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Os distúrbios do sono aparecem entre 40 a 80% de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles normalmente se queixam de dificuldades para dormir, acordar frequentemente durante a noite, inquietações e poucas horas do sono. Estudos ainda comprovam que dificuldades na hora de dormir são mais frequentes em pessoas com autismo regressivo e aumentam com a gravidade do autismo. Além disso, os distúrbios do sono podem aumentam quando o indivíduo apresenta ansiedade, déficit de atenção, impulsividade e uso de medicação.

Outros dois estudos independentes mostraram que distúrbios do sono podem estar ligados realmente á ansiedade e a hipersensibilidade sensorial dos autistas. Os sintomas melhoraram com intervenção Short Sensory Profile (modelo de regressão hierárquica) associadas á melhora da resposta sensorial e filtragem auditiva. O objetivo do presente estudo foi realizar um exame mais aprofundado da relação entre os distúrbios do sono e sensibilidades sensoriais, utilizando o completo Perfil Sensorial do Cuidador. Ao contrário do Short Sensory Profile, que integra pontuações em vários domínios sensoriais, o Perfil Sensorial do Cuidador contém um número maior de perguntas que permitem avaliar os níveis de hiposensibilidade e hipersensibilidade separados para cada um dos cinco domínios sensoriais (audição, visão, gosto / cheiro, vestibular e toque). Isso permitiu que os cientistas determinassem se os distúrbios do sono estão mais fortemente associados a algumas sensibilidades sensoriais do que outros.

Foram recrutadas 131 crianças, sendo 69 crianças autistas pelo Centro de Autismo de Negev e 62 crianças controle, que possuem características de desenvolvimento regulares, foram questionadas através do fórum online da Universidade de Bem Gurion. O questionário Perfil Sensorial do Cuidador contém 125 perguntas que quantificam a frequência de respostas comportamentais anormais a várias experiências sensoriais. No presente estudo, incluem questões sobre processamento auditivo, visual, vestibular, tátil e sensorial oral. Essas perguntas são divididas em itens de limiar alto e limiar baixo com pontuações mais baixas indicando sintomas mais graves. Examinaram as diferenças entre os grupos para cada uma dessas pontuações separadamente e também para a pontuação bruta total, que combina itens mencionados acima.

Os resultados de sensibilidade sensorial do questionário comprovaram que a pontuação bruta de crianças autistas era menor comparada com a pontuação de crianças do grupo controle. Contudo, foi identificado que a pontuação de crianças autistas que tomam medicação não sofreu muitas alterações em relação a pontuação de crianças autistas que não tomam. Quanto aos distúrbios do sono, crianças autistas tiveram uma pontuação significativamente maior comparado ao grupo controle, exceto em distúrbios respiratórios, acordar a noite e sonolência durante o dia.

Os cientistas tiveram o cuidado de comparar os resultados com grupos de crianças autistas diferentes e constataram que as pontuações foram similares. Porém, crianças autistas que não tomam medicação possuem maiores problemas em distúrbios do sono comparados com as crianças que fazem o uso de alguma medicação. Esse resultado foi surpreendente porque quando analisado a sensibilidade sensorial, a pontuação das crianças não teve grandes diferenças. Os pesquisadores compararam os distúrbios do sono com as pontuações brutas da sensibilidade sensorial de cada domínio sensorial e constataram que há relações negativas entre a sensibilidade ao toque e da fala com distúrbios do sono em crianças autistas e relações negativas entre a sensibilidade ao toque e vestibular em crianças do grupo controle. Os outros domínios sensoriais não tiveram grande impacto nos problemas com o sono.

O presente estudo revelou que a hipersensibilidade ao toque provavelmente é um fator importante na dificuldade de dormir e outros distúrbios do sono em crianças com autismo. Esse resultado abre porta para novos estudos na eficácia de intervenções terapêuticas relacionada à sensibilidade ao toque em crianças e indivíduos com TEA que possui dificuldades de dormir, podendo incorporar técnicas objetivas e mais diretas, tais como medidas psicométricas e de neuroimagem para sensibilidade tátil, bem como actigrafia e polissonografia para distúrbios do sono.

Pesquisa publicada na Molecular Autism e desenvolvida no Behavioral Science Department da Emek Yesreel College; Soroka University Medical Center; e Ben Gurion University, todas localizadas em Israel. Pode-se encontrar a pesquisa na PubMed.

TZISCHINSKY, Orna et al. Sleep disturbances are associated with specific sensory sensitivities in children with autism. Molecular Autism, v. 9, n. 1, p. 22, 2018.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.

Categoria:
Artigo científico
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