A importância da musicoterapia para pessoas com transtorno do espectro do autismo

Foto por Alena Darmel em Pexels.com

Conforme já foi esclarecido aqui no blog, existem diversos mitos sobre o transtorno do Espectro do autismo (TEA), que são propagados e tidos como verdadeiros. Diante disso que tal direcionarmos nosso olhar para fatos baseados em evidências científicas, sobretudo na neurociência?

Vários estudos mostram a existência de diversas alterações no sistema nervoso central que poderiam explicar o TEA e as alterações referentes à interação social, comunicação e comportamento. Diante desses variados estudos exponho os de Damásio e Maurer, citados por SCHARTZMAN (2011) e SAMPAIO, R. T. et al (2015) que afirmaram que haveriam alterações fisiológicas e/ou anatômicas em várias regiões do sistema nervoso, tais como na área entorrinal, giro do cíngulo, giro para-hipocampal, área perrinial, regiões subicular e pré-subicular. Estas alterações foram verificadas a partir da comparação de comportamentos encontrados em pessoas com TEA e em adultos com lesões corticais adquiridas.

Outro estudo que apresento é o de SCHARTZMAN, citado por SAMPAIO, R. T. et al (2015), que em suas pesquisas sobre a teoria da mente em pessoas com TEA verificou alterações no córtex-orbito-frontal, no corpo amigdalóide e nos lobos temporais. Vale ressaltar que a teoria da mente é a capacidade que uma pessoa tem para fazer inferências sobre os estados mentais de outras pessoas, como compreender comportamentos e sentimentos (BOSA e CALLIAS, 2000).

Posso citar inúmeros estudos, porém faço apenas um recorte para uma breve compreensão a respeito do tema, pois é importante entender determinadas alterações para compreender a importância da musicoterapia.

Falar a respeito de música é falar de expressão social, cultural, emocional e religiosa. A mesma encontra-se presente em todas as culturas e simboliza histórias, experiências e entretenimento. A música possui a capacidade de gerar emoções e de mobilizar processos cognitivos complexos como a memória, o controle de impulso, a atenção, a execução e o controle de ações motoras. A partir de estudos foi possível observar também que tanto canções quanto músicas instrumentais são capazes de gerar ativações no hipocampo, na amígdala, na ínsula e em outras regiões cerebrais (OMAR et al., 2011 apud SAMPAIO, R. T. et al, 2015).

A musicoterapia, portanto, é capaz de modular a atenção, a emoção, a cognição e os comportamentos do paciente, a fim de alcançar os objetivos clínicos, elaborados de modo individual para cada sujeito. Vale ressaltar que, no processo terapêutico da musicoterapia, os resultados não dependem somente do estímulo musical, mas também da relação estabelecida entre o profissional e o paciente.

Com isso, um dos objetivos que podem ser trabalhados com pessoas com o transtorno do Espectro do autismo, no processo de musicoterapia, é a atenção compartilhada, visto que é possível trabalhar os processos de comunicação e interação social a partir da manipulação de objetos.

Se você é musicoterapeuta e trabalha com pessoas com o TEA ou com outros transtornos do neurodesenvolvimento, conheça a Odapp (www.odapp.org). Uma plataforma na qual você trabalha suas avaliações, programas e planos terapêuticos de maneira mais prática.

Obrigada por me acompanharem até aqui e até a próxima semana.

Referências

BOSA, C.; CALLIAS, M. “Autismo: breve revisão de diferentes abordagens”. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2000, n.1, v.13, p.167-177.

SAMPAIO, R. T. et al. A Musicoterapia e o Transtorno do Espectro do Autismo. Per Musi. Belo Horizonte, 2015, n.32, p.137-170.

SCHWARTZMAN, J. “Neurobiologia dos Transtornos do Espectro do Autismo”. In: SCHWARTZMAN, J.; ARAUJO, C. Transtornos do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon, 2011.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

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