Base de conhecimento

Reconhecendo crianças e jovens que podem ser autistas

“Considere a possibilidade de Transtorno do Espectro Autista – TEA se houver preocupações sobre desenvolvimento ou comportamento, mas esteja ciente de que pode haver outras explicações para sinais e sintomas individuais. Sempre leve a sério as preocupações dos pais ou responsáveis ​​e, se apropriado, as preocupações da criança ou do jovem, sobre comportamento ou desenvolvimento, mesmo que não sejam compartilhadas por outras pessoas. Ao considerar a possibilidade de autismo e encaminhar uma criança ou jovem para a equipe de autismo, seja crítico sobre sua competência profissional e procure aconselhamento de um colega em caso de dúvida sobre o próximo passo.”

Esse assunto é de extrema relevância visto que mesmo com a evolução da ciência e da conduta de profissionais competentes, muitos acreditam no mito da mãe geladeira e outras suposições (como já explicado aqui no Observatório do Autista). Por isso é importante também se atentar aos sinais precoces da criança e à busca por profissionais qualificados na área e considerar que como cada ser é único, os sintomas e sinais podem não ser explicados por experiências domésticas perturbadoras ou doenças mentais ou físicas dos pais e/ ou cuidadores.

Para ler o texto na íntegra acesse: https://institutoinclusaobrasil.com.br/reconhecendo-criancas-e-jovens-que-podem-ser-autistas-tea/

Obrigada por me acompanhar até aqui.  E para saber mais sobre a ODAPP acesse: http://www.odapp.org.

Referências

ALMEIDA, Marina. Reconhecendo crianças e jovens que podem ser autistas – TEA. Instituto Inclusão Brasil, São Vicente – São Paulo, 11 de fev de 2022. Disponível em: < https://institutoinclusaobrasil.com.br/reconhecendo-criancas-e-jovens-que-podem-ser-autistas-tea/ >. Acesso em: 28 de fev de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

O Quociente de Experiências de Vulnerabilidade (VEQ) e a qualidade de vida em adultos com TEA

“Aqui medimos a frequência de experiências de vida negativas em adultos autistas e exploramos como elas estão associadas a sintomas atuais de ansiedade e depressão e satisfação com a vida. Desenvolvemos o Quociente de Experiências de Vulnerabilidade (VEQ) por meio de consulta às partes interessadas. O VEQ inclui 60 itens em 10 domínios. Adultos autistas com diagnóstico clínico e controles não autistas completaram o VEQ, medidas de triagem para ansiedade e depressão e uma escala de satisfação com a vida em uma pesquisa online. A probabilidade de experimentar cada evento VEQ foi comparada entre os grupos, usando regressão logística binária. A análise de mediação foi usada para testar se a pontuação total do VEQ mediava a relação entre autismo e (1) depressão (2) ansiedade e (3) satisfação com a vida. Adultos autistas (N = 426) relataram maiores taxas da maioria dos eventos no VEQ do que adultos não autistas (N = 268)” (GRIFFITHS, Sarah et.al, 2019).

O ser humano é composto por experiências e ter um estudo que possa medir isso é diferente de muitos outros que já foram escritos. Como citado anteriormente, a pesquisa foi realizada a partir de medidas de triagem para depressão e de uma escala de satisfação.

O estudo mostrou que os adultos autistas são mais vulneráveis ​​a muitos eventos negativos da vida, sobretudo com relação a dificuldades financeiras, de emprego e de abuso doméstico. Esses eventos negativos contribuem para uma alta taxa de sintomas de depressão e ansiedade, e pouca satisfação com a vida. Diante disso, falar de experiências negativas vividas é falar também de qualidade de vida, embora não haja um consenso da definição da última. Cito aqui as seis dimensões da qualidade de vida propostas por Michalos, citadas por Day e Jankey (1996):

  • Primeira dimensão: refere-se a um objetivo-realização e relaciona-se às questões entre o que se tem e o que se quer ter;
  • Segunda dimensão:  diz respeito ao que os povos realmente consideram ser o seu ideal real de vida;
  • Terceira dimensão: Envolve a relação percebida entre as circunstâncias atuais e o que se espera se tornar;
  •  Quarta dimensão: É a relação percebida entre a vida atual e vida que já se teve no passado;
  • Quinta dimensão: Pressupõe que uma questão importante a ser analisada é o que é possuído por uma pessoa e pelo grupo de referência;
  • Sexta dimensão: Refere-se à importância de buscar esclarecer o quão bom é o ajuste da pessoa no ambiente em que se está inserido.

Por isso, convido você leitor a pensar sobre a qualidade de vida das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A partir do VEQ foi possível pensar um pouco mais sobre as tantas experiências negativas e de vulnerabilidade que pessoas com TEA vivem, é necessário sempre ter muita atenção nos detalhes.

Obrigada por me acompanhar até aqui e até a próxima semana.

Para conhecer mais sobre a ODAPP acesse: www.odapp.org

Referências

DAY, H.; JANKEY, S.G. Lessons from the literature: toward a holistic model of quality of life. In: RENWICK, R.; BROWN, I.; NAGLER, M. (Eds.). Quality of life in health promotion and rehabilitation: conceptual approaches, issues and applications. Thousand Oaks: Sage, 1996.

GRIFFITHS, Sarah et.al. O Quociente de Experiências de Vulnerabilidade (VEQ): Um Estudo de Vulnerabilidade, Saúde Mental e Satisfação com a Vida em Adultos Autistas. Autismo Res. 12(10), p. 1516-1528, 2019. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31274233/ >. Acesso em: 02 de mar de 2022.

Pereira, Érico Felden; Teixeira, Clarissa Stefani; Santos, Anderlei dos. Qualidade de vida: abordagens, conceitos e avaliação. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte,v. 26, n. 2, p. 241-250, 2012. Disponível em:  < https://www.scielo.br/j/rbefe/a/4jdhpVLrvjx7hwshPf8FWPC/?lang=pt# >. Acesso em: 2 de mar de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Mais chance de desenvolver Autismo? Autismo não é desenvolvido ou adquirido

Desde o início do mês de fevereiro deste ano, alguns profissionais se movimentaram nas redes sociais após uma notícia de uma revista falando a respeito do desenvolvimento do Transtorno do Espectro do autismo. A revista, na qual não citarei o nome, afirmou ter realizado um estudo e com isso escreveu que meninos que passam duas horas por dia em frente às telas possuem mais chance de desenvolver autismo.

Inicialmente é importante lembrar que o TEA não é desenvolvido ou adquirido, e sim genético. Crianças que desenvolvem-se de modo neurotípico até os dois anos de idade e após esta idade apresentam déficits em seus comportamentos, não adquirirem ou desenvolvem o TEA, esse processo ocorre porque, a poda neural (eliminação dos neurônios e sinapses que não estão sendo utilizadas) que se inicia aos dois anos de idade na vida de todo ser humano, ocorre de modo irregular em crianças com TEA.

Perceba que não há um processo de adquirir em um meio externo ao sujeito, o que há são modificações internas, modo de funcionar do próprio indivíduo. Vale ressaltar que isto não o torna de modo nenhum culpado ou anormal, é apenas uma forma diferente de ser e de estar no mundo.

Com relação às horas exacerbadas em frente às telas, é notório que a criança apresentará comportamentos deficitários, e até mesmo risco de obesidade, maior pressão arterial e problemas relacionados à saúde mental, pois não estará estimulando a imaginação, a interação social, e a cognição, visto que estará apenas recebendo informações prontas. Entretanto tais comportamentos não são iguais aos de pessoas com TEA e tampouco suficientes para fechar um diagnóstico. Novamente deixo claro que tal Transtorno, segundo o DSM 5, é um transtorno do Neurodesenvolvimento que é caracterizado pelas dificuldades que o indivíduo tem na interação social, na comunicação e pelo padrão restrito e repetitivo de comportamento.

Por isso, fique atento às notícias e às falsas propagações de informações. E para conhecer mais sobre a ODAPP acesse: www.odapp.org.

Obrigada por me acompanhar até aqui!

Referências

APA – American Psychiatric Associatio. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução: Maria Inês Correa Nascimento et al., revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

GAIATO, Mayra. Poda Neural: O que é e como impacta uma criança com autismo? Mayra responde. 2021.(08:28). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=Pn4qwHcUdeI>. Acesso em: 21 de fev de 2022.

NOBRE, Juliana Nogueira Pontes et.al. Fatores determinantes no tempo de tela de crianças na primeira infância. Ciência & saúde coletiva, 26 (3),15,p. 1127-1136,2021.

SEGRETTI, Letícia. Não é verdade. São Paulo, 8 de fev de 2022. Instagram: @leticiasegretti. Disponível em: < https://www.instagram.com/p/CZvQr8RsoUw/ >. Acesso em: 21 de fev de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

STJ adia julgamento sobre cobertura dos planos de Saúde

“O julgamento sobre a cobertura dos planos de saúde para procedimentos listados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi suspenso, mais uma vez, na tarde desta quarta-feira (23/2). A apreciação do caso terminou empatada e foi adiada após pedido de vistas (mais tempo para analisar o tema) do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Ainda não há data para ser retomada. Na ação, os ministros devem decidir se a cobertura dos planos deve ser exemplificativa ou taxativa, ou seja, se as operadoras podem ou não ser obrigadas a cobrir procedimentos não incluídos na lista da ANS, conhecida como rol(..)”.

Para esclarecer melhor o assunto em questão, a lista de Rol de procedimentos da ANS consiste em uma lista de exames, procedimentos e tratamentos que possuem cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Diante disso se o rol for taxativo implica em uma lista pré-definida pela Agência Reguladora, ou seja mesmo que o médico indique algum exame ou procedimento o plano de saúde não tem a obrigatoriedade de cobrir. Já o rol exemplificativo consiste em uma lista de procedimentos mínimos obrigatórios, o que significa que a mesma fica em aberto para a inserção de novos procedimentos.

É por isso que profissionais da área da saúde, pais e familiares de crianças e pessoas com TEA se mobilizaram nas redes sociais, visto que lutam pelos seus direitos e pelos melhores tratamentos possíveis.

Para ler o texto na íntegra acesse: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/02/4987831-stj-adia-julgamento-que-pode-mudar-na-cobertura-dos-planos-de-saude.html

Referências

PATRIOLINO, Luana. STJ adia julgamento que pode mudar cobertura dos planos de saúde. Brasília, 23 de fev de 2022. Disponível em: < https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/02/4987831-stj-adia-julgamento-que-pode-mudar-na-cobertura-dos-planos-de-saude.html > Acesso em: 23 de fev de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Exoma ou Array, qual exame genético é mais indicado para o Transtorno do Espectro do Autismo?

No Brasil pouco se fala sobre exames genéticos e laboratoriais a respeito de transtornos do neurodesenvolvimento, por isso é de extrema importância valorizarmos os estudos que são realizados na área. A seguir citarei a respeito de um artigo publicado pela bióloga Graciela Pignatari.

Com o objetivo de comparar o exame de microarranjo genômico (CGH-array ou SNP-array) com o exame de sequenciamento do Axoma, 12 revisores compostos por neuropediatras, aconselhadores genéticos, especialistas em comportamento e geneticistas clínicos e laboratoriais se reuniram para realizar uma meta-análise a fim de analisar o impacto de tais exames no gerenciamento clínico dos pacientes com TEA, deficiência intelectual e Transtornos do neurodesenvolvimento.  Vale ressaltar que o CGH/SNP-array, foi o primeiro teste sugerido para crianças com transtorno do neurodesenvolvimento.

Para tal estudo, os profissionais tiveram como base artigos científicos que foram publicados entre 01 de janeiro de 2014 a 29 de junho de 2018. Ao analisarem cada um deles, chegaram à seleção de 30 artigos mundiais de trabalhos realizados na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia e no Oriente Médio.

Dentre os 30 artigos, 21 foram exclusivamente para transtornos do neurodesenvolvimento e nove, além dos transtornos do neurodesenvolvimento, foram também para casos clínicos específicos como por exemplo neutropenia, microcefalia, ou síndrome Coffin-Siris.

Após analisarem os artigos foi possível concluir que o rendimento do exame de sequenciamento completo do Exoma foi, no geral, em torno de 36%, sendo 53% para os transtornos do neurodesenvolvimento associados a outras condições e 31% para transtorno do neurodesenvolvimento isolado. Já no exame de microarranjo genômico (CGH/SNP-array), o rendimento foi de 15-20%. Com relação ao Transtorno do Espectro do Autismo, em específico, foi visto que O TEA sem comorbidades teve o rendimento de 16%, o TEA associado a deficiência intelectual heterogênea de 37% e o TEA associado a deficiência intelectual primária de 39%.

Com base na análise, conclui-se que, em alguns casos, o exame do sequenciamento do Exoma seria mais indicado que o exame do microarranjo genômico, como nos casos de pacientes com transtorno do neurodesenvolvimento, sobretudo para aqueles com TEA e com deficiência intelectual. Com isso para escolher um exame genético apropriado é necessário o conhecimento clínico do paciente.

Referências

PAIVA JUNIOR, Francisco. Qual exame genético é mais indicado, exoma ou array?. Tismoo. São Paulo, 13 de jan de 2022. Disponível em: < https://tismoo.us/ciencia/qual-exame-genetico-e-mais-indicado-exoma-ou-array/?utm_campaign=newsletter_14jan2022&utm_medium=email&utm_source=RD+Station&gt; Acesso em: 01 de fev de 2022.

PIGNATARI, Graciela. Mapeamento genético- Qual exame genético é mais útil, exoma ou array?. Canal autismo, 2022. Disponível em:< https://www.canalautismo.com.br/artigos/mapeamento-genetico-qual-exame-genetico-e-mais-util-exoma-ou-array/&gt; Acesso em: 02 de fev de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Os benefícios da atividade física para pessoas com TEA

Já é de conhecimento da grande maioria das pessoas que a atividade física é importante e funcional na vida do ser humano, pois quando realizada de maneira adequada previne diversos tipos de doenças crônicas como hipertensão, obesidade, osteoporose, diabetes, doenças cardiovasculares e muitas outras. (KLAVESTRAND; VINGARD, 2009 apud LOURENÇO et.al, 2015).

Com isso, vários estudos estão sendo realizados para verificar a importância da atividade física em pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), com distúrbios neurológicos e com algum déficit significativo. No entanto o enfoque deste texto será para pessoas com TEA.

Best e Jones (1974) apresentaram em seus estudos resultados referentes à Hidroginástica e à natação. Afirmaram que tais atividades foram praticadas por 30 minutos por crianças entre dois e quatro anos de idade e que geraram alguns resultados positivos. As atividades proporcionaram melhorias no comportamento motor bruto e também houveram melhorias em algumas escalas de avaliações como no Peabody Picture Vocabulary Test, e no Test Merrill Palmer Mental.

Já de acordo com Celiberti et al. (1997), crianças que realizaram ciclos de seis minutos de corrida e seis de caminhada no período de três semanas, obtiveram como resultado a diminuição da autoestimulação e a redução de 50% nos comportamentos repetitivos e estereotipados, após as corridas.

São inúmeros os estudos a respeito da atividade física, por isso cito apenas mais um, de Garcia-Villamisar e Dattilo (2010). Seu estudo se baseou em um ano de atividades de lazer, e o resultado foi significativo na diminuição do estresse. Vale ressaltar que sempre os estudos são apresentados para melhor veracidade, pois é de extrema importância observarmos suas implicações. A partir disso, pode-se concluir que os benefícios da atividade física são inúmeros e cada atividade contribuirá para um objetivo específico.

É importante pensar também nas adaptações de determinadas atividades. Visto que cada uma deve respeitar a singularidade do indivíduo, levando em consideração suas limitações e valorizando suas potencialidades. “A Educação Física Adaptada surgiu oficialmente nos cursos de graduação, por meio da Resolução número 03/87, do Conselho Federal de Educação, que prevê a atuação do professor de Educação Física com o portador de deficiência e outras necessidades especiais”. (CIDADE E FREITAS, 2002).

Diante disso, é importante também lembrar que na ODAPP vários profissionais podem acompanhar a evolução dos seus pacientes, cadastrando suas avaliações, programas e planos terapêuticos e coletando seus dados. O profissional de educação física é primordial para o desenvolvimento de pessoas com TEA, por isso juntamente com a plataforma pode potencializar seus resultados.

Obrigada por me acompanharem e até a próxima semana!

Referências

BEST, J.; JONES, J. Movement therapy in the treatment of autistic children. Australian Occupational Therapy Journal, Austrália, v.21, n.2, p.72-86, 1974.

CELIBERTI, D. A. et al. The differential and temporal effects of antecedent exercise on the self-stimulatory behavior of a child with autism. Research in Developmental Disabilities, Bethesda, v.18, n.2, p.139-150, 1997.

CIDADE, R. E.; FREITAS, P. S. Educação Física e Inclusão: Considerações para a Prática Pedagógica na Escola. Integração, v. 14 – Edição Especial – Educação Física Adaptada -, p. 27-30, 2002.

GARCIA-VILLAMISAR, D. A.; DATTILO, J. Effects of a leisure programme on quality of life and stress of individuals with ASD. Journal of Intellectual Disability Research, v.54, p.611-619, 2010.

LOURENÇO, Carla Cristina Vieira et al. Avaliação dos Efeitos de Programas de Intervenção de Atividade Física em Indivíduos com Transtorno do Espectro do Autismo.  Revista Brasileira de Educação Especial [online]. 2015, v. 21, n. 2., p. 319-328. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1413-65382115000200011&gt;. Acesso em: 26 de jan de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Inclusão da Escala M-CHAT-R/F na nova versão da caderneta da criança

A escala M-CHAT-R/F é um instrumento utilizado para auxiliar a identificação de pacientes com idade entre 16 e 30 meses com possível Transtorno do Espectro do autismo. O instrumento pode ser utilizado por qualquer profissional da área da saúde, e é de rápida aplicação. O mesmo pode ser respondido pelos cuidadores e pais da criança durante a consulta. Segundo a Lei nº 13.438, de 26 de abril de 2017, a avaliação pela M-CHAT-R é obrigatória para crianças em consultas pediátricas de acompanhamento realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Já a caderneta da criança, é um instrumento que auxilia no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, sendo assim todo cidadão tem direito a receber um exemplar no momento do seu nascimento. A mesma contém o desenvolvimento afetivo, cognitivo e de linguagem, bem como os marcos de desenvolvimento neuropsicomotor. Vale ressaltar que informações como vacinas, alimentação saudável e aleitamento materno também estão contidas na caderneta a fim de proteger a saúde da criança.

Com isso, na 3ª edição da Caderneta da Criança, ocorrerá a inclusão da escala M-CHAT-R/F, que, como já citado, auxilia na identificação de pacientes com idade entre 16 e 30 meses com possível Transtorno do Espectro do autismo. Portanto, a partir de março, a versão impressa desta 3ª edição chegará ao DF e aos demais estados de todo o Brasil, tendo em vista que a remessa a ser enviada será de aproximadamente 10 milhões de cadernetas.

Vale ressaltar que na Odapp (www.odapp.org) o profissional pode cadastrar a escala M-CHAT-R/F e registrar as respostas obtidas, sendo assim, na web, o profissional cria a escala e no aplicativo do celular o mesmo coleta os dados. Confira a seguir um breve exemplo da escala M-CHAT-R/F dentro do aplicativo:

Gostou dessa informação? Não deixe de acompanhar os próximos conteúdos e até mais.

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde – Governo Federal. Nova versão da Caderneta da Criança será enviada para todo o Brasil. Brasília, 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Autismo em Idosos

Você já observou que pouco se fala em autismo em idosos? Isso acontece, porque na década de 50 o autismo era visto como um sintoma da esquizofrenia, por isso muitas pessoas que são idosas hoje, em sua infância, adolescência e juventude foram diagnosticadas de modo equivocado.

Então podemos nos perguntar: “onde estão os idosos com Transtorno do Espectro do Autismo agora? será que a vida inteira foram vistos como doentes mentais e não tiveram o tratamento adequado?” É possível ir além e questionar que muitos por possuírem um comportamento considerado agressivo, viveram em prisões, nas ruas e em locais de segregação social ao invés de serem tratados e incluídos.

“Geralmente, adolescentes e adultos com transtorno do espectro autista são propensos a ansiedade e depressão. Apesar de ser um espectro amplo, diverso e particular com características singulares para cada indivíduo, o transtorno do espectro autista possui um grande impacto em crianças, família, comunidade e sociedade” (APA, 2014 apud CAVALCANTE et.al, 2021).

A transição que ocorre da adolescência para a fase adulta é repleta de desafios e inúmeras possibilidades para qualquer indivíduo, sobretudo para aqueles com TEA, devido às suas particularidades, por isso o sucesso dessa transição não depende apenas do nível de funcionalidade e autonomia, mas também das redes de apoio existentes para apoiar tais pessoas. De acordo com Vicente e Rasga (2017), os serviços disponíveis para o tratamento do TEA tendem a aumentar, tendo em vista que há algumas décadas o autismo recebia menos atenção das comunidades e da área da educação se comparado a hoje e que muito adultos e idosos ficavam sem registros e diagnósticos corretos

As mesmas autoras destacam que na fase adulta não existe uma resposta adequada dos serviços sociais, pois a partir do momento em que a pessoa sai da escola espera-se que a mesma encontre soluções para se desenvolver e tenha capacidade de executar determinada ocupação na sociedade. No entanto isto muitas vezes não ocorre devido à falta de um ensino superior adaptado ou de um emprego protegido, embora há sim instituições e empresas que prezam pelos direitos e proteção de adultos com TEA.

Hendricks e Wehman (apud Rosa 2015), corroboram essa questão em suas pesquisas relacionadas à transição do período escolar para a vida adulta em pessoas com TEA, pois em seus resultados apresentaram que apesar da existência de políticas públicas para a implementação de planos de transição para a vida adulta, os alunos com TEA, em sua grande maioria, não recebem, ou receberam serviços de apoio necessários para a realização desta transição. Com isso podemos indagar: “Como os idosos possuem qualidade de vida e tratamento adequado se na transição da fase escolar para a fase adulta não possuem necessariamente os apoios e os cuidados necessários?”.

Por isso, é importante pensarmos no hoje e no agora, pois as pessoas com TEA hoje, serão os idosos de amanhã. Atualmente, em 2022 temos um diagnóstico mais preciso e correto devido ao avanço da ciência e dos estudos, diante disso é possível uma melhor qualidade de vida e um tratamento a longo prazo para tais pessoas.

E para que tudo isso possa acontecer de maneira prática e eficiente, temos a ODAPP, que é uma plataforma de gestão terapêutica completa que auxilia o profissional da saúde em seus atendimentos. Para saber mais acesse: www.odapp.org.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Até a próxima semana!

Referências

CAVALCANTE, Juliana Lima et.al. Qualidade de vida de autistas idosos: uma revisão narrativa. Ciência em Movimento – Educação e Direitos Humanos, v. 23, n. 46, p.  65-73, 2021.

KWANT, Fátima de. Idosos autistas. Holanda, 23 de out de 2019. Instagram: @fatimadekwant.  Disponível em: <https://www.instagram.com/p/B39a3Z_FHNk/&gt;. Acesso em: 13 de jan de 2022.

ROSA, Fernanda Duarte. Autistas em idade adulta e seus familiares : recursos disponíveis e demandas da vida cotidiana. Tese (Doutorado). Universidade Federal de São Carlos, 2015.

VICENTE, Astrid M.; RASGA, Célia. O que acontece quando as crianças com autismo crescem? Um estudo exploratório. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Lisboa, Portugal. Ed.especial 9,n.5,p.24-28, 2017.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

CID 11 – O que mudou referente ao autismo?

A CID 11 é a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. O documento é utilizado por profissionais da área da saúde para identificar estatísticas e tendências de saúde em todo o mundo. É composto por cerca de 55 mil códigos únicos para doenças, lesões, e causas de morte. Com isso é importante ressaltar que profissionais como psicólogos, psiquiatras e outros, relacionados a área da saúde mental, utilizam em sua prática clínica o CID, que agora será o 11, e o DSM 5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

A partir deste mês de janeiro a CID 11 entra em vigor e é de extrema importância conhecer as modificações com relação ao autismo para a efetiva aplicação. Vamos analisar as diferenças?

Classificação de autismo na CID 10:

F84– Transtornos globais do desenvolvimento (TGD);

F84.0– Autismo infantil;

F84.1– Autismo atípico;

F84.2– Síndrome de Rett;

F84.3– Outro transtorno desintegrativo da infância;

F84.4– Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados;

F84.5– Síndrome de Asperger;

F84.8– Outros transtornos globais do desenvolvimento;

F84.9– Transtornos globais não especificados do desenvolvimento.

Classificação de autismo na CID 11:

6A02 – Transtorno do Espectro do Autismo (TEA)

6A02.0 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

6A02.1 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com comprometimento leve ou ausente da linguagem funcional;

6A02.2 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

6A02.3 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com linguagem funcional prejudicada;

6A02.4 – Transtorno do Espectro do Autismo sem deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

6A02.5 – Transtorno do Espectro do Autismo com deficiência intelectual (DI) e com ausência de linguagem funcional;

6A02.Y – Outro Transtorno do Espectro do Autismo especificado;

6A02.Z – Transtorno do Espectro do Autismo, não especificado.

Diante das classificações apresentadas, percebe-se que na CID 11, a Síndrome de Asperger já não se faz presente nas divisões e que assim como no DSM 5, encontra-se presente dentro do Espectro e não mais separado dele. (Para entender o porquê a Síndrome de Asperger deixou de existir no DSM5: https://observatoriodoautista.com.br/2021/11/09/mitos-e-verdades-sobre-o-autismo).É possível perceber também que,  na CID 11, as classificações têm como foco perceber a deficiência intelectual e o prejuízo na linguagem.

Ressalto aqui, mais uma vez, a importância do tratamento com um profissional qualificado na área, a fim de que os resultados sejam efetivos e para que um novo laudo, com as devidas mudanças, possa ser realizado.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Até a próxima semana!

Referências

Assembleia Mundial da Saúde aprova revisão de classificação internacional de doenças. Nações Unidas Brasil, 2021. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-br/83259-assembleia-mundial-da-saude-aprova-revisao-de-classificacao-internacional-de-doencas&gt;.  Acesso em: 05 de jan de 2022.

CID-11 unifica Transtorno do Espectro do Autismo no código 6A02.Tismoo,2022.Disponível em: <https://tismoo.us/destaques/cid11-unifica-transtorno-do-espectro-do-autismo-no-codigo-6a02/>. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). World Health Organization, 2022. Disponível em: < https://www.who.int/classifications/classification-of-diseases&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Confira a CID-11, disponibilizada pela OMS. Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear, 2022.Disponível em: < https://sbmn.org.br/confira-a-cid-11-disponibilizada-pela-oms/&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

SANTOS, Rebeca Collyer dos. Mitos e Verdades sobre o Autismo. Observatório do Autista, 9 de nov de 2021. Disponível em: <https://observatoriodoautista.com.br/2021/11/09/mitos-e-verdades-sobre-o-autismo/&gt;. Acesso em: 06 de jan de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.