Seletividade Alimentar, você sabe o que é?

Introdução

“A seletividade alimentar é caracterizada por recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento. É um comportamento típico da fase pré-escolar, mas, quando presente em ambientes familiares desfavoráveis, pode acentuar-se e permanecer até a adolescência.” (SAMPAIO et.al, 2013).

Entretanto em caso de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, o comportamento não se limita a fase da pré-escola e da adolescência, pois as causas podem se relacionar a questões sensoriais, comportamentais ou motoras orais. Podem ter ligação também com questões visuais, de sabor ou de cheiro, bem como com questões de rigidez comportamental, tendo em vista que algumas crianças não querem quebrar padrões que possuem como alterar o que já têm o costume de comer ou a forma que comem.

O que fazer

O primeiro ponto a ser levado em consideração é o respeito que deve-se ter com a criança, pois o trabalho com a seletividade alimentar não deve acarretar sofrimento para a criança e seus familiares. Por isso enfatizo, mais uma vez, a importância do trabalho multidisciplinar com uma equipe especializada com fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, nutricionista e pediatra.

Em segundo, lito aqui algumas orientações importantes:

  • Nunca subestime o que a criança está sentindo;
  • Nunca force a alimentação;
  • Não coloque de castigos e não faça trocas (a alimentação não deve se relacionar com algo ainda mais aversivo);
  • Coloque a criança para participar do preparo dos alimentos;
  • Faça aproximações sucessivas;
  • Deixe a criança brincar com o alimento que ainda não come;
  • Promova variações do alimento, como várias texturas, e seja o modelo para seu filho.

Importante

Como afirma Magagnin et.al (2021), cada indivíduo manifesta padrões alimentares próprios, através de diversos fatores biológicos, ambientais, sociais e familiares que interagem entre si. Dessa forma, algumas crianças apresentam comportamentos alimentares desadaptativos, enquanto outras enfrentam grandes dificuldades com relação à alimentação. Isso faz com que olhemos o indivíduo com TEA para além do diagnóstico, pois mesmo compartilhando o mesmo transtorno apresentam uma variabilidade sintomática particular de cada um.

Obrigada por me acompanhar até aqui! Para saber mais sobre a ODAPP acesse www.odapp.org.

Referências:

Magagnin, Tayná et al. Aspectos alimentares e nutricionais de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. Physis: Revista de Saúde Coletiva [online]. 2021, v. 31, n. 01.p.1-21. Disponível em:< https://www.scielo.br/j/physis/a/WKnC7ffTK4CJZbgbCJRcChS/#>. Acesso em: 17 de mai de 2022.

Sampaio, Ana Beatriz de Mello et al. Seletividade alimentar: uma abordagem nutricional. Jornal Brasileiro de Psiquiatria [online]. 2013, v. 62, n. 2. p. 164-170. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/XMDX3Wc8Xn7XbcYvRfjdSpd/?lang=pt# >. Acesso em: 17 de mai de 2022.

TORRES, Débora. Seletividade Alimentar no Autismo. Brasil, 16 de mai de 2022. Instagram: @psicodeboratorres.  Disponível em: <https://www.instagram.com/p/CdnkUIkAccF/ >.  Acesso em: 16 de mai de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Projeto “Hora do silêncio” : Iniciativa que busca trazer inclusão para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Foto por Gustavo Fring em Pexels.com

Como muitos já sabem, a hipersensibilidade (quando a pessoa percebe os estímulos do ambiente de maneira mais intensa) e a hiposensibildade (quando a pessoa busca por mais estímulos no ambiente) são características de pessoas com TEA. Existem diferentes tipos de hipersensibilidade, sendo elas: visual, sensorial, auditiva, olfativa e oral.

Quem convive com pessoas com o TEA, sabe o quão bom seria se todos entendessem e respeitassem as necessidades das mesmas. Por isso na cidade de Rio Claro (SP), na qual existem aproximadamente 2000 autistas, a prefeitura em parceria com o “Instituto Incluir”, criou o projeto “Hora do silêncio”. A implementação do mesmo foi realizada em um supermercado da cidade.

Por uma hora a luz e o som do ambiente são reduzidos, a fim de proporcionar a inclusão de pessoas com TEA, de modo que ocupem espaços na sociedade de maneira igualitária. É importante citar também que os funcionários desse supermercado, foram orientados e treinados para receber essas pessoas, com o objetivo de criar uma experiência mais agradável possível.

Para saber mais assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=s3H_iCzYJLU

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos.
Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), e como Customer Success na empresa Odapp Autismo

Benefícios da terapia ocupacional para crianças com autismo

No Brasil, a Integração Sensorial é uma linha de atuação exclusiva da área da terapia ocupacional e uma das poucas com evidências científicas exclusivas para tratar problemas de processamento sensorial. Segundo essa metodologia de trabalho, o processamento sensorial é a habilidade do sistema nervoso central de absorver, processar e organizar as informações trazidas pelos sentidos e gerar respostas adequadas, seja em forma de comportamento ou aprendizagem.

No caso de uma criança neurotípica, logo que nasce, o cérebro dela recebe informações sensoriais, organiza e dá sentido a elas, respondendo em forma de aprendizagem e comportamentos. O processamento sensorial de crianças autistas é afetado em 95% dos casos: nelas, o processamento das informações sensoriais ocorre de forma desordenada e insatisfatória, gerando respostas inadequadas e atraso nas habilidades em diferentes domínios do desenvolvimento e prejudicando o seu desempenho ocupacional. Vale destacar que os sentidos considerados vão além da visão, audição, olfato, paladar e tato. Existe também o sentido vestibular (responsável pelo equilíbrio) e o proprioceptivo (que responde pela consciência dos movimentos produzidos pelos membros de nosso corpo). 

Saiba mais aqui