ABA e o Autismo

O que é ABA?

Certamente se você recebeu o diagnóstico do seu pequeno, já deve ter ouvido falar sobre a Análise do comportamento Aplicada, seja por orientação médica/profissional ou por ter pesquisado sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Caso você ainda não tenha ouvido falar, não tem problema, este texto será uma oportunidade de conhecimento a respeito do tema.

A sigla ABA é utilizada para referir-se à Análise do Comportamento Aplicada (em inglês: Applied Behavior Analysis).  De acordo com Hübner (2019), ABA é uma ciência complexa derivada do behaviorismo de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). É uma abordagem baseada em evidências científicas, utilizada mundialmente, e foi originada nos EUA, na década de 60.  Sabe-se que não foi desenvolvida unicamente para o tratamento do Transtorno do Espetro do Autismo, porém, atualmente, há grandes resultados nessas área, por ensinar habilidades, reduzir os comportamentos repetitivos e estereotipados e por funcionar de modo intensivo e sistemático.

Características da Terapia baseada em ABA

As características gerais de uma intervenção baseada na ABA, envolvem alguns pontos importantes, como: a identificação de comportamentos e habilidades que precisam ser melhorados, seleção e descrição dos objetivos, e delineamento de uma intervenção que envolva as estratégias comprovadamente efetivas para modificar determinados comportamentos. O objetivo é que os comportamentos aprendidos e modificados sejam generalizados para diversas áreas da vida do indivíduo (Camargo & Rispoli, 2013; Cartagenes et al., 2016; Fisher & Piazza, 2015).

Para que isso ocorra, o profissional deve realizar manejos comportamentais que são necessários para o desenvolvimento da criança, como criar diferentes maneiras de brincar com os brinquedos, elogiar, imitar e reproduzir o comportamento da criança (Shillingsburg, Hansen, & Wrigth, 2018). Os comportamentos alvos devem ser medidos e constantemente definidos. Deve-se aumentar a motivação por meio de fornecimento variado de reforços (seja algum brinquedo, objeto que a criança goste ou elogios). É necessário também: fornecer instruções claras e diretas, identificar e usar instruções efetivas, reforçar toda vez que a criança se aproximar do comportamento-alvo (modelação), buscar respostas simples em comportamentos mais complexos e, por fim, usar métodos explícitos para a promoção da generalização e a manutenção dos comportamentos, em que os comportamentos alvos sejam reproduzidos em vários contextos da vida da criança (Fisher & Piazza, 2015).

Além disso, a ABA caracteriza-se por realizar uma coleta de dados antes, durante e depois da intervenção. O acompanhamento dessas informações tem como objetivo analisar o progresso individual da criança, bem como auxiliar na tomada de decisões em relação aos programas de intervenção e as possíveis estratégias.

Quais profissionais podem aplicar/trabalhar com a ABA?

Normalmente os psicólogos que trabalham com a Psicoterapia Comportamental realizam a intervenção em ABA, entretanto outros profissionais como fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais que possuem formação e especialização em ABA também podem utiliza-la.

Considerações finais

Para o tratamento de crianças com TEA, procure sempre profissionais qualificados, sobretudo com qualificação em ABA, pois é a ciência que traz melhores resultados.

Se você trabalha com ABA e realiza a coleta de dados durante a intervenção, bem como elabora planos terapêuticos e programas, acesse www.odapp.org e conheça a praticidade em suas mãos.

Obrigada por me acompanhar até aqui!

Referências

GAIATO, Mayra. ABA e os profissionais que podem usar. 2019 (04:23). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=m2Gd2DwgRps >.    Acesso em: 24 de mai de 2022.

MACIEL, Islaine. Análise do Comportamento auxilia no tratamento de TEA. Jul de 2019. Disponível em: < https://sites.usp.br/psicousp/analise-do-comportamento-auxilia-no-tratamento-de-tea/#:~:text=Em%20entrevista%20a%20professora%20do,%2C%20na%20d%C3%A9cada%20de%2060%E2%80%9D >.  Acesso em: 23 de mai de 2022.

SOUSA, Deborah Luiza Dias de et al. Análise do comportamento aplicada: a percepção de pais e profissionais acerca do tratamento em crianças com espectro autista. Contextos Clínic,  São Leopoldo ,  v. 13, n. 1, p. 105-124, abr.  2020 . Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822020000100007#:~:text=Os%20resultados%20mostram%20que%20a,os%20comportamentos%20repetitivos%20e%20estereotipias.>. Acesso em: 23 de mai de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Análise do comportamento e autismo: marcos históricos descritos em publicações norteamericanas influentes

A análise do comportamento aplicada (ABA) ao autismo constitui-se como um domínio influente nos EUA, cuja eficácia dos procedimentos provenientes desse campo é amplamente reconhecida. O entendimento das contingências que operam nesse ambiente profissional e o conhecimento das práticas que vêm produzindo sucesso como consequência podem trazer benefícios para outros ambientes, incluindo a comunidade científica brasileira. O objetivo deste artigo é apresentar uma breve narrativa de marcos históricos e práticas descritos em leituras influentes no contexto acadêmico norte-americano, com ênfase na formação profissional e práticas aplicadas ao TEA. Questões relacionadas à evolução da área no Brasil são discutidas.

Fonte: Oda, F. (2018). Análise do comportamento e autismo: Marcos históricos descritos em publicações norteamericanas influentes. Revista Brasileira De Terapia Comportamental E Cognitiva20(3), 86-98. https://doi.org/10.31505/rbtcc.v20i3.1218

Volume 9 da coleção Comportamento em foco com ênfase em Análises Teóricas, Educação e Questões Sociais

A Editora da ABPMC anunciou no final de 2019 o lançamento do Volume 9 da coleção Comportamento em foco com ênfase em Análises Teóricas, Educação e Questões Sociais, referente aos encontros Brasileiros de Psicologia e Medicina Comportamental de 2016-2017. O volume é composto por 18 capítulos sobre: aprendizagem de sentenças, Gerontologia Comportamental, Transtornos de Conduta e Opositivo Desafiador, controle aversivo do comportamento, renovação comportamental, estratégias de disseminação da análise do comportamento, ensino de soma e subtração para indivíduos com autismo, efeito do uso de selos ambientais,  uso de drogas, famílias e políticas públicas, Performance Diagnostic Check-list, além de leituras comportamentais de temas como dor, negritude, identidade de gênero, metodologias ativas e atuações no ambiente escolar. 

O Volume 9 da coleção Comportamento em Foco, assim como os demais já publicados, está disponível gratuitamente no formado de e-book (pdf) e pode ser acessado no seguinte link: http://abpmc.org.br/publicacoes.php?inf=3