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Modelo TEACCH® na prática

O uso do TEACCH® não é exclusivo de nenhuma área, é um modelo generalista. Profissionais diversos que atuam com crianças com autismo podem se valer do programa. Aliás, quanto mais combinado for o uso dela pela equipe que atende a criança, melhor. Na escola, os educadores podem se valer do TEACCH® para organizar a rotina e aumentar o grau de previsibilidade das atividades do dia a dia, dar noção de fim. Fotos dos momentos que marcam o dia da turma, colocadas em ordem cronológica – chegada, parque, roda de conversa, lanche, soninho, biblioteca e saída – são de grande utilidade não só para crianças com autismo, mas para todas, em geral da Educação Infantil. Apesar de ser um modelo generalista, possível de ser empregado por profissionais diversos, para serem certificados, devem passar pela instituição do programa da Universidade da Carolina do Norte.

Na prática, dependendo das necessidades da criança, pode-se listar o uso da agenda de imagens para sinalizar a rotina pessoal e de marcações visuais no ambiente –  com fotografias, ícones ou palavras – para ajudá-la no dia a dia a realizar tarefas simples e compreender o que está sendo dito e pedido para ela. Ela é um facilitador de compreensão. Tal como qualquer outra agenda, ela ajuda a organizar a rotina da criança, orientando a compreensão da passagem do tempo. Pode conter somente imagens ou textos – esse último, somente no caso de pessoas já alfabetizadas, evidentemente. É importante que os profissionais façam sempre uma análise funcional do comportamento, relacionando variáveis e entendendo as razões que podem estar envolvidas nos comportamentos. A manipulação dessas variáveis garante as mudanças e os processos de ensino. 

O uso de imagens e ícones não faz as crianças verbalizarem menos e o TEACCH® é uma ferramenta, uma alternativa a ser usada enquanto a criança com autismo não fala e deve ser usado para aumentar sua capacidade de compreensão. A ideia do trabalho com TEACCH® é justamente ajudar a pessoa a ganhar autonomia. Por isso mesmo, no decorrer do percurso do tratamento, a equipe multidisciplinar que acompanha a pessoa com autismo avalia se os itens usados podem ir sendo retirados do dia a dia, aos poucos.

Na Educação Infantil, por exemplo, se uma turma está explorando os animais domésticos e selvagens, é comum o uso de figuras e fotografias desses animais. Porém, o profissional, conhecendo o TEACCH® pode tomar a decisão de propor a apreciação de miniaturas desses bichos, para ajudar a criança com autismo a conhecê-los se ela não consegue identificar imagens de modo satisfatório.

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Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados à Comunicação (TEACCH®, na sigla em inglês)

Modelo criado no final da década de 1960, na Universidade da Carolina do Norte (UNC), nos Estados Unidos, chamado Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits Relacionados à Comunicação (TEACCH®, na sigla em inglês), é a proposta baseada em evidências adotada por diversos profissionais para trabalhar os problemas relacionados à comunicação e ensinar habilidades.

O modelo tem como princípios que o ambiente organizado, o ensino estruturado e a previsibilidade (o que fazer, onde fazer, como fazer, o que fazer em seguida) favorecem o desenvolvimento e a aprendizagem de pessoas com autismo. Com isso, é esperada a diminuição dos comportamentos disruptivos, a ampliação do repertório comunicativo e o aumento de engajamento nas atividades e do entendimento do que se deve fazer (com compreensão, não somente por repetição mecânica). A ideia é que, com o uso do TEACCH®, a criança com autismo conquiste cada vez mais autonomia e melhore sua capacidade de compreender o que as pessoas comunicam.  

O uso de imagens para ajudar a criança com autismo a se valer de instruções visuais e assim aumentar seu poder de comunicação é uma das marcar do modelo. Por exemplo: objetos sinalizadores, fotografias, ícones, pictogramas, escrita e sinalizadores do ambiente. Mas não se trata simplesmente de um conjunto de fichas. Um olhar mais apurado enxerga que o trabalho com TEACCH® pressupõe levar em conta características do indivíduo para analisar o que precisa ser eliminado do ambiente – geralmente, estímulos sensoriais, que perturbam e confundem –, e transformar materiais de acordo com o que a criança compreende e precisa, além do uso de imagens. Tudo isso com o objetivo de fazer a criança com autismo se tornar, passo a passo, mais autônoma, e ter menos comportamentos disruptivos.

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Sobre as terapias comportamentais DIR/Floortime, ESDM e TEACCH

2 - tratamentos

Autismo é um distúrbio complexo do desenvolvimento que afeta principalmente a fala, o comportamento, as interações sociais e afetivas de indivíduo. Sabe-se que a manifestação dos sintomas é diferente para cada pessoa ou criança, sendo assim o transtorno pode ser classificado de leve a severo. Baseado neste parâmetro, o portador de Transtorno do Espectro Autista (TEA) deve ter um tratamento individualizado para atender a necessidade e dificuldade de cada um. Hoje em dia, encontra-se variados tratamentos para o autismo e, neste artigo, citaremos os principais e seus benefícios.

Os tratamentos ajudam nas habilidades e desenvolvimento como comunicação, socialização, alfabetização e controle dos comportamentos repetitivos e estereotipados dos indivíduos autistas, então eles devem ser iniciados o quanto antes para que os comportamentos não prolonguem e interfiram na sua vida adulta.

Atualmente, as pesquisas científicas estão trabalhando na produção de diversas intervenções para minimizar os sintomas do distúrbio e estabelecer bem-estar dos autistas e suas famílias. Os tratamentos que destacaremos neste artigo são: o modelo Denver de Intervenção Precoce; Teacch e DIR Floortime.

Modelo Denver

O Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM – Early Start Denver Model) é direcionado para crianças com autismo entre 1 a 5 anos (12-60 meses) e tem a intenção de trabalhar a comunicação receptiva e expressiva, competências sensoriais, competências motoras e comportamento adaptativo. Os níveis de competência são divididos por faixa etária: Nível 1: 12-18 meses; Nível 2: 18-24 meses; Nível 3: 24-36 meses; Nível 4: 36-48 meses.

Os benefícios do modelo foram bastante significativos podendo ressaltar a aceleração do desenvolvimento, melhora nos aspectos motores e na linguagem, incluindo ganhos importantes na comunicação receptiva e expressiva e no desenvolvimento sociocomunicativo, especialmente na fala espontânea. Por outro lado, o método não mostrou avanço na socialização de pessoas fora da família e nas atividades da vida diária.

Modelo TEACCH

O TEACCH, ou Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com déficits relacionados à Comunicação, aborda um método transdisciplinar que envolve o aspecto educacional e clínico e baseia-se na Teoria Behaviorista e a Psicolinguística Esta última foi a teoria que mais pesquisou estratégias para diminuir os déficits de comunicação do Autismo e utiliza recursos visuais para enriquecer a conexão entre o pensamento e a linguagem, proporcionando uma maior riqueza e facilidade na comunicação.

O tratamento procura melhorar adaptação de cada indivíduo através do aprimoramento das habilidades e enriquecendo o ambiente para incentivar a socialização; promove a troca de conhecimento entre os pais e os profissionais especializados em transtornos de desenvolvimento, apontando os principais pontos que devem ser priorizados e trabalhados tanto no espaço clínico como em casa; avaliar qual habilidade a ser praticada e método que auxilia o desenvolvimento da criança; trabalhar de em um modelo transdisciplinar e geral, fazendo que com os profissionais que trabalham com esse método possa ajudar a controlar o maior número de problemáticas envolvidas ao transtorno.

DIR Floortime

Do inglês, Developmental, Individual Difference, Relationship-based Model (DIR®/Floortime™), o modelo visa trabalhar o desenvolvimento, a diferença individual e o relacionamento das crianças com outras pessoas. É um método que auxilia pais, educadores e outros profissionais a analisar o indivíduo com TEA e empregar a melhor intervenção que desenvolve as dificuldades e pontos importantes do autista.

O modelo procura construir uma base para aumentar as capacidades sociais, emocionais e intelectuais de maneira generalizada, diferente de outros modelos que trabalham apenas comportamentos e habilidades de modo isolado. Esse tratamento permite que as atividades desenvolvidas acessem diferentes regiões do cérebro e da mente, fazendo com que eles sejam acionados de maneira conjunta.

A parte D da sigla representa a parte de desenvolvimento do modelo e podemos destacar que neste momento é trabalhado o desenvolvimento de capacidades importantes como manter-se calmo e controlado, encontrar e se relacionar com outras pessoas, iniciar e responder a todos os tipos de comunicação e melhorar aspectos cognitivos. O sucesso deste conjunto ajuda a crianças nas relações interpessoais e na vida academia e profissional.

A letra I corresponde às diferenças individuas de cada criança, estudando como ela recebe, entende e transmite as informações do ambiente. Procura buscar as percepções mais sensíveis da criança como as sensações aos toques e sons e como ela capta informações ou planeja suas ações.

A letra R significa a parte que analisa os relacionamentos da criança com outras pessoas como educadores, profissionais, familiares, cuidadores, colegas e outros que possuem afinidades e relações afetivas. Essa parte descreve e compara a aprendizagem realizada por pessoas de sua convivência com as aprendizagens feitas baseadas nas diferenças individuais de capacidade e desenvolvimento.

O Floortime™ procura trabalhar as emoções e habilidades da criança e instigá-la com desafios para desenvolver suas capacidades. Um exemplo comum é em jovens autistas que são incentivados a andar e em crianças a falar e se comunicar. O método DIR®/Floortime™ abrange todas as técnicas com o fim de querer que a criança evolua e supere seus desafios e principais dificuldades.

Referências

GREENSPAN, Stanley; WIEDER, Serena. DIR®/Floortime™ Model. The International Council on Developmental and Learning Disorders, 2008.

LÖHR, Thaise. Intervenção precoce em crianças com autismo: modelo Denver para a promoção da linguagem, da aprendizagem e da socialização. Educar em Revista, v. 32, n. 59, p. 293-297, 2016.

KWEE, Caroline Sianlian; SAMPAIO, Tania Maria Marinho; ATHERINO, Ciríaco Cristóvão Tavares. Autismo: uma avaliação transdisciplinar baseada no programa TEACCH. Revista CEFAC, v. 11, n. 2, 2009.

Por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.