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Importância do aconselhamento e exame genético

Apesar de estudos científicos afirmarem que o Transtorno do Espectro Autista, mais conhecido como autismo, tem forte ligação com a genética, é preciso lembrar que a condição é multifatorial, ou seja, seu desenvolvimento depende de diversos fatores, incluindo alterações no DNA. Segundo a geneticista Maria Rita Passos Bueno, professora da USP, existem, hoje, pelo menos 800 genes candidatos e 100 confirmados para o risco de autismo.

“As mutações genéticas podem vir de um ou dos dois pais, ainda que sejam saudáveis ou que apresentem apenas sinais muito discretos do Transtorno do Espectro Autista. Em outros casos, surgem na formação do óvulo ou do espermatozoide e, portanto, estão apenas na criança e não nos seus pais. São mutações novas, chamadas de mutações ‘de novo’, e estas, em geral, têm maior chance de serem a causa do autismo”, explica a especialista.
Ainda conforme a professora da USP, além das chances de a mutação ser nova ou herdada, ela pode estar relacionada a um padrão de herança monogênica (quando afeta apenas um gene) ou oligogênica (afeta mais de um gene). “Na prática, isso quer dizer que os testes genéticos não têm indicação para todos os casos de autismo e nem sempre darão respostas definitivas para a família. Mas, os testes genéticos podem ser úteis para a confirmação do diagnóstico clínico, para identificar possíveis síndromes que podem ter impacto na saúde da criança, além do comportamento autista”, orienta Maria Rita Bueno.

De qualquer forma, segundo a especialista, os testes genéticos também servem para identificar outros membros da família que podem ser passíveis de gerar filhos com autismo, assim como oferecer o aconselhamento genético para que os casais possam embasar suas decisões a respeito do planejamento familiar.

Fonte: Revista Encontro, 26/06/2018

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Medicamento utilizado em tratamento de câncer propõe combater sintomas de déficit social no autismo

As causas do Transtorno de Espectro Autista (TEA) não são totalmente esclarecidas, mas sabe-se que 90% dos casos de autismo são decorrentes de fatores genéticos. As mutações são um das razões do transtorno e ocorre em genes importantes que auxiliam na compreensão e desenvolvimento do organismo. Exemplo de mutação que pode ser atribuídas ao TEA é a haploinsuficiência – insuficiência de um gene devido redução do número de cópias herdadas dos pais que apresentam anomalias de características observáveis – do gene SHANK3, alvo de estudo desta pesquisa.

Publicada na Nature Neuroscience, cientistas coordenaram um pesquisa com o principio de que enzimas epigenéticas – que modificam o genoma, mas deixa o DNA intacto – tendem a normalizar a expressão gênica e melhorar os sintomas do TEA. Baseado nesse parâmetro, uma das proteínas escolhidas foi a romidepsina, uma histona de classe I (HDAC) e liberada pela Food and Drug Administration (US FDA) como tratamento de câncer.

Romidepsina – a proteína que alivia os sintomas do Autismo

Os cientistas escolheram a família de proteínas de HDAC que consegue silenciar genes através da condensação da cromatina (compactação do DNA com proteínas chamadas histonas). As proteínas de HDAC são importantes no processo cognitivo porque alteram os problemas da transcrição e a acetilação das histonas (descompactação da cromatina), dificuldades comumente observadas em transtornos mentais. Contudo, essas observações não foram alvos de experimentação do TEA, sendo a principal proposta do estudo.

No experimento, foram utilizados camundongos com haploinsuficiência do gene SHANK3 e camundongos selvagens (WT) tratados com romidepsina. O gene SHANK3 induzia a regulação positiva de HDAC2 e caracterizava os déficits sociais nos camundongos. A romidepsina, administrada em baixa dose uma vez ao dia, elevou de maneira significativa o nível de acetilação em camundongos deficientes de SHANK3 e não apresentou mudanças nos níveis de camundongos WT.

Uma vez que os níveis anormais de acetilação foram restaurados pela romidepsina, iniciou experimentos sociais com camundongos machos jovens deficientes de SHANK3 tratados com a proteína. Observou-se que um modelo experimental com estímulos sociais e não sociais que camundongos com deficiência do SHANK3 tratados com romidepsina passaram mais tempo analisando estímulos sociais do que camundongos tratados somente com solução salina. Não se constatou mudanças significativas em camundongos WT tratados com a romidepsina. Logo, pode-se confirmar que os resultados do tratamento de camundongos deficientes de SHANK3 sugerem que a romidepsina alivia os sintomas de déficit social.

Pesquisa foi liderada por Luye Qin, PhD, professor assistente de pesquisa; Kaijie Ma, pesquisadora científica; Zi-Jun Wang, Phd; bolsista de pós-doutorado, Emmanuel Matas, PhD; e Jing Wei, PhD, ex-bolsista de pós-doutorado, todos pelo Yan’s laboratory at the Department of Physiology and Biophysics e Zihua Hu, PhD, cientista de Bioinformática da New York State Center of Excellence in Bioinformatics and Life Sciences. A pesquisa foi fundada pela Nancy Lurie Marks Foundation e a National Institutes of Health (NIH).

Por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Obervatório do Autista® 18.03.2018