Desafios da Inclusão Escolar

Não é a primeira vez e tampouco a última que falaremos a respeito da Inclusão escolar, ou melhor da falta da mesma e de seus desafios. Embora muitas conquistas foram concretizadas, na prática existem aspectos que são deficitários, a começar pela própria inclusão e aceitação às diferenças que muitas vezes não ocorrem no ambiente escolar.

Por isso falar de inclusão é falar da predominante exclusão que ainda existe na sociedade pós-moderna. Segundo Machado, Almeida e Saraiva (2009), se tratar de inclusão é falar de um conflito histórico e pertencente a um certo funcionamento social, determinado pela exclusão social, sendo que o sistema em que vivemos é excludente em sua raiz. Dessa maneira, abordar a inclusão é perceber as práticas exclusivas constitutivas de nossa sociedade, uma sociedade de desiguais.

Para corroborar com o tema cito o caso da jornalista Janine Saponara citado por Basílio e Moreira (2014), que passou por situações difíceis com o seu filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo, por falta de preparação dos profissionais no ambiente escolar. Observa-se claramente o despreparo profissional quando a mesma relata que a escola utilizou como estratégia a omissão do autismo de seu filho. Ela afirma: “De início, rejeitei a ideia, porque contar sobre o autismo me deixaria mais tranquila. Até que em uma reunião, me explicaram que quando você rotula, as pessoas não vão espontaneamente ajudar a romper as barreiras; ao passo que, quando não se sabe, há curiosidade para essa conquista.”

Vale ressaltar que o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, como visto no capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), apud Basílio e Moreira (2014). A mesma trata-se da Educação Especial e deve visar a efetiva integração do estudante à vida em sociedade.

Quando a inclusão ocorre?

Quando a criança e adolescente apresenta suas potencialidades e não esconde as suas particularidades, apresentando e respeitando o seu diagnóstico. De acordo com a educadora da Escola da Vila, Maria da Paz Castro, citada pelas autoras anteriores, a inclusão é possível quando observa-se também o aluno fora do contexto escolar, pois a criança autista deve ocupar e fazer uso dos espaços públicos, assim como todos os cidadãos. Com isso, pensemos: Além das leis e de todos os estudos realizados, como podemos proporcionar a inclusão? A seguir mostrarei o lúdico como uma das maneiras de incluir a criança em sala de aula ou nas horas de intervalo. Vale ressaltar que é possível adaptar as brincadeiras para cada ambiente, por isso prezo pela importância de um profissional qualificado e atualizado nos estudos para conseguir realizar tais adaptações.

A utilização do Lúdico no processo de Inclusão Escolar

De acordo com Silva (2013), o lúdico contribui para o desenvolvimento e aprimoramento, intelectual, e físico de crianças com Transtorno do Espectro Autista, ou seja, as brincadeiras, o lúdico não são apenas diversão, mas sim geradores de informações, e conhecimentos para o desenvolvimento das mesmas, ajudando na concentração e nas aptidões.

Com isso, é importante pensar que com as dificuldades nas relações sociais e na comunicação verbal e não verbal, o trabalho lúdico com crianças autistas exige uma preparação dos profissionais como também dos familiares destas crianças para que os objetivos sejam atingidos.

O autor citado acima propõe algumas ideias de como utilizar a ludicidade:

  • Podem ser aplicadas brincadeiras afetivas como sorrir, olhar, e conversar;
  •  Brincadeiras frente ao espelho, como fazer caretas, brincar de abaixar e levantar observando no espelho e sorrir;
  •  Brincadeiras corporais como brincar de fazer cocegas, abraçar, de pegar, esconder;
  •  Brincadeiras com músicas e brincadeiras cantadas como dramatizar a música com o corpo, dançar, pular e interagir; isto pode ser pensado no momento de cantar o alfabeto, por exemplo;
  • Brincadeiras com massinha, tinta e argila para que a criança perceba suas sensações.

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Referências

BASÍLIO, Ana; MOREIRA, Jéssica. Autismo e escola: os desafios e a necessidade da inclusão. Centro de Referências em Educação Integral, abr de 2014. Disponível em: < https://educacaointegral.org.br/reportagens/autismo-escola-os-desafios-necessidade-da-inclusao/ >. Acesso em: 30 de mai de 2022.

KIBRIT, Bruna. Possibilidades e desafios na inclusão escolar. Revista Latino americana de Psicopatologia Fundamental [online], v. 16, n. 4. pp. 683-695, 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rlpf/a/KLC37Vh3r7CsMSHvMjWKSjm/?lang=pt# >. Acesso em: 01 de jun de 2022.

MACHADO, A. M.; ALMEIDA, I; SARAIVA, L. F. O. Rupturas necessárias para uma prática Inclusiva. In Educação Inclusiva: experiências profissionais em psicologia. Brasília: Conselho Federal de Psicologia. p.21-35, 2009.

SILVA, L.C. O autismo e o lúdico. Revista de Ciências Sociais do Norte, 2013. Disponível em: < https://www.revistanativa.com.br/index.php/nativa/article/view/256 >.  Acesso em: 02 de jun de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Contribuições da implementação do Plano Educacional Individualizado (PEI) em alunos com TEA

Introdução

Com certeza você educador e profissional da educação já ouviu, mesmo que de modo superficial e distante, sobre o Plano Educacional Individualizado (PEI). Hoje irei escrever sobre a implementação do mesmo.

Sabe-se que poucos estudos mostram de fato como o PEI é elaborado e executado, isso se dá devido ao fato de que o PEI, no Brasil, é frequentemente atribuído somente ao professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE), com foco na instituição (mais especificamente nas ações do professor) e não no processo de aprendizagem do aluno, sendo então realizado unicamente como formalidade (TANNÚS-VALADÃO; MENDES, 2018).

O PEI é também conhecido como Planejamento Educacional Individualizado ou Plano de Ensino Individualizado e é internacionalmente considerado uma metodologia de trabalho colaborativo (COSTA; SCHMIDT, 2019). Tem como foco o aluno com deficiência e é elaborado a partir da idade, da série, dos conhecimentos prévios e do grau de desenvolvimento, levando em consideração os objetivos de curto, médio e longo prazo (YELL, BATEMAN e SHRINER apud SILVA e CAMARGO, 2021).

Recorte Histórico

Em 2008, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, foi adotada pelo Brasil, representando um grande marco histórico e legislativo nacional no que se refere ao acesso e direitos universais à educação. Esta política tem como função orientar as instituições de ensino a respeito da inserção incondicional de todos os alunos e da promoção de estratégias para atender às necessidades educacionais de cada estudante.

Já em 2015, para alavancar as políticas de inclusão, foi sancionada a Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146 de 2015, chamada também de Estatuto da Pessoa com Deficiência, que reúne todos os dispositivos legais anteriores que abrangem os direitos das pessoas com deficiência, incluindo e reforçando a inclusão escolar.

PEI em outros países

O PEI não existe somente no Brasil. Nos Estados Unidos, Itália, França e Portugal existem legislações que garantem a elaboração e aplicação desse documento para todos os alunos com necessidades educacionais especiais.

Na Itália e nos Estados Unidos (pioneiro na legislação e utilização deste instrumento), o PEI tem o foco na vida escolar do aluno.  E na França, o PEI abarca questões de vida cotidiana, questões médicas, educacionais e psicossociais.

Contribuições da Implementação

De acordo com Pereira e Nunes (2018) em sua pesquisa, com a aplicação do PEI houveram mudanças significativas nas áreas acadêmicas e/ou funcionais do aluno, sendo demonstradas através de dados qualitativos e quantitativos. Foi realizado um estudo quase-experimental, com um aluno com Transtorno do Espectro do Autismo em uma escola regular de ensino, sendo que o PEI era a variável independente.

 As autoras utilizaram duas variáveis dependentes, uma qualitativa referente a participação na rotina do lanche e ao desenvolvimento das produções escritas, e outra quantitativa, concernente ao tempo de engajamento nas tarefas. Após a implementação do PEI, foi possível perceber, no aluno, ganhos qualitativos na rotina do lanche, pois o mesmo demonstrou participar de forma independente e proativa. Também foi possível observar o aumento na participação e qualidade das atividades escritas. A professora do aluno, apontou o PEI como sendo norteador do trabalho, pois contribuiu para uma melhor inclusão do aluno com TEA.

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Referências:

COSTA, D. S.; SCHMIDT, C. Plano Educacional Individualizado para estudantes com Autismo: revisão conceitual. Cadernos de Educação, n. 61, pp. 102-128, jan./jun. 2019.

PEREIRA, D. M.; NUNES, D. R. P. Diretrizes para a elaboração do PEI como instrumento de avaliação para educando com autismo: um estudo interventivo. Revista Educação Especial, v. 31, n. 63, p. 939-960, Santa Maria, out./dez. 2018

SILVA, Gabrielle Lenz da; CAMARGO, Síglia Pimentel Höhe. Revisão integrativa da produção científica nacional sobre o Plano Educacional Individualizado. Revista Educação Especial, v. 34, Santa Maria, 2021.

TANNÚS-VALADÃO, G.; MENDES, E. G. Inclusão escolar e o planejamento educacional individualizado: estudo comparativo sobre práticas de planejamento em diferentes países. Revista Brasileira de Educação, v. 23, e 230076, 2018.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Inclusão, Suporte e Adaptação para crianças com TEA no ambiente escolar

É de extrema importância promover adaptações no ambiente físico, escolar, familiar e social. As adaptações fazem parte da inclusão, pois com o suporte necessário o indivíduo pode se desenvolver, se comunicar e interagir da melhor maneira possível. Cada pessoa, sobretudo, com Transtorno do Espectro Autista, possui suas individualidades, suas necessidades, bem como suas potencialidades, por isso é necessário conhece-las a fim de proporcionar a adaptação ideal e funcional para cada uma.

Quando falamos em inclusão e adaptação, um dos espaços que pensamos é sem dúvida a escola, pois a mesma se destaca por favorecer o desenvolvimento infantil. Isso ocorre devido a convivência social que as crianças têm umas com as outras e também pelo importante papel do professor de mediar as diferentes formas de aprendizado e aquisições de habilidades.

De acordo com Höher Camargo e Bosa (2012), o contexto escolar proporciona contatos sociais, favorecendo o desenvolvimento da criança autista, assim como o das demais crianças, pois na medida em que convivem, as mesmas aprendem com as diferenças. Já Silva e Facion (2008) corroboram com os autores, afirmando que os demais alunos irão se enriquecer por terem a oportunidade de conviver com as diferenças.

Com isso, podemos fazer associação com o conceito de mediação de Vygotsky, pois todo o processo realizado dentro de sala de aula, dos alunos aprenderem e auxiliarem uns aos outros, pode ser considerado mediação da aprendizagem, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento das crianças.

E para que toda a interação e a inclusão ocorram, quais sãos os tipos de suporte e adaptações que podem ser pensados no ambiente escolar? Veja alguns exemplos:

  • Material Pedagógico Adaptado (Cartões de Comunicação, Prancha de Comunicação Alternativa, Livros adaptados, informática acessível);
  • Acompanhante Especializado na sala de aula (profissional de apoio);
  • PEI(Plano Educacional Individualizado);
  • Adaptação de aulas extras como nas aulas de Educação física e música;
  • Atenção e cuidado nas necessidades sensoriais da criança.

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Referências

HÖHER CAMARGO, S. P.; BOSA, C. A. Competência social, inclusão escolar e autismo: um estudo de caso comparativo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v.28, n.3, p.315-324, 2012

Lemos, Emellyne Lima de Medeiros Dias, Salomão, Nádia Maria Ribeiro e Agripino-Ramos, Cibele Shírley. Inclusão de crianças autistas: um estudo sobre interações sociais no contexto escolar. Revista Brasileira de Educação Especial [online], v. 20, n. 1, p. 117-130, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbee/a/GS4c9BPW9PW8ZqzBGjx7Kzj/?lang=pt >. Acesso em: 25 de abr de 2022.

SCHIRMER, Carolina Rizzotto; FERREIRA PINTO, Luciana Meira; RACHED, Ana Caroline. Material pedagógico adaptado ou especialmente elaborado e os recursos de Comunicação Alternativa e Ampliada postados no WhatsApp. In: NUNES, L. R. O. P., and SCHIRMER, C. R., orgs. Salas abertas: formação de professores e práticas pedagógicas em comunicação alternativa e ampliada nas salas de recurso multifuncionais [online]. Rio de Janeiro: EDUERJ.p. 207-241, 2017. Disponível em: < https://books.scielo.org/id/xns62/pdf/nunes-9788575114520-12.pdf>.  Acesso em: 25 de abr de 2022.

SILVA, M. F. M. C.; FACION, J. R. Perspectivas da inclusão escolar e sua efetivação. In FACION, J. R. (Org.). Inclusão escolar e suas implicações. 2ª ed. Curitiba: Ibpex. p.185-216, 2008.

SIMONE, Leal. A escola parece inclusiva mas não é quando. 20 de abr de 2022. Instagram: @atipicamente.azul. Disponível em: < https://instagram.com/atipicamente.azul?igshid=YmMyMTA2M2Y=>. Acesso em: 26 de abr de 2022.

VYGOTSKY, L. S. Formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga no Instituto CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

A importância do Psicopedagogo e do profissional de apoio no processo de inclusão escolar

Pensar no processo de inclusão escolar é analisar um longo processo histórico marcado por sofrimentos e conquistas. Quando falamos em inclusão, podemos nos lembrar que nem sempre essa nomenclatura e prática existiu. Na idade média acontecia a exclusão, na qual pessoas eram isoladas e sofriam maus tratos, pois eram atribuídas às questões religiosas.

Já no Renascimento ocorria a segregação. Pessoas eram separadas em instituições assistencialistas, hospitais e hospícios. Em Meados do Século XX teve-se a integração, época em que classes especiais foram criadas dentro de escolas e instituições. A integração ocorreu devido à primeira guerra mundial, pois os soldados voltavam mutilados da guerra e precisavam estar inseridos na sociedade.

Somente na década de 90 pensou-se na inclusão, que teve e tem como objetivo proporcionar oportunidade e igualdade a todos. A partir de então leis importantes foram elaboradas, dentre elas: A Declaração de Salamanca (Política Nacional de educação especial), de 1994; e a Lei de diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.

Nesse contexto torna-se indispensável falar a respeito do psicopedagogo e do profissional de apoio, que sãos os profissionais que trabalham de forma mais direta com o público da educação especial no ambiente escolar. O trabalho do primeiro requer a elaboração de estratégias para as questões de aprendizagem e para a valorização das potencialidades do aluno, a fim de propor melhorias nos métodos de ensino.

Com isso, “a intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente. A importância da intervenção deliberada de um indivíduo sobre os outros como forma de promover desenvolvimento articula-se como um postulado básico de Vygotsky: a aprendizagem é fundamental para o desenvolvimento desde o nascimento da criança”(OLIVEIRA, 1992 apud BARROSO DE ALMEIDA JÚNIOR 2012).

O modelo educacional necessita do olhar do psicopedagogo sobre a prática pedagógica no ambiente educacional inclusivo, pois a psicopedagogia não se limita em estudar as dificuldades que o aluno apresenta no processo de ensino e aprendizagem, mas também trabalha a relação com o social, em meio à construção do conhecimento coletivo.

O psicopedagogo, portanto pode trabalhar estratégias para serem utilizadas na sala de aula e também nas salas de recursos multifuncionais, que fazem parte do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que tem por objetivo identificar e elaborar soluções pedagógicas que promovam a participação efetiva dos alunos na escola. O profissional que trabalha no AEE tem uma formação específica para trabalhar em tal área, e é denominado professor de apoio que não tem o mesmo significado e função do profissional de apoio.

Ao se tratar do último, temos como base a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, que em seu artigo 3, inciso XIII, define esse profissional como o sujeito que realiza funções de auxílio à higiene, alimentação e locomoção e que trabalha em todas as atividades do ambiente escolar, em qualquer nível de ensino e instituição. E no artigo 24, inciso XVII, a lei garante a oferta do profissional de apoio em sala de aula.

Para o acompanhamento dos alunos com necessidades especiais, tais profissionais costumam elaborar o Plano Educacional Individualizado (PEI), no qual com a colaboração do NAPNE e da CSP fazem o levantamento das necessidades, dos conhecimentos prévios, e das potencialidades e habilidades dos mesmos.

Cada ser possui a sua subjetividade, por isso o PEI deve ser elaborado de maneira única, atendendo às necessidades individuais de cada aluno. Diante disso, tem-se a ODAPP, que é uma plataforma completa de gestão terapêutica, na qual o profissional pode elaborar seus planos de maneira prática e segura. A plataforma oferece suporte ilimitado para a utilização da mesma, fazendo com que esse processo de inclusão se torne cada vez mais efetivo. Para mais informações acesse: http://www.odapp.org.

Referências bibliográficas

BARROSO DE ALMEIDA JÚNIOR, Claudovil. O psicopedagogo na Educação Especial. Estação Científica (UNIFAP), [S.l.], v. 2, n. 1, p. 01-10, nov. 2012. ISSN 2179-1902. Disponível em: <https://periodicos.unifap.br/index.php/estacao/article/view/220>. Acesso em: 16 nov. 2021.

IFSP. Plano Educacional Individualizado – NAPNE. Sorocaba. Disponível em: <https://sor.ifsp.edu.br/index.php/ultimos/87-artigos-arquivados/655-plano-educacional-individualizado-napne> . Acesso em: 16  nov.2021.

ZILIOTTO, Denise Macedo; BURCHERT, Amanda. O profissional de apoio e a inclusão de alunos público-alvo da educação especial. Roteiro, Joaçaba,  v. 45,  e21096,  jan.  2020 .   Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2177-60592020000100511&lng=pt&nrm=iso&gt;. Acesso em  16  nov.  2021.

Rebeca Collyer dos Santos –  Redatora e Editora Chefe do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Mitos e Verdades sobre o autismo

Existem diversos mitos com relação ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e embora seja um assunto que tem-se ouvido de modo mais frequente nos últimos anos, ainda é propagado e entendido de forma errônea. “Apesar dos avanços científicos na compreensão do autismo e das atualizações em documentos que trazem a sintomatologia do Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais V (DSM-V), da  American Psychiatric Association – APA (2014) e a Classificação Internacional de Transtornos Mentais e de Comportamento 11 (CID-11), da World Health Organization (2018), ainda há grande falta de entendimento sobre o que é autismo e quais são características específicas do modo de ser e de viver de pessoas com TEA” (LEMOS SHAW, Gisele Soares; LEANDRO, Leonésia  e  ROCHA-OLIVEIRA, Rafaela, 2021).

O TEA é um transtorno do Neurodesenvolvimento que é caracterizado pelas dificuldades que o indivíduo tem na interação social, na comunicação e pelo padrão restrito e repetitivo de comportamentos. A classificação desse transtorno sofreu várias alterações durante os anos gerando grande confusão. Por isso vamos citar alguns mitos propagados e explicar as verdades por trás dos mesmos.

Mito 1- A frieza e a falta de amor da mãe causa o autismo

Esse mito permanece até os dias de hoje e teve início com o psiquiatra Leo Kanner, em 1940, que criou o conceito das “mães geladeiras”. O mesmo afirmou que as crianças vivam em seu “mundo particular”, sem interação com as outras, devido à postura fria que suas mães possuíam. No entanto, posteriormente, o cientista fez publicamente uma autocrítica, compreendendo que essas mães, possivelmente, se relacionavam com maior distanciamento de seus filhos porque estes não conseguiam corresponder efetivamente a elas.

Mito 2- Todo autista é igual

Como citado anteriormente, a classificação do TEA gerou muita confusão com relação às nomenclaturas e até mesmo com relação ao próprio diagnóstico. Por isso é importante entender, de modo breve, a história.

Em 1952, o Manual diagnóstico estatístico de saúde mental (DSM) apresentava o autismo como sendo sintoma da esquizofrenia.  Já 1980, com o DSM 3, houve a separação desses transtornos, ou seja crianças que falavam sozinhas não eram vistas como aquelas que tinham alucinações, mas sim aquelas que possuíam ecolalia (repetição daquilo que a própria criança diz ou daquilo que falam).

Posteriormente, com o DSM 4, o autismo era definido pela tríade de dificuldades na  socialização, comunicação e interesses restritos e estereotipado e poderia ser classificado como Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Síndrome de Asperger, entre outras várias possibilidades.

Em 2013, com o DSM 5, a versão mais atual do DSM, essas várias possibilidades de classificação diagnóstica foram eliminadas, passando a possuir uma única termologia: Transtorno do Espectro Autista, dividido em nível I (necessita de apoio), nível II (necessita de apoio substancial) e nível III (necessita de apoio muito substancial).

Com isso, a eliminação das classificações não faz com que as pessoas com o transtorno do Espectro Autista sejam todas iguais, o diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado, especializado na área, para identificar o transtorno e sobretudo os níveis de apoio, para que o tratamento seja feito de forma individualizada, Vale ressaltar que cada sujeito é único e generalizar o tratamento não contribui para o seu real desenvolvimento.

Mito 3- As classificações do autismo se dividem em: Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e Síndrome de Asperger

Mesmo já tendo sido explicado acima, é importante enfatizar essa questão da nomenclatura, porque muitas pessoas e profissionais ainda utilizam as nomenclaturas antigas. Atualmente o termo utilizado é “Transtorno do Espectro Autista”, pelo DSM 5 e pelo CID 11(código internacional de doenças), “Transtorno do Espectro do Autismo”.

Diante disso, a Síndrome de Asperger, termo comumente utilizado,não é mais um diagnóstico possível, porque todas as pessoas que têm dificuldades de interação social e comunicação ou interesses restritos e estereotipados são classificadas como pessoas com TEA.

A mudança da classificação se justifica, porque nos Estados Unidos o tratamento é financiado pelo governo, e todos os detalhes são elementos usados para não disponibilizar o tratamento de forma gratuita ou a inclusão do sujeito em um plano de saúde. Diante disso, o diagnóstico de Síndrome de Asperger não cobria os mesmos direitos contidos no diagnóstico de autismo.

Mito 4 – Drogas e Vacinas causam o autismo

Assim como o mito das “mães geladeiras”, é errado pensar que as causas do autismo se dão devido ao uso de drogas e vacinas. O uso da primeira sem dúvida tem seus efeitos, porém não tem nenhuma relação com o transtorno citado, já o uso da segunda também em nada se relaciona. Foi comprovado que as causas são hereditárias, unicamente genéticas, e o que encontram-se são fatores de risco como: Prematuridade, idade avançada da mãe, diabetes gestacional etc.

Mito 5- Como o autismo não tem cura, não tem nada que se possa fazer

Muitos acreditam que pelo o autismo ser um transtorno e não possuir “cura” nada deve ser feito. Pelo contrário o tratamento do TEA é de extrema importância para o desenvolvimento do indivíduo. Todos possuem suas potencialidades, sobretudo pessoas com o Transtorno do Espectro autista. É fundamental que os familiares procurem profissionais capacitados para a realização desse processo e não negligenciem o crescimento dos mesmos.

No Brasil, existem profissionais e empresas qualificadas para o auxílio de pessoas com TEA e a ODAPP, é um exemplo. A empresa conta com uma gestão completa de terapias em crianças com autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento através de um software web e um aplicativo para coleta de dados. Para saber mais acesse: www.odapp.org.

Rebeca Collyer dos SantosEditora Chefe
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), e como Customer Success na empresa Odapp Autismo

Projeto “Hora do silêncio” : Iniciativa que busca trazer inclusão para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Foto por Gustavo Fring em Pexels.com

Como muitos já sabem, a hipersensibilidade (quando a pessoa percebe os estímulos do ambiente de maneira mais intensa) e a hiposensibildade (quando a pessoa busca por mais estímulos no ambiente) são características de pessoas com TEA. Existem diferentes tipos de hipersensibilidade, sendo elas: visual, sensorial, auditiva, olfativa e oral.

Quem convive com pessoas com o TEA, sabe o quão bom seria se todos entendessem e respeitassem as necessidades das mesmas. Por isso na cidade de Rio Claro (SP), na qual existem aproximadamente 2000 autistas, a prefeitura em parceria com o “Instituto Incluir”, criou o projeto “Hora do silêncio”. A implementação do mesmo foi realizada em um supermercado da cidade.

Por uma hora a luz e o som do ambiente são reduzidos, a fim de proporcionar a inclusão de pessoas com TEA, de modo que ocupem espaços na sociedade de maneira igualitária. É importante citar também que os funcionários desse supermercado, foram orientados e treinados para receber essas pessoas, com o objetivo de criar uma experiência mais agradável possível.

Para saber mais assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=s3H_iCzYJLU

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
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A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista no mercado de trabalho

O transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, que caracteriza-se por dificuldades na interação social e na comunicação e por padrão restrito e repetitivo de comportamentos. Desde 2013, a partir da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o termo é utilizado para referir-se às pessoas que anteriormente recebiam o diagnóstico de “Autismo, Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância e Transtorno Global do Desenvolvimento sem Outra Especificação”.

Dessa maneira, há uma grande discussão a respeito do Transtorno do Espectro Autista, sendo que a gravidade e a incidência geram preocupações aos familiares e aos profissionais da área da saúde e da educação. Após a aprovação da Lei 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, a inclusão para esse público vem sendo pensada e discutida para que de fato ocorra.

Diante disso, é possível observar os avanços nos serviços de suporte, bem como nas terapias de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista, que, consequentemente, geram um aumento na procura pelo mercado de trabalho. No entanto, o ingresso e a manutenção no último tornam-se desafiadores para as pessoas com diagnóstico de TEA. De acordo com Leopoldino (2015) as pessoas com TEA relatam três grandes dificuldades, referentes à inclusão no mercado de trabalho, sendo elas: dificuldade em conseguir emprego, em manter-se nele e a obtenção de uma colocação compatível com a sua formação e expectativas.

Portanto, é possível observar dificuldades e descontinuidades no processo de inclusão de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista no mercado de trabalho, sendo que as barreiras enfrentadas por essas pessoas são provenientes de dificuldades estruturais, culturais e específicas do próprio transtorno. (LEOPOLDINO; COELHO, 2017).

Em suma, os mesmos autores citados acima, afirmam que a inclusão de pessoas com TEA, no mercado de trabalho, deve ser considerada como um processo de ações coordenadas, provenientes de políticas públicas relativas ao tema, no qual deve envolver: preparação dos indivíduos; adequações do ambiente laboral; encaminhamento destes para o mercado de trabalho; e o acompanhamento de todo o processo desde a contratação até o desenvolvimento do indivíduo no ambiente de trabalho.

Fonte: Revista Educação Especial, v. 32, 2019 – Publicação Contínua

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa Odapp Autismo.

Duas colocações de José Salomão Schwartzman no Programa “Profissão Repórter” de 19/06/2019 na TV Globo

“…A pessoa com autismo não responde a apenas uma consulta semanal de 40 minutos, por exemplo. Ela precisa ser massivamente trabalhada. Recomenda-se acompanhamento de psicólogos altamente especializados de, no mínimo, 10 a 40 horas semanais…”

“…Não existe uma criança autista numa família sadia. A família também passa a ser autista. Passa a viver numa dinâmica completamente diferente do que se tivesse apenas um filho típico. O que a gente faz pouco no Brasil é um atendimento intensivo à família, como grupos de pais. Não adianta cuidar da criança autista sem levar em conta o ambiente familiar em que ela vai crescer. Para que o tratamento do autismo seja eficaz, é fundamental que a família também seja capacitada e orientada. Os pais, os terapeutas, a escola e o meio em que a pessoa com TEA vive devem apresentar uma postura mais ou menos similar…”

Profissional de apoio para aluno com autismo na rede pública de ensino

Inicialmente, cumpre mencionar que a Lei nº 12.764/12, que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, determina em seu parágrafo único, art. , que em caso de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista, matriculada na rede regular de ensino terá direito a acompanhante especializado. Contudo, a lei não explica o que seria este acompanhamento especializado.

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