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Treinamento de Respostas Pivôs (PRT)

Resultado do trabalho de pesquisadores como Robert Koegel, o Treinamento de Respostas Pivôs (Pivotal Response Treatment®, PRT® (na sigla em inglês) é um método de intervenção comportamental e considerado uma ramificação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Esse tratamento lança mão da motivação da criança com autismo para ensinar a ela novas habilidades em situações naturais e em ambientes variados. O achado de Koegel e seus colaboradores, que deu origem ao PRT®, foi perceber que crianças com autismo se revelavam bastante desinteressadas em aprender. Apesar disso, quando expostas a situações naturais, sem formalidade e com respeito às escolhas feitas por elas, a aprendizagem acontecia com maior frequência e de modo mais natural.

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Princípios da Análise do Comportamento aplicados no ambiente escolar

Cada vez mais casos TEA diagnosticados estão surgindo pelo mundo e, consequentemente, aumentam-se as pesquisas sobre técnicas de intervenção para tratar os principais sintomas. Mesmo com as pesquisas muito bem qualificadas e com resultados de relevância científica, observa-se ainda uma lacuna quando se fala de intervenção dentro de sala de aula. Percebe-se uma parcela ainda pequena de estudos dentro do ambiente escolar, sendo a maioria destes aplicados em clínicas, ambientes familiares com crianças com idade pré-escolar e demais ambientes controlados.

Como os princípios da Análise do Comportamento podem ser utilizados na escola?

Os princípios são baseados no Behaviorismo de B. F. Skinner que iniciou seus estudos no comportamento animal e aplicou outras teorias ao comportamento dos seres humanos. As características desta teoria é observar a relação dos comportamentos, o ambiente que ele está presente, experiências individuais e, ainda, seleção pelas consequências, reforço, punição, esquemas de reforçamento, linha de base, resolução de problemas, controle aversivo, contingência, variabilidade de repertório, dentre outros.

Natalie Brito, psicóloga e redatora do site Comporte-se expõe acerca do tema:

(…) até os conceitos e sistemas já foram aprimorados por outros autores pós-Skinnerianos (como o de metacontingência (Glenn, 1986), equivalência de estímulos (SIDMAN, 1994), ou mesmo conceitos relacionados a ACT (Hayes, Strosahl e Wilson, 1999) e FAP (Kohlember e Tsai, 1991) na aplicação à escola, pois, apesar de serem sistemas predominantemente clínicos, seus conceitos e técnicas são úteis a outros contextos. Ou seja, estudar e se apropriar dos conceitos e sistemas é fundamental para qualquer analista do comportamento que trabalhe com aplicação. Essa é a dimensão teórica da nossa aplicação.

Apesar de a teoria ser muito importante para entender os modelos de estudo, durante as análises comportamentais podem aparecer dados ou situações não previstas. São fenômenos independentes que não podem ser controladas. Inclusive em métodos utilizados nas clínicas com base na psicologia aplicada encontram-se estes obstáculos também.

A dimensão técnica gira em torno dos conflitos que podem acontecer como: problemas entre a relação do professor, com a turma/sala que eles estudam e com o próprio aluno autista. O bom analista de comportamento irá avaliar todas estas contingências, mas para poder avaliar todos estes comportamentos (que não são poucos), necessita-se de um amparo dos sistemas e modelos teóricos.

Um dos maiores erros que são cometidos durante estes estudos são avaliar o processo de aplicação. Como Baer e Risley (1968) acreditam, devem-se avaliar os comportamentos e se eles são relevantes para o estudo. Caso sejam pertinentes, o momento agora é de inseri-lo à análise, mas atentar em qual categoria ou parte do processo e como isso pode influenciar ou trazer consequências para o estudo.

Por fim, são analisados os dados e tentativa da melhoria dos comportamentos específicos (Baer & Risley, 1968). Essa etapa levanta discussões pelo fato de como entender o que realmente é melhoria? Qual o valor ético empregado para estabelecer o que deveria mudar? São preposições que devem ser trabalhadas até nos dias de hoje para finalmente haver um consenso.

Adaptado do artigo “Análise do Comportamento aplicada ao contexto escolar: primeiros esboços” do site Comporte-se (link: https://www.comportese.com/2014/10/analise-do-comportamento-aplicada-ao-contexto-escolar-primeiros-esbocos)

Referências:

ANDERSON, Cynthia M.; SMITH, Tristram; WILCZYNSKI, Susan M. Advances in School-Based Interventions for Students With Autism Spectrum Disorder: Introduction to the Special Issue. 2018.

Baer, D.M.; Wolf, M.M.; Risley, T.R. (1968) Some current dimensions of applied behavior analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, 1, 91-97. Traduzido por Aguirre (s/d). Tradução disponível em: http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/outros/Algumas_ dimensoes.pdf.

Skinner, B. F. (2003). Ciência e comportamento humano. Martins Fontes.
Glenn, S. S. (1986). Metacontingencies in Walden Two. Behavior and Social Action, 5, 2-8.
Sidman, M. (1994). Equivalence relations and behavior: a research story. Boston, MA: Authors Cooperative, Inc.

Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (1999). Acceptance and commitment therapy: An experiential approach to behavior change. Guilford Press.

Kohlenberg, R. J., & Tsai, M. (1991). Functional analytic psychotherapy (pp. 169-188). Springer US.

Dittrich, A., & Abib, J. A. D. (2004). O sistema ético skinneriano e conseqüências para a prática dos analistas do comportamento. Psicologia: reflexão e crítica, 17(3), 427-433.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, redatora do Observatório do Autista®.

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Uma nova pesquisa revela um possível progresso no desenvolvimento para adultos com TEA

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A cada dia as pesquisas em torno da detecção precoce e tratamento para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão mais avançadas, porém existe uma carência no estudo de métodos de intervenção quando se fala dos adultos com TEA. Esses indivíduos apresentam grandes obstáculos como desemprego, problemas de socialização e baixa qualidade de vida, decorrentes das dificuldades de compreensão e cognição das informações produzidas durante o dia-a-dia.

Uma nova pesquisa em colaboração com a Escola de Serviço Social e o Departamento de Psiquiatria da Universidade de Pittsburgh revela um possível progresso no desenvolvimento para adultos com TEA. Intitulado como “Terapia de aprimoramento cognitivo para Transtorno do Espectro Autista em adultos: resultados de um ensaio clínico randomizado por 18 meses”, a pesquisa foi liderada por Shaun Eack, doutor em Serviço Social, David E. Epperson, professor de Serviço Social e Psiquiatria pela Universidade de Pittsburgh, e Nancy Minshew, professora de Psiquiatria e Neurologia pela Universidade de Pittsburgh.

O estudo testou dois tratamentos diferentes em 54 adultos, sendo eles a terapia de aprimoramento cognitivo (TAC) e a terapia de suporte enriquecida (TSE). Os tratamentos foram distribuídos aleatoriamente para os participantes.

O TAC consiste na evolução e melhora da compreensão social através de exercícios computadorizados em duplas para trabalhar questões como atenção, memoria e a resolução de problemas. Após vários meses do experimento computadorizado, foram realizados pequenos exercícios em grupo para auxiliar na interação social e compreensão da perspectiva de outro indivíduo. Tanto os exercícios computadorizados e em grupos tinham duração de três horas por semana.

O tratamento TSE se baseia em práticas tradicionais de psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, para ajudar os adultos com TEA controlar suas emoções e estresse, aprimorar suas relações sociais e enfrentar problemas do cotidiano. Exclusivo do tratamento TSE, pesquisadores incluíram também projetos educativos para que os próprios portadores do TEA entendam sua condição e a natureza do autista.

Publicada na revista online Autism Research, o resultado do experimento teve resultados promissores. Após 18 meses de tratamento, os adultos com autismo que receberam o tratamento TAC tiveram avanços significativos na função neurocognitiva, principalmente na atenção e sua capacidade de processar informações rapidamente. Esses avanços ajudaram os participantes no mercado de trabalho.

O tratamento do TSE ajudou na interação cognitivo-social dos indivíduos estudados, porém demorou cerca de 9 meses para que os resultados aparecessem em comparação com o tratamento TAC. Eack comentou que os principais tratamentos realizados com adultos autistas apenas trabalham o aspecto comportamental dos indivíduos e não valorizam as atividades neurocognitivas que são imprescindíveis para uma qualidade de vida e independência destes adultos. Eack também espera que os tratamentos sejam divulgados, uma vez que as organizações de apoio às crianças com TEA não acolhem os adultos e sofrem com as dificuldades da vida adulta.

Minshew acredita que, pela eficácia do experimento, os tratamentos sejam acrescentados aos programas de intervenções tradicionais, inclusive para os indivíduos que não tenham autismo, mas apresentam dificuldades de atenção, socialização e compreensão, e pelo menos 50% dos autistas que estão na média ou acima do desenvolvimento intelectual e da linguagem formal.

Essa pesquisa foi fundada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (National Institute of Mental Healtg, NIMH) e notícia adaptado do site Science Daily (https://www.sciencedaily.com/releases/2018/02/180207164039.htm).

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, redatora do Observatório do Autista®.