Inclusão, Suporte e Adaptação para crianças com TEA no ambiente escolar

É de extrema importância promover adaptações no ambiente físico, escolar, familiar e social. As adaptações fazem parte da inclusão, pois com o suporte necessário o indivíduo pode se desenvolver, se comunicar e interagir da melhor maneira possível. Cada pessoa, sobretudo, com Transtorno do Espectro Autista, possui suas individualidades, suas necessidades, bem como suas potencialidades, por isso é necessário conhece-las a fim de proporcionar a adaptação ideal e funcional para cada uma.

Quando falamos em inclusão e adaptação, um dos espaços que pensamos é sem dúvida a escola, pois a mesma se destaca por favorecer o desenvolvimento infantil. Isso ocorre devido a convivência social que as crianças têm umas com as outras e também pelo importante papel do professor de mediar as diferentes formas de aprendizado e aquisições de habilidades.

De acordo com Höher Camargo e Bosa (2012), o contexto escolar proporciona contatos sociais, favorecendo o desenvolvimento da criança autista, assim como o das demais crianças, pois na medida em que convivem, as mesmas aprendem com as diferenças. Já Silva e Facion (2008) corroboram com os autores, afirmando que os demais alunos irão se enriquecer por terem a oportunidade de conviver com as diferenças.

Com isso, podemos fazer associação com o conceito de mediação de Vygotsky, pois todo o processo realizado dentro de sala de aula, dos alunos aprenderem e auxiliarem uns aos outros, pode ser considerado mediação da aprendizagem, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento das crianças.

E para que toda a interação e a inclusão ocorram, quais sãos os tipos de suporte e adaptações que podem ser pensados no ambiente escolar? Veja alguns exemplos:

  • Material Pedagógico Adaptado (Cartões de Comunicação, Prancha de Comunicação Alternativa, Livros adaptados, informática acessível);
  • Acompanhante Especializado na sala de aula (profissional de apoio);
  • PEI(Plano Educacional Individualizado);
  • Adaptação de aulas extras como nas aulas de Educação física e música;
  • Atenção e cuidado nas necessidades sensoriais da criança.

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Referências

HÖHER CAMARGO, S. P.; BOSA, C. A. Competência social, inclusão escolar e autismo: um estudo de caso comparativo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v.28, n.3, p.315-324, 2012

Lemos, Emellyne Lima de Medeiros Dias, Salomão, Nádia Maria Ribeiro e Agripino-Ramos, Cibele Shírley. Inclusão de crianças autistas: um estudo sobre interações sociais no contexto escolar. Revista Brasileira de Educação Especial [online], v. 20, n. 1, p. 117-130, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbee/a/GS4c9BPW9PW8ZqzBGjx7Kzj/?lang=pt >. Acesso em: 25 de abr de 2022.

SCHIRMER, Carolina Rizzotto; FERREIRA PINTO, Luciana Meira; RACHED, Ana Caroline. Material pedagógico adaptado ou especialmente elaborado e os recursos de Comunicação Alternativa e Ampliada postados no WhatsApp. In: NUNES, L. R. O. P., and SCHIRMER, C. R., orgs. Salas abertas: formação de professores e práticas pedagógicas em comunicação alternativa e ampliada nas salas de recurso multifuncionais [online]. Rio de Janeiro: EDUERJ.p. 207-241, 2017. Disponível em: < https://books.scielo.org/id/xns62/pdf/nunes-9788575114520-12.pdf>.  Acesso em: 25 de abr de 2022.

SILVA, M. F. M. C.; FACION, J. R. Perspectivas da inclusão escolar e sua efetivação. In FACION, J. R. (Org.). Inclusão escolar e suas implicações. 2ª ed. Curitiba: Ibpex. p.185-216, 2008.

SIMONE, Leal. A escola parece inclusiva mas não é quando. 20 de abr de 2022. Instagram: @atipicamente.azul. Disponível em: < https://instagram.com/atipicamente.azul?igshid=YmMyMTA2M2Y=>. Acesso em: 26 de abr de 2022.

VYGOTSKY, L. S. Formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga no Instituto CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Quais são os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista?

“O final do ano de 2012 foi um marco decisivo em relação aos direitos da pessoa com autismo. A Lei 12.764 de 27/12/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, determinou que a pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Lembrando que a Lei é federal, portanto, vale em qualquer lugar do Brasil. A Lei 13.146 de 06/07/2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência ou conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, confirma e solidifica muitos direitos não somente da pessoa com autismo, mas também de toda pessoa com deficiência, sendo essa juntamente com a Lei Berenice Piana, as principais fontes de busca e garantia de direitos.”(Autismo Legal, 2022).

Embora muitos desconhecem, o autista possui direitos na saúde, na educação, no trabalho, na previdência(BPC/LOAS), no transporte, no lazer, e civis. Aqui citarei apenas alguns para conhecimento.

Com relação aos direitos na área da saúde, um deles é referente a regulamentação da ANS (Agência Nacional de Saúde), na qual estabelece limites de sessões de terapia, de acordo com o tipo da terapia. As Pessoas que são diagnosticadas dentro do Transtorno do Espectro Autista pelo código (F84.*) do cid 10 tem um limite diferenciado. Além disso, o limite que é determinado não significa o número máximo, mas sim o mínimo, por isso caso seja necessário e comprovado, pelo médico, o convênio médico é obrigado a disponibilizar quantas sessões forem necessárias para o paciente.

Na educação são muitos os direitos. A pessoa com TEA tem direito desde o transporte que o leva para a escola até a uma pessoa que irá acompanhá-lo durante os estudos, intermediando suas relações escolares. Uma questão importante referente a educação é a escola negar a matrícula de um aluno por causa do TEA. Não existe limite máximo de vagas para alunos de inclusão, se a escola afirmar isso, saiba que é crime de discriminação.

Já abordando sobre os direitos na previdência, todo deficiente, e idoso, de baixa renda tem direito a um benefício chamado Benefício de Prestação Continuada (BPC). As pessoas, na maioria das vezes, fazem referência ao BPC como LOAS. No Entanto, LOAS é a Lei Orgânica de Assistência Social. É de extrema importância entender que o benefício não é uma aposentadoria, e a principal diferença é que quem tem BPC ou LOAS não recebe 13º salário, e também não é “herdável” pelos dependentes.

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Referências

Autismo Legal. Direitos do Autista. Butantã, São Paulo. Disponível em: <www.autismolegal.com.br/e-book>. Acesso em: 13 de abr de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Autismo em Idosos

Você já observou que pouco se fala em autismo em idosos? Isso acontece, porque na década de 50 o autismo era visto como um sintoma da esquizofrenia, por isso muitas pessoas que são idosas hoje, em sua infância, adolescência e juventude foram diagnosticadas de modo equivocado.

Então podemos nos perguntar: “onde estão os idosos com Transtorno do Espectro do Autismo agora? será que a vida inteira foram vistos como doentes mentais e não tiveram o tratamento adequado?” É possível ir além e questionar que muitos por possuírem um comportamento considerado agressivo, viveram em prisões, nas ruas e em locais de segregação social ao invés de serem tratados e incluídos.

“Geralmente, adolescentes e adultos com transtorno do espectro autista são propensos a ansiedade e depressão. Apesar de ser um espectro amplo, diverso e particular com características singulares para cada indivíduo, o transtorno do espectro autista possui um grande impacto em crianças, família, comunidade e sociedade” (APA, 2014 apud CAVALCANTE et.al, 2021).

A transição que ocorre da adolescência para a fase adulta é repleta de desafios e inúmeras possibilidades para qualquer indivíduo, sobretudo para aqueles com TEA, devido às suas particularidades, por isso o sucesso dessa transição não depende apenas do nível de funcionalidade e autonomia, mas também das redes de apoio existentes para apoiar tais pessoas. De acordo com Vicente e Rasga (2017), os serviços disponíveis para o tratamento do TEA tendem a aumentar, tendo em vista que há algumas décadas o autismo recebia menos atenção das comunidades e da área da educação se comparado a hoje e que muito adultos e idosos ficavam sem registros e diagnósticos corretos

As mesmas autoras destacam que na fase adulta não existe uma resposta adequada dos serviços sociais, pois a partir do momento em que a pessoa sai da escola espera-se que a mesma encontre soluções para se desenvolver e tenha capacidade de executar determinada ocupação na sociedade. No entanto isto muitas vezes não ocorre devido à falta de um ensino superior adaptado ou de um emprego protegido, embora há sim instituições e empresas que prezam pelos direitos e proteção de adultos com TEA.

Hendricks e Wehman (apud Rosa 2015), corroboram essa questão em suas pesquisas relacionadas à transição do período escolar para a vida adulta em pessoas com TEA, pois em seus resultados apresentaram que apesar da existência de políticas públicas para a implementação de planos de transição para a vida adulta, os alunos com TEA, em sua grande maioria, não recebem, ou receberam serviços de apoio necessários para a realização desta transição. Com isso podemos indagar: “Como os idosos possuem qualidade de vida e tratamento adequado se na transição da fase escolar para a fase adulta não possuem necessariamente os apoios e os cuidados necessários?”.

Por isso, é importante pensarmos no hoje e no agora, pois as pessoas com TEA hoje, serão os idosos de amanhã. Atualmente, em 2022 temos um diagnóstico mais preciso e correto devido ao avanço da ciência e dos estudos, diante disso é possível uma melhor qualidade de vida e um tratamento a longo prazo para tais pessoas.

E para que tudo isso possa acontecer de maneira prática e eficiente, temos a ODAPP, que é uma plataforma de gestão terapêutica completa que auxilia o profissional da saúde em seus atendimentos. Para saber mais acesse: www.odapp.org.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Até a próxima semana!

Referências

CAVALCANTE, Juliana Lima et.al. Qualidade de vida de autistas idosos: uma revisão narrativa. Ciência em Movimento – Educação e Direitos Humanos, v. 23, n. 46, p.  65-73, 2021.

KWANT, Fátima de. Idosos autistas. Holanda, 23 de out de 2019. Instagram: @fatimadekwant.  Disponível em: <https://www.instagram.com/p/B39a3Z_FHNk/&gt;. Acesso em: 13 de jan de 2022.

ROSA, Fernanda Duarte. Autistas em idade adulta e seus familiares : recursos disponíveis e demandas da vida cotidiana. Tese (Doutorado). Universidade Federal de São Carlos, 2015.

VICENTE, Astrid M.; RASGA, Célia. O que acontece quando as crianças com autismo crescem? Um estudo exploratório. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Lisboa, Portugal. Ed.especial 9,n.5,p.24-28, 2017.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.