Base de conhecimento

Críticas sobre ABA – Análise do Comportamento Aplicada

Outras linhas da Psicologia têm um entendimento diferente do que é autismo e argumentam que o tratamento na perspectiva ABA robotiza a criança. A resposta para essa crítica de quem trabalha com ABA é que, pelo fato das pessoas com autismo terem uma compreensão mais literal das coisas, é que explorar uma abordagem mais compreensiva não funciona já que eles não são capazes de alcançar todo o conteúdo em jogo. Uma vez estabelecida uma rotina de aprendizagem por vias concretas, com uso de feedbacks imediatos, a criança com autismo mais severo começa a desenvolver certas compreensões e vai construindo generalizações, e o tratamento pode partir para outras demandas. É importante ainda compreender que é possível que uma pessoa com autismo precise de muitas intervenções ao longo da vida, inclusive quando adulto, mas isso não significa que se tornou dependente dos processos. A ABA sofre críticas também quando é aplicada de maneira uniforme, como se fosse um manual com tópicos a serem implementados no tratamento. Considerar o indivíduo e suas características dentro da ampla diversidade do TEA é essencial.

Existem várias maneiras já sistematizadas que podem ser usadas, de diferentes linhas da Psicologia. Independente da linha escolhida, os especialistas ressaltam que o tratamento deve começar o mais cedo possível, as terapias devem ser adaptadas às necessidades específicas do indivíduo e a eficácia do tratamento deve ser medida conforme os avanços da criança. Evidence-Based Practices for Children, Youth, and Young Adults with Autism Spectrum Disorder (em inglês) é um manual assinado por universidades e órgãos governamentais dos Estados Unidos e que reúne pesquisas numa ampla base de dados e aponta as que comprovam o que é realmente tem resultados quando o assunto é autismo e tem uma tabela com procedimentos baseados em evidências científicas e outros procedimentos que ainda não conseguiram status científicos, mas são emergentes. Dentre as práticas baseadas em evidências, 90% são derivadas da ABA. Nessa tabela, por exemplo, aparece “exercício físico” como sendo um procedimento eficaz para a pessoa com autismo. Ele, em si, não é um procedimento da ABA, mas as pesquisas apontam que ele apresenta bons resultados quando usado com metodologias da ABA – por exemplo, o feedback imediato.

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Programas baseados em ABA podem ser realizados na escola

O tratamento só funciona se for realizado em conjunto pela equipe formada geralmente por acompanhante terapêutica (AT, também chamada de tutora), terapeuta, professora e demais adultos que convivam com a criança. Quanto mais gente envolvida no processo, melhor. Isso inclui até os colegas de classe da criança, que devem ser orientados para conviver com ela de forma saudável, sem preconceitos ou receio. É importante, então, compreender que é possível, em sala de aula, se valer de procedimentos da ABA, mas que não faz sentido lançar mão deles como se fosse o passo a passo de uma receita culinária. O modo mais estruturado de trabalhar (com tentativa discreta), funciona para crianças com autismo mais severo, enquanto o ensino naturalístico incidental funciona para crianças com autismo mais leve.

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Modelo DIR/Floortime

Criado no final da década de 1980, o método DIR®/Floortime™ foi patenteado pelos pesquisadores norte-americanos Stanley Greenspan e Serena Wieder e aplicado em diversas escolas e instituições nos Estados Unidos e na Europa. Para eles, o afeto e os relacionamentos têm um papel fundamental no desenvolvimento da aprendizagem e saúde mental das crianças com autismo onde devemos olhar para as competências sociais, emocionais e intelectuais.

Developmental, Individual Difference, Relationship-based Model (as iniciais das palavras em inglês, significam, em português: “Desenvolvimento funcional emocional”; “Diferenças Individuais” e “Relacionamento”) é um modelo terapêutico com base no desenvolvimento nas diferenças individuais e nas relações interpessoais de crianças com alguma alteração no desenvolvimento da sociabilidade, dentre elas, o autismo. A ideia é ajudá-las a utilizar suas capacidades levando em conta a etapa do desenvolvimento em que se encontram e como processam as informações que recebem do entorno. Em outras palavras, o objetivo é a formação de alicerces para as competências sociais, emocionais e intelectuais, em vez de focar em habilidades isoladas. O modelo DIR® entende a criança como um ser único e, na sua individualidade, busca construir as bases para que ela possa pensar, se comunicar e se relacionar, apesar das suas limitações. A abordagem Floortime™ faz parte do modelo DIR® como a principal estratégia para sistematizar a brincadeira com a criança e proporcionar sua progressão sobre as etapas do desenvolvimento. É uma abordagem que pode ser utilizada por profissionais de várias áreas (psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais) e familiares capacitados. A participação da família é importante devido à relação emocional e ao fato de passarem a maior parte do tempo com a criança. No Floortime (tempo de chão), a família e/ou terapeuta segue os interesses da criança ao mesmo tempo em que a desafia a alcançar maior domínio das capacidades sociais, emocionais e intelectuais.

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Análise do Comportamento Aplicada (ABA, na sigla em inglês)

No campo da Psicologia do Comportamento, diversos profissionais trabalham com programas de intervenção baseados na Análise Aplicada do Comportamento (ABA, da sigla em inglês Applied Behavior Analysis),atualmente considerados como tratamento baseado em evidências para o TEA.

O primeiro objetivo de se aplicar ABA é ampliar o repertório comportamental e de conteúdos curriculares, de modo que a criança melhore a interação e a comunicação social, aprendendo a pedir, explicitar o que não quer, ler, ir ao banheiro etc. O segundo tem a ver com diminuir a frequência de comportamentos disruptivos (se bater e morder, bater e morder o outro, gritar, arremessar objetos, etc).

O trabalho com a criança deve ser planejado com base na aprendizagem sem erros, pois assim são diminuídas as chances de haver atrasos no desenvolvimento da criança, a desmotivação do indivíduo (o que poderia ocorrer com aprendizagem baseada na tentativa e erro), a desistência e a emissão de comportamentos disruptivos. Além de planejar o ensino de comportamentos ou conteúdos curriculares em pequenos passos e fragmentar as tarefas, o trabalho com ABA leva em conta o que existe e é possível de ser visto, manuseado (concreto) para os casos mais severos de autismo. Outros dois conceitos essenciais: dicas (para que a criança consiga emitir o comportamento correto) e feedbacks imediatos (para mantê-la motivada, engajada, e volte a fazer novamente, queria aprender).

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Comissão de Direitos Humanos aprova carteira de identificação para autistas

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou nesta quinta-feira (27) o Projeto de Lei 2.573/2019, que prevê a confecção de carteira de identificação da pessoa com transtorno do espectro autista (TEA).

O objetivo é assegurar atendimento prioritário em serviços públicos e privados, em especial nas áreas de saúde, educação e assistência social.

A relatora, senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), apresentou voto favorável. Na opinião da parlamentar, o autismo é uma deficiência invisível aos olhos, por não afetar a aparência, e por isso precisa de uma comprovação para o atendimento prioritário.

— Alguns municípios no Brasil já adotam a carteira de identificação. O documento não é apenas importante; é verdadeiramente essencial em estabelecimentos comerciais ou públicos, em particular os de saúde — afirmou.

A proposta segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Fonte: Da Redação – Agência Senado | 27/06/2019, 12h09

Em 2018, o número de estudantes com autismo matriculados em classes comuns no país foi de 105.842

Em 2018, o número de estudantes com autismo matriculados em classes comuns no país foi de 105.842

De acordo com o Censo Escolar, divulgado anualmente pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2018, o número de estudantes com autismo matriculados em classes comuns no país foi de 105.842. O número é um retrato da obrigatoriedade legal das escolas em não recusarem a matrícula. Porém, o número de crianças e adolescentes autistas é muito maior que o número daqueles que estão estudando. Muitos, portanto, ainda permanecem nas suas casas, sem terem a mesma oportunidade que as demais crianças e adolescentes.

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Discriminação contra pessoas com autismo poderá ser relatada via disque-denúncia

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou, no último dia 13 de junho, um projeto de lei que obriga o Poder Público a criar um disque-denúncia de ações contra pessoas autistas. O canal será disponibilizado em âmbito nacional através de um número composto por três dígitos. Após serem registradas, as reclamações serão encaminhadas às autoridades competentes.

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Duas colocações de José Salomão Schwartzman no Programa “Profissão Repórter” de 19/06/2019 na TV Globo

“…A pessoa com autismo não responde a apenas uma consulta semanal de 40 minutos, por exemplo. Ela precisa ser massivamente trabalhada. Recomenda-se acompanhamento de psicólogos altamente especializados de, no mínimo, 10 a 40 horas semanais…”

“…Não existe uma criança autista numa família sadia. A família também passa a ser autista. Passa a viver numa dinâmica completamente diferente do que se tivesse apenas um filho típico. O que a gente faz pouco no Brasil é um atendimento intensivo à família, como grupos de pais. Não adianta cuidar da criança autista sem levar em conta o ambiente familiar em que ela vai crescer. Para que o tratamento do autismo seja eficaz, é fundamental que a família também seja capacitada e orientada. Os pais, os terapeutas, a escola e o meio em que a pessoa com TEA vive devem apresentar uma postura mais ou menos similar…”

Análise do Comportamento Aplicada (ABA) por Claudia Romano Pacífico e Joana Portolese

Claudia Romano Pacífico, doutora em ABA, coordenadora das intervenções baseadas em ABA do Programa de Transtornos do Espectro Autista (PROTEA) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq – USP) é diretora e sócia-fundadora do Centro de Intervenção Comportamental Gradual, em São Paulo. Joana Portolese, neuropsicóloga e assessora de autismo do Instituto Pensi, em São Paulo.

Objetivos das intervenções baseadas em ABA

Ampliar o repertório comportamental e de conteúdos curriculares, de modo que a criança melhore a interação e a comunicação social, aprendendo a pedir, explicitar o que não quer, ler, ir ao banheiro etc. Diminuir a frequência de comportamentos disruptivos (se bater e morder, bater e morder o outro, gritar, arremessar objetos, etc).

Prática para alcançar os objetivos

O trabalho com a criança com autismo deve ser planejado com base em alguns conceitos essenciais focados na aprendizagem sem erros, pois assim são diminuídas as chances de haver atrasos no desenvolvimento da criança, a desmotivação do indivíduo (o que poderia ocorrer com aprendizagem baseada na tentativa e erro), a desistência e a emissão de comportamentos desruptivos. Além de planejar o ensino de comportamentos ou conteúdos curriculares em pequenos passos e fragmentar as tarefas, o trabalho com a ABA leva em conta o que existe e é possível de ser visto, manuseado (concreto) para os casos mais severos de autismo. Outros dois conceitos essenciais: dicas (para que a criança consiga emitir o comportamento correto) e feedbacks imediatos (para mantê-la motivada, engajada, e volte a fazer novamente, queria aprender).

Programas baseados em ABA realizados na escola

O tratamento só funciona se for realizado em conjunto pela equipe formada geralmente por acompanhante terapêutica (AT, também chamada de tutora), terapeuta, professora e demais adultos que convivam com a criança. Quanto mais gente envolvida no processo, melhor. Isso inclui até os colegas de classe da criança, que devem ser orientados para conviver com ela de forma saudável, sem preconceitos ou receio. É importante, então, compreender que é possível, em sala de aula, se valer de procedimentos da ABA, mas que não faz sentido lançar mão deles como se fosse o passo a passo de uma receita culinária. O modo mais estruturado de trabalhar (com tentativa discreta), funciona para crianças com autismo mais severo, enquanto o ensino naturalístico incidental funciona para crianças com autismo mais leve.

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Treinamento de Respostas Pivôs (PRT)

Resultado do trabalho de pesquisadores como Robert Koegel, o Treinamento de Respostas Pivôs (Pivotal Response Treatment®, PRT® (na sigla em inglês) é um método de intervenção comportamental e considerado uma ramificação da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Esse tratamento lança mão da motivação da criança com autismo para ensinar a ela novas habilidades em situações naturais e em ambientes variados. O achado de Koegel e seus colaboradores, que deu origem ao PRT®, foi perceber que crianças com autismo se revelavam bastante desinteressadas em aprender. Apesar disso, quando expostas a situações naturais, sem formalidade e com respeito às escolhas feitas por elas, a aprendizagem acontecia com maior frequência e de modo mais natural.

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