Também foi possível constatar que a depressão é mais comum em indivíduos com autismo que possuem mais inteligência.

Sintomas de depressão e autismo

A depressão clínica é definida pelo Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais como é uma doença mental que muitas vezes é caracterizada por períodos prolongados de tristeza. Sintomas adicionais incluem perda de interesse em atividades, mudanças fisiológicas (por exemplo, sono, apetite), alterações na cognição (por exemplo, sentimentos de inutilidade, problemas de concentração) e pensamentos e ações suicidas.

A depressão no autismo é definida pelos mesmos critérios, mas diagnosticar e detectar a manifestação da doença em pessoas autistas é um trabalho árduo. Os próprios autistas têm problemas de identificar e externar esses sintomas. O profissional que acompanha a pessoa autista deve se atentar as mudanças de comportamento ou comparar o quadro com outro indivíduo com o nível de autismo semelhante. Outro problema que os profissionais encontram é confundir os sintomas de depressão com o autismo porque algumas manifestações são parecidas, por exemplo, dificuldades nas interações sociais.

QI mais elevado, maiores taxas de depressão

Durante a revisão sistemática, descobriram que autistas com inteligência acima da média sofrem mais com a depressão. Em contra partida, na população em geral, as pessoas com menor inteligência possuem maiores taxas da doença. Apesar de não terem identificados os motivos na qual os indivíduos com inteligência superior estarem associados à depressão, criam-se hipóteses.

A primeira hipótese é que essas pessoas autistas com inteligência acima da média estejam mais conscientes das dificuldades de socialização decorrestes do autismo e, consequentemente, desenvolvem a depressão. A segunda hipótese é que indivíduos autistas com inteligência abaixo da média não consigam comunicar sobre seus sintomas e sentimentos, dificultando o diagnóstico da doença para esse subgrupo.

O impacto dos métodos científicos

Foi observado que os métodos utilizados influenciaram na identificação da depressão nos portadores de TEA. As taxas da doença foram maiores com o método de entrevistas padronizadas e estruturadas do que as taxas quando utilizaram os métodos menos formais. É possível que as entrevistas estejam realmente diagnosticando mais a doenças que os outros métodos, contudo, pode-se considerar que os resultados estejam distorcidos pelo fato das entrevistas não serem projetadas para as pessoas autistas. Foi analisado que a depressão é mais comum quando os sintomas são diretamente perguntados aos autistas do que seus cuidadores. Pode-se constatar que a falta de informação dos cuidadores em pesquisas interferem no resultado. Com o total de resultados analisados e comparados, certifica-se que a depressão é mais comum em autista do que se imaginava.

A pesquisa foi liderada por Chloe C. Hudson, doutoranda pela Universidade de Queen; Kate Harkness, professora de Psicologia e Psiquiatria e diretora do Mood Research Laboratory pela Universidade de Queen. O estudo foi subsidiado Social Sciences and Humanities Research Council, Canadian Institutes for Health Research, Ontario Mental Health Foundation, Universidade de Quenn e The Conversation CA.

Texto adaptado por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®, direto do artigo publicado no site da The Conversation CA (https://theconversation.com/almost-half-of-adults-with-autism-struggle-with-depression-91889).

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Uma nova pesquisa revela um possível progresso no desenvolvimento para adultos com TEA

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A cada dia as pesquisas em torno da detecção precoce e tratamento para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão mais avançadas, porém existe uma carência no estudo de métodos de intervenção quando se fala dos adultos com TEA. Esses indivíduos apresentam grandes obstáculos como desemprego, problemas de socialização e baixa qualidade de vida, decorrentes das dificuldades de compreensão e cognição das informações produzidas durante o dia-a-dia.

Uma nova pesquisa em colaboração com a Escola de Serviço Social e o Departamento de Psiquiatria da Universidade de Pittsburgh revela um possível progresso no desenvolvimento para adultos com TEA. Intitulado como “Terapia de aprimoramento cognitivo para Transtorno do Espectro Autista em adultos: resultados de um ensaio clínico randomizado por 18 meses”, a pesquisa foi liderada por Shaun Eack, doutor em Serviço Social, David E. Epperson, professor de Serviço Social e Psiquiatria pela Universidade de Pittsburgh, e Nancy Minshew, professora de Psiquiatria e Neurologia pela Universidade de Pittsburgh.

O estudo testou dois tratamentos diferentes em 54 adultos, sendo eles a terapia de aprimoramento cognitivo (TAC) e a terapia de suporte enriquecida (TSE). Os tratamentos foram distribuídos aleatoriamente para os participantes.

O TAC consiste na evolução e melhora da compreensão social através de exercícios computadorizados em duplas para trabalhar questões como atenção, memoria e a resolução de problemas. Após vários meses do experimento computadorizado, foram realizados pequenos exercícios em grupo para auxiliar na interação social e compreensão da perspectiva de outro indivíduo. Tanto os exercícios computadorizados e em grupos tinham duração de três horas por semana.

O tratamento TSE se baseia em práticas tradicionais de psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, para ajudar os adultos com TEA controlar suas emoções e estresse, aprimorar suas relações sociais e enfrentar problemas do cotidiano. Exclusivo do tratamento TSE, pesquisadores incluíram também projetos educativos para que os próprios portadores do TEA entendam sua condição e a natureza do autista.

Publicada na revista online Autism Research, o resultado do experimento teve resultados promissores. Após 18 meses de tratamento, os adultos com autismo que receberam o tratamento TAC tiveram avanços significativos na função neurocognitiva, principalmente na atenção e sua capacidade de processar informações rapidamente. Esses avanços ajudaram os participantes no mercado de trabalho.

O tratamento do TSE ajudou na interação cognitivo-social dos indivíduos estudados, porém demorou cerca de 9 meses para que os resultados aparecessem em comparação com o tratamento TAC. Eack comentou que os principais tratamentos realizados com adultos autistas apenas trabalham o aspecto comportamental dos indivíduos e não valorizam as atividades neurocognitivas que são imprescindíveis para uma qualidade de vida e independência destes adultos. Eack também espera que os tratamentos sejam divulgados, uma vez que as organizações de apoio às crianças com TEA não acolhem os adultos e sofrem com as dificuldades da vida adulta.

Minshew acredita que, pela eficácia do experimento, os tratamentos sejam acrescentados aos programas de intervenções tradicionais, inclusive para os indivíduos que não tenham autismo, mas apresentam dificuldades de atenção, socialização e compreensão, e pelo menos 50% dos autistas que estão na média ou acima do desenvolvimento intelectual e da linguagem formal.

Essa pesquisa foi fundada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (National Institute of Mental Healtg, NIMH) e notícia adaptado do site Science Daily (https://www.sciencedaily.com/releases/2018/02/180207164039.htm).

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, redatora do Observatório do Autista®.