Implementação de programas de Treinamento Parental (TP)

Um Programa de TP exige aperfeiçoamento das habilidades do cuidador até alcançar o status de co-terapeuta mas preserva o papel principal dos pais que é de “pais” propriamente! É importante dotá-los de organização, confiança, motivação e autonomia para participarem ativamente do tratamento e por isso grande parte dos programas sugerem que as primeiras ações de estimulação da criança devam ser realizadas presencialmente em conjunto (terapeuta, família, educador se for o caso) para que o profissional possa apresentar o modelo de intervenção. Se isso não for possível, é importante maior atenção dos cuidadores quanto a:

  1. Ambiente: preparado de forma a manter a atenção da criança (preservar objetos de interesse, excluir itens que aumentam a distração).
  2. Previsibilidade e intencionalidade: a criança deve ser informada previamente das ações que serão feitas e suas consequências, independente de demonstrar aparente desentendimento. Use modelo verbais, visuais ou físicos se necessário. Estimular a iniciativa e protagonismo através de situações que premiem a criança de acordo com suas preferências.
  3. Manutenção das habilidades alcançadas: habilidades são adquiridas, em geral, com condicionamento, repetição e premiação. Mesmo alcançado o objetivo de determinada atividade, muitas vezes é importante mantê-la em execução para minimizar as chances de regressão ou confirmar a aquisição das respectivas habilidades.

Um Programa de TP pode ser implementado da forma convencional com os profissionais treinando os cuidadores presencialmente ou por meio de tecnologias de teleconsulta, telemonitaoramento ou teleconsulta como explicado no último post sobre o assunto. O aplicativo ODAPP neste caso é uma das alternativas para a implementação de um Programa de TP completo.

Algumas referências científicas acerca do Treinamento Parental (TP)

O TP [1] [2] [3] [4] é um método de trabalho para treinamento e posterior aplicação dos conhecimentos adquiridos diretamente na criança pelos pais. Ao dotarmos esses cuidadores de conhecimento técnico-prático para lidar com crianças com TEA, principalmente nas atividades da vida diária (AVD) em casa, possibilitamos não só o aumento da frequência e intensidade do tratamento como também devolvemos aos pais a confiança, motivação e autonomia para participarem ativamente do tratamento. Temos que destacar o vínculo natural que existe entre pais e filhos, o que aumenta as chances de interação e engajamento entre eles.

Quando os pais são bem treinados para lidar com as dificuldades e potencialidades das crianças são esperados inúmeros benefícios no funcionamento adaptativo dela, bem como, há uma diminuição dos comportamentos inadequados e comprometimentos sócio-cognitivos. Há uma melhora na qualidade de vida de toda a família.

Um trabalho [5] bem interessante sobre TP pode ser encontrado em Wong et al. (2014) que identificaram 27 práticas comprovadas cientificamente como de alta eficácia para o tratamento dos TEA e, dentre estas práticas, está a intervenção implementada ou mediada pelos pais. A literatura traz inúmeras evidências da importância e eficiência do TP, de modo que o treino é parte dos programas de tratamentos baseados na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), sendo um dos pilares mais importantes da intervenção.

Referências

[1] Andrade, A.A., Oliveira, A.L. & Teixeira, I. A. (2017) Treinamento de pais. In: Walter Camargos Jr et col.(orgs) Intervenção precoce no autismo. Belo Horizonte: Editora Artesã, 1ª edição.

[2] Bagaiolo, L. & Pacífico, C.R. (2018) Orientação e treino de pais. In: Cintia Perez Duarte, Luciana Coltri e Silva & Renata de Lima Velloso (orgs). Estratégias da Análise do Comportamento Aplicada para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon, 1ª edição.

[3] Kenyon, P.B. (2018) Ensino em ambientes naturais. In: Cintia Perez Duarte, Luciana Coltri e Silva & Renata de Lima Velloso (orgs). Estratégias da Análise do Comportamento Aplicada para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon, 1ª edição.

[4] Oliveira, J. J. M. Intervenção centrada na família: influência nas habilidades comunicativas e interativas da criança com Transtorno do Espectro Autista e no empoderamento parental. Dissertação de mestrado. Rio Grande do Sul: Universidade Federal de Santa Maria.

[5] Wong, C., Odom, S.L., Hume, K.A. et al. (2014) Evidence-based practices for children, youth and young adults with Autism Spectrum Disorder. Chapel Hill: The University of North Carolina, Frank Porter Graham Child Development Institute, Autism Evidence-based practice review group.

A consulta online no TEA realmente funciona?


Quando pensamos em consulta online rapidamente nos vem à mente a figura de um profissional auxiliando o seu paciente por videoconferência. Ocorre que existe a teleconsulta, telemonitoramento e teleconsultoria que podem resolver essa questão de formas diferentes como vimos no último post sobre a Diferença entre teleconsulta, telemonitoramento e teleconsultoria”.

Quando o nosso paciente é uma criança pequena, ou mesmo um adolescente ou adulto pouco responsivo ou inquieto, parece que este tipo de atendimento à distância simplesmente não funciona!

A questão principal aqui não é o ser “online” ou “teleconsulta” pois a tecnologia em si não é fim mas meio para conectar quem oferta a terapia com quem precisa. Mesmo que precisemos de um intermediário para facilitar essa conexão: o cuidador!

Esse cuidador pode ser outro profissional (com perfil mais adequado para contato direto com a criança), pessoas do convívio diário com a criança (pais, avós, babás) e profissionais dentro da escola (professores, auxiliares, mediadores). Um método de trabalho muito utilizado e difundido na psicologia para capacitação de cuidadores, em especial na Análise do Comportamento Aplicada e na Terapia Cognitivo-Comportamental, é o Treinamento Parental, ou Treinamento de Pais (TP).

Diferença entre teleconsulta, telemonitoramento e teleconsultoria

Basicamente, a diferença entre teleconsulta telemonitoramento e teleconsultoria é a possibilidade de sua ação ser “ao vivo” (síncrona) ou “gravada” (assíncrona) na presença virtual do profissional que a elaborou. O aplicativo ODAPP, na maior parte do tempo, é utilizado para telemonitoramento. Porém, muitos terapeutas que atuam também com treinamento e avaliação funcional tem utilizado a ferramenta para teleconsultoria. Veja o exemplo do Instituto Comviver para Formação de Acompanhamentes Terapêuticos (at)

Tipicamente, o telemonitoramento é utilizado em complementação à intervenção presencial seja por questões financeiras, geográficas ou por indisponibilidade do contato físico entre o profissional e seu paciente. O telemonitoramento pode ocorrer por meio de um intermediário chamado cuidador, devidamente treinado e monitorado com recursos tecnológicos de comunicação sem fio pelo profissional. Pais treinados e supervisionados por terapeutas, mediadores escolares treinados por Pedagogos com especialização em Educação Especial são exemplos. O treino pode ser assíncrono (gravado e assistido a medida da necessidade) e a supervisão síncrona (envio de dados em tempo real a medida que a intervenção é feita). Ambos podem ser feitos assíncronos (p.e.: não há uma comunicação sem fio disponível no momento da intervenção para envio dos dados). São várias as possibilidades.

A teleconsulta, consulta clínica registrada e realizada pelo profissional à distância, geralmente é utilizada em procedimentos de menor complexidade com contato virtual direto entre o profissional e seu paciente (sem intermediários) “ao vivo”. Softwares de videoconferência são muito populares e ganham cada vez mais adeptos, principalmente nas empresas que oferecem assistência à saúde mental de seus colaboradores.

Já a teleconsultoria tem objetivo maior de transmitir conhecimento por meio de treinamento ou esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos e ações de saúde. Pode ser síncrona ou assíncroma com contato virtual direto entre o profissional e seu paciente ou grupos de outros profissionais que desejam capacitação na área da saúde.

Maior tolerância com inadimplência e pagamento a prestadores de serviços estão entre medidas a serem discutidas em reunião hoje na ANS

Maior tolerância com inadimplência e pagamento a prestadores de serviços A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deve bater o martelo, nesta quarta-feira, sobre o desbloqueio de R$ 15 bilhões dos R$ 40 bilhões de reservas técnicas das operadoras para serem usados no combate a pandemia.

O fundo garantidor ou reserva técnica é composto de recursos das próprias operadoras que ficam bloqueados pela ANS para garantir o pagamento de atendimentos futuros a prestadores e a manutenção da assistência aos usuários de planos de saúde, caso a operadora enfrente algum problema financeiro. Outro ponto levantado pela ANS é que as empresas se comprometam a fazer o pagamento dos  prestadores (hospitais, clínicas e laboratórios). Isto porque, explicam pessoas a par da negociação, o caixa desse segmento teve uma baixa significativa, em alguns casos, de mais de 80%, em consequência da suspensão de procedimentos eletivos e do aumento do prazo de todos atendimentos que não sejam urgência ou emergência. Ambas as medidas foram pedido das operadoras acatados pela agência.

Enquanto a onda forte do covid-19 não chega, quem tem problemas de caixa são os prestadores não as operadoras. A liberação de ativos hoje está muito mais voltada a preocupação de que eles tenham recursos para se manter, do que com as operadoras de planos de saúde – diz uma fonte próxima as negociações.

Saiba mais aqui

27 práticas comprovadas cientificamente como de alta eficácia para o tratamento dos TEA

Ao instrumentalizarmos os pais e a família da criança com atraso de linguagem ou com TEA, possibilitamos o ‘empoderamento’ dos pais, devolvendo-lhes a autonomia em relação ao vínculo, à interação e ao desenvolvimento de seus filhos. Segundo diversos autores, quando os familiares são bem informados e treinados para lidar com as dificuldades das crianças são esperados inúmeros benefícios no funcionamento adaptativo da criança, bem como, há uma diminuição dos comprometimentos na saúde mental dos familiares envolvidos.

Wong et al. (2014) identificaram 27 práticas comprovadas cientificamente como de alta eficácia para o tratamento dos TEA e, dentre estas práticas, está a intervenção implementada ou mediada pelos pais. A literatura traz inúmeras evidências da importância e eficiência do TP (Treinamento Parental), de modo que o treino é parte dos programas de tratamentos baseados na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), sendo um dos pilares mais importantes da intervenção.

Adaptado do blog https://www.batepaponojardim.com/

Créditos para Maria Claudia Arvigo

O papel da família na terapia

Por Livia Benatti (adaptado)

Estamos o tempo todo reagindo ao que está ao nosso redor: o ambiente físico, as pessoas que estão por perto, as sensações do nosso corpo. Se o nosso ambiente muda, nós respondemos a isso, mesmo que não percebamos. Se pararmos pra pensar, a família é onde a criança passa uma grande parte do seu tempo. Se as coisas em casa funcionam sempre do mesmo jeito, será que faz sentido esperar que o comportamento das crianças mude apenas indo à terapia uma vez por semana?

A terapia ajuda as crianças a aprenderem novos comportamentos e maneiras diferentes de lidar com emoções e conflitos. Os pais ajudam as crianças a colocar isso em prática na rotina e a perceberem as consequências – boas e nem tão boas assim – dos seus comportamentos. O trabalho precisa ser em equipe entre família, terapeuta e criança, cada um fazendo a sua parte para alcançarmos nossos objetivos.

Que tal…

  • OBSERVAR o que acontece logo antes e logo depois daquele comportamento difícil do seu filho. Quem estava perto? O que foi dito ou feito?
  • REGISTRAR suas observações pra saber direitinho como e quando o comportamento acontece
  • DIVIDIR seus registros com a terapeuta e trabalharmos juntos para pensar em mudanças e possíveis soluções

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/o-papel-da-fam%C3%ADlia-na-terapia-livia-benatti/

Importância do treino de pais e supervisão terapêutica a distância em tempos de pandemia: aspectos econômicos e de saúde pública

Muitos Psicólogos, Fonoaudiólogos e Terapeutas Ocupacionais ainda não tiveram a oportunidade de treinar e supervisionar os pais a distância para aplicação das terapias em casa.

Não se trata de substituir as sessões presenciais pela online, mas aumentar sua frequência e intensidade conforme a ciência já vem comprovando. Além disso, se você dispõe de apenas 1h por semana para levar seu filho a terapia, seja por questão financeira, ausência de profissional em sua cidade ou dificuldade de tempo e deslocamento, confira a entrevista com o Dr. Carlos Gadia aqui neste link
https://lnkd.in/erXFScT.

De fato, a capacitação e supervisão de pais a distância traz benefícios não só às crianças mas também traz equilíbrio econômico a relação oferta-demanda de todo o ecossistema do TEA: famílias, escolas, clínicas e profissionais autônomos, planos de saúde, seguradoras, órgãos reguladores e conselhos de classe.

Todas as versões aplicativo ODAPP liberadas gratuitamente

Liberado para Psicólogos, Fonoaudiólogos, Terapeutas Ocupacionais, Psicopedagogos, seguradoras e operadoras de planos de saúde todas as versões da plataforma ODAPP® GRATUITAMENTE por prazo indeterminado. Ela permite o treinamento de pais e supervisão a distância das terapias em domicílio com autonomia para criação de manuais, folhas de registro online e gráficos de desempenho com controle de data e hora se sua realização.

Conheça todas as versões neste link https://lnkd.in/d263RAw

Pequenas clínicas, Psicólogos, Fonoaudiólogos, Terapeutas Ocupacionais e Psicopedagogos autônomos – os mais afetados – podem baixar gratuitamente o aplicativo no link https://lnkd.in/d263RAw