Teoria da mente e o TEA

Muitas pessoas pensam e até mesmo afirmam que pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) não possuem empatia e que não são capazes de amar. Neste texto irei explicar e desmistificar esse pensamento. Não é verdadeiro falar que pessoas com TEA não são empáticas, é até perigoso, pois cria-se um rótulo e uma falsa ideia dos seres humanos tão únicos que realmente são.

Cada ser humano tem sua subjetividade e isso não é diferente com pessoas com TEA, o que ocorre pode ser explicado pela teoria da mente que você irá entender agora.

Teoria da mente

“A expressão “Teoria da mente” (ToM) deriva de um prestigiado artigo publicado na década de setenta por um primatologista e um psicólogo, Premack e Woodruff, cujo título questionava se, a exemplo dos seres humanos, os chimpanzés também teriam uma “Teoria da mente” (1978).” (TONELLI, 2011). Esse termo refere-se a capacidade de um indivíduo compreender os estados mentais do outro (LIMA, 2019).

Atualmente o estudo da Teoria da Mente se estendeu para outros transtornos como a esquizofrenia e o transtorno bipolar, para a melhoria dos quadros e para a possibilidade de desenvolvimento de estratégias de prevenção e de tratamento das mesmas.

Relação da Teoria da Mente com o Autismo

O que acontece é que em pessoas com TEA há uma diferença no processamento cognitivo da Teoria da Mente, sendo assim podem ter uma incapacidade de inferir os estados mentais dos outros. Segundo (Frith & Happé, 1999) os mesmos podem apresentar empobrecimento no processamento de emoções, no reconhecimento das expressões faciais, do controle do olhar, do uso da linguagem pragmática (metáfora e ironia), da capacidade de imitação, do uso de gestos, e do reconhecimento de pensamentos e sentimentos de si mesmos e de outras pessoas. É possível observar a questão da teoria da mente em autistas a partir da escassez de jogos de faz-de-conta e na dificuldade em usar e entender termos associados a estados mentais.

Marcos do desenvolvimento infantil

Desde o segundo ano de vida:  o indivíduo tem a capacidade de atribuir estados mentais a outros já estariam em ação.

Entre dois e três anos: indivíduo tem a habilidade de interpretar desejos e emoções estaria instalada.

Aos quatro anos de idade: idade em que aparece o entendimento da noção de crenças e outros estados epistêmicos mais elaborados, mas a evolução da teoria da mente não se encerra nesse momento.

Após os quatro anos: surgem a compreensão mais sofisticada da ambiguidade e da ironia, o reconhecimento dos traços de personalidade alheios, o uso da intencionalidade para realizar julgamentos morais e o refinamento da capacidade de interpretar.

Considerações finais

Em pessoas com TEA esses marcos não ocorrem dessa maneira, diante disto a teoria da mente se compromete. De modo resumido, podemos observar que a teoria da mente é muito importante na vida de qualquer pessoa e quando há algum déficit, áreas do desenvolvimento mental podem ser afetadas. Em pessoas com TEA, portanto, a sociabilidade é uma área bastante afetada.

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Referências

LIMA, Rossano Cabral. Investigando o autismo: teoria da mente e a alternativa fenomenológica. Rev. NUFEN, Belém,  v. 11, n. 1, p. 194-214, 2019. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2175-25912019000100013 >. Acesso em: 24 de mar de 2022.

Teoria da Mente e autismo: qual a relação? Instituto de Psiquiatria PR, Paraná, 27 de jul de 2020. Disponível em: < http://institutodepsiquiatriapr.com.br/teoria-da-mente-e-autismo-qual-a-relacao/ >. Acesso em: 25 de mar de 2022.

Tonelli, Hélio. Autismo, teoria da mente e o papel da cegueira mental na compreensão de transtornos psiquiátricos. Psicologia: Reflexão e Crítica [online]. v. 24, n. 1.p. 126-134, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/prc/a/kQDx4WZqCRD9FwChDkdnH3m/?lang=pt# >. Acesso em: 24 de mar de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Distúrbios do sono e o Autismo

Os distúrbios do sono são muito frequentes em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, atingindo 44% a 83% dessas crianças. As mesmas frequentemente relatam acordar frequentemente durante a noite e ter poucas horas de sono. Comorbidades como epilepsia, depressão e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade contribuem para a ocorrência do distúrbio do sono, visto que os próprios medicamentos que são indicados para as comorbidades podem causar insônias, como ocorre com quem tem TDAH, que os medicamentos estimulam o Sistema Nervoso Central.

Causas do distúrbio de sono

Ainda não há um consenso entre as causas, mas uma delas está relacionada ao hormônio melatonina, que é responsável por ajudar a regular os ciclos de sono-vigília. Para produzir a melatonina, o corpo precisa de um aminoácido chamado triptofano e alguns estudos apontam que em crianças com TEA, o nível do mesmo pode ser maior ou menor que em crianças neurotípicas (sem transtorno ou deficiência).

Principais problemas relacionados ao sono

  • Recusar ir para a cama;
  • Dormir por curtos períodos ou não dormir o suficiente todas as noites;
  • Dificuldade em adormecer e de permanecer dormindo;
  • Problemas de comportamento diurno associados a sono insuficiente à noite;
  • Protelar ou precisar da presença de um dos pais ou cuidadores até adormecer;
  • Bruxismo;
  • Terror noturno;
  • Sonambulismo.

Efeitos

  • Agressão;
  • Hiperativiade;
  • Irritabilidade;
  • Depressão;
  • Aumento de problemas comportamentais;
  • Dificuldade de aprendizagem e baixo desempenho cognitivo.

Tratamento

O tratamento para o distúrbio do sono ainda é um desafio, porém em 2020 a American Academy of Neurology (Academia Americana de Neurologia) publicou as Diretrizes Práticas para Tratamento de insônia e distúrbios do sono nas crianças e adolescentes com TEA na revista Neurology.

De modo resumido as diretrizes afirmaram que a presença de comorbidades devem ser avaliadas, pois podem contribuir para o distúrbio do sono, por isso é importante avaliar para trata-las de maneira adequada e para saber se o uso de alguma medicação pode atrapalhar o sono. Estratégias comportamentais devem ser o tratamento de primeira linha de forma isolada ou associada ao uso de melatonina. A prescrição de melatonina deve ser considerada se há comorbidades nos pacientes e se os mesmos não se beneficiaram das estratégias comportamentais. A melatonina via oral deve ser iniciada em dose baixa (1 a 3 mg/dia) 30 a 60 minutes antes da hora de dormir e titular o efeito, não excedendo 10 mg/dia. Os efeitos colaterais da melatonina devem ser considerados e discutidos com os pais.

A diretriz também orienta que os profissionais clínicos devem esclarecer aos pais que não há evidência que apoie o uso rotineiro dos dispositivos Sleeps Sound-to-Sleep System e weighted blancket para os distúrbios de sono, e devem relatar também  que os estudos não mostraram efeitos colaterais significativos.

Orientações de como melhorar a qualidade do sono

  • Evitar estimulantes como cafeína e açúcar antes de dormir;
  • Estabelecer uma rotina noturna: banho, ir para cama no mesmo horário todas as noites, e leitura de histórias;
  • Desligar a televisão, videogames e outras atividades estimulantes pelo menos uma hora antes de dormir;
  • Evitar distrações sensoriais durante a noite. 

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Referências

CRUZ, Renata Carneiro da. Transtorno do Espectro Autista: Como tratar distúrbios do sono segundo a nova diretriz?. Portal PEBMED. Rio de janeiro, 18 de jun de 2020. Disponível em: <https://pebmed.com.br/transtorno-do-espectro-autista-como-tratar-disturbios-do-sono-segundo-a-nova-diretriz/#:~:text=Os%20dist%C3%BArbios%20de%20sono%20em,sono%20e%20noites%20sem%20dormir >.  Acesso em: 22 de mar de 2022.

Por que muitas pessoas com autismo têm problemas para dormir?. Tismoo, São Paulo, 10 de ago de 2018. Disponível em: < https://tismoo.us/ciencia/por-que-muitas-pessoas-com-autismo-tem-problemas-para-dormir/&gt; Acesso em: 22 de mar de 2022.

Qual é a relação entre autismo e distúrbio de sono?. Instituto do Sono, São Paulo, 23 de abril de 2021. Disponível em: < https://institutodosono.com/artigos-noticias/relacao-entre-autismo-e-disturbio-de-sono/&gt;. Acesso em: 22 de mar de 2022.

Russo, Fabiele. Distúrbio do sono no autismo. NeuroNecta, São Paulo, 2021. Disponível em: <https://neuroconecta.com.br/disturbio-do-sono-no-autismo/&gt;. Acesso em: 22 de mar de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Sinais de Transtorno do Espectro do Autismo na primeira infância

É muito comum pais se preocuparem com alguns déficits nos comportamentos de seus filhos e pensarem que os mesmos possuem o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Possivelmente pelo Transtorno ser abrangente e pela falta de informação de alguns profissionais, muitos diagnósticos são fechados de maneira errônea ou até mesmo não são fechados e por isso muitos se esquecem que outros transtornos existem e também podem fazer parte de um diagnóstico.

Vale ressaltar que desde 2013, com o DSM 5, O TEA refere-se a várias condições distintas, como autismo infantil, síndrome de Asperger, autismo infantil precoce, transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, autismo de alto funcionamento, e autismo de Kanner, pois termos que anteriormente eram separados, atualmente fazem parte do Transtorno do Espectro do Autismo. “A idade e o padrão de início também devem ser observados para o transtorno do espectro autista. Os sintomas costumam ser reconhecidos durante o segundo ano de vida (12 a 24 meses), embora possam ser vistos antes dos 12 meses de idade, se os atrasos do desenvolvimento forem graves, ou percebidos após os 24 meses, se os sintomas forem mais sutis.” (APA, 2014).

 Por esse motivo citarei aqui os sinais do TEA que devem ser observados na primeira infância:

  • Prejuízo persistente na comunicação social recíproca e na interação social;
  • Padrões restritos e repetitivos de comportamento (como abanar as mãos e estalar os dedos), e de interesses ou atividades (como girar moedas, enfileirar objetos);
  • Ecolalia;
  • Dificuldade na capacidade de apontar objetos;
  •  Dificuldade em olhar para os outros e mantar contato visual;
  • Dificuldade em orientar-se pelo próprio nome;
  • Dificuldade referente a aspectos da receptividade;
  • Prejuízo na habilidade de atenção compartilhada;
  • Prejuízo na comunicação;
  • Alteração na linguagem e na fala;
  • Alterações comportamentais;
  • Preferência em brincar sozinho(a);
  • Isolamento social;
  • Alterações sensoriais (Hipersensibilidade ou Hiposensibilidade à textura, sabor, odor temperatura, luz, toque);
  • Perturbações no desenvolvimento motor;
  • Interesses restritos, altamente limitados e fixos (criança pequena muito apegada a uma panela, criança pequena preocupada com aspirador de pó);
  • Apego a rotina;
  •  Demonstração de menos curiosidade;
  • Pouco prazer no contato físico;
  • Baixo interesse pela “atenção” das outras pessoas;
  • Dificuldade em entender expressões faciais.

Espero ter clareado a sua mente para o entendimento do TEA, e que os sinais possam ser observados de maneira cuidadosa e sempre com acompanhamento de profissionais especializados na área.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Até a próxima leitura. E para saber mais sobre a ODAPP, acesse: www.odapp.org.

Referências

APA – American Psychiatric Associatio. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5. Tradução: Maria Inês Correa Nascimento et al., revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

CARVALHO, Felipe Alckmin et al . Rastreamento de sinais precoces de transtorno do espectro do autismo em crianças de creches de um município de São Paulo. Psicol. teor. prat.,  São Paulo, v. 15, n. 2, p. 144-154, ago.  2013. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-36872013000200011 >. Acesso em: 09 de mar de 2022.

HOMERCHER, Bibiana Massem et al. Observação Materna: Primeiros Sinais do Transtorno do Espectro Autista Maternal. Estud. pesqui. psicol., Rio de Janeiro ,  v. 20, n. 2, p. 540-558, ago.  2020. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812020000200009>. Acesso em: 14 de mar de 2022.

Zanon, Regina Basso, Backes, Bárbara e Bosa, Cleonice Alves. Identificação dos primeiros sintomas do autismo pelos pais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 30, n. 1, p. 25-33, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/ptp/a/9VsxVL3jPDRyZPNmTywqF5F/?lang=pt# >. Acesso em: 09 de mar de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Governo federal lança caderneta do SUS para pessoas com doenças raras

“O governo federal lançou nesta quinta-feira (3) a caderneta do Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas com doenças raras. Estima-se, de acordo com o Ministério da Saúde, que há cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil com alguma condição rara de saúde. Em todo o mundo, são cerca de 300 milhões de raros e cerca de 6 mil a 8 mil tipos de doenças diferentes conhecidas. As doenças raras são caracterizadas como condições de saúde, geralmente crônicas, de baixa prevalência na população. A Caderneta do Raro, como foi batizada, serve para orientar pacientes e familiares que buscam atendimento especializado no SUS. Segundo o Ministério da Saúde, além de trazer os principais sinais e alertas que podem indicar a existência de uma doença rara, o documento traz informações sobre tratamentos e dicas para uma vida mais saudável.”

Para ler o texto na íntegra acesse: https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2022/03/03/interna_nacional,1349847/governo-federal-lanca-caderneta-do-sus-para-pessoas-com-doencas-raras.shtml

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Referências

AGÊNCIA BRASIL. Governo federal lança caderneta do SUS para pessoas com doenças raras. 03 de fev de 2022. Disponível em: < https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2022/03/03/interna_nacional,1349847/governo-federal-lanca-caderneta-do-sus-para-pessoas-com-doencas-raras.shtml&gt;. Acesso em 07 de fev de 2022.

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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Reconhecendo crianças e jovens que podem ser autistas

“Considere a possibilidade de Transtorno do Espectro Autista – TEA se houver preocupações sobre desenvolvimento ou comportamento, mas esteja ciente de que pode haver outras explicações para sinais e sintomas individuais. Sempre leve a sério as preocupações dos pais ou responsáveis ​​e, se apropriado, as preocupações da criança ou do jovem, sobre comportamento ou desenvolvimento, mesmo que não sejam compartilhadas por outras pessoas. Ao considerar a possibilidade de autismo e encaminhar uma criança ou jovem para a equipe de autismo, seja crítico sobre sua competência profissional e procure aconselhamento de um colega em caso de dúvida sobre o próximo passo.”

Esse assunto é de extrema relevância visto que mesmo com a evolução da ciência e da conduta de profissionais competentes, muitos acreditam no mito da mãe geladeira e outras suposições (como já explicado aqui no Observatório do Autista). Por isso é importante também se atentar aos sinais precoces da criança e à busca por profissionais qualificados na área e considerar que como cada ser é único, os sintomas e sinais podem não ser explicados por experiências domésticas perturbadoras ou doenças mentais ou físicas dos pais e/ ou cuidadores.

Para ler o texto na íntegra acesse: https://institutoinclusaobrasil.com.br/reconhecendo-criancas-e-jovens-que-podem-ser-autistas-tea/

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Referências

ALMEIDA, Marina. Reconhecendo crianças e jovens que podem ser autistas – TEA. Instituto Inclusão Brasil, São Vicente – São Paulo, 11 de fev de 2022. Disponível em: < https://institutoinclusaobrasil.com.br/reconhecendo-criancas-e-jovens-que-podem-ser-autistas-tea/ >. Acesso em: 28 de fev de 2022.

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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

O Quociente de Experiências de Vulnerabilidade (VEQ) e a qualidade de vida em adultos com TEA

“Aqui medimos a frequência de experiências de vida negativas em adultos autistas e exploramos como elas estão associadas a sintomas atuais de ansiedade e depressão e satisfação com a vida. Desenvolvemos o Quociente de Experiências de Vulnerabilidade (VEQ) por meio de consulta às partes interessadas. O VEQ inclui 60 itens em 10 domínios. Adultos autistas com diagnóstico clínico e controles não autistas completaram o VEQ, medidas de triagem para ansiedade e depressão e uma escala de satisfação com a vida em uma pesquisa online. A probabilidade de experimentar cada evento VEQ foi comparada entre os grupos, usando regressão logística binária. A análise de mediação foi usada para testar se a pontuação total do VEQ mediava a relação entre autismo e (1) depressão (2) ansiedade e (3) satisfação com a vida. Adultos autistas (N = 426) relataram maiores taxas da maioria dos eventos no VEQ do que adultos não autistas (N = 268)” (GRIFFITHS, Sarah et.al, 2019).

O ser humano é composto por experiências e ter um estudo que possa medir isso é diferente de muitos outros que já foram escritos. Como citado anteriormente, a pesquisa foi realizada a partir de medidas de triagem para depressão e de uma escala de satisfação.

O estudo mostrou que os adultos autistas são mais vulneráveis ​​a muitos eventos negativos da vida, sobretudo com relação a dificuldades financeiras, de emprego e de abuso doméstico. Esses eventos negativos contribuem para uma alta taxa de sintomas de depressão e ansiedade, e pouca satisfação com a vida. Diante disso, falar de experiências negativas vividas é falar também de qualidade de vida, embora não haja um consenso da definição da última. Cito aqui as seis dimensões da qualidade de vida propostas por Michalos, citadas por Day e Jankey (1996):

  • Primeira dimensão: refere-se a um objetivo-realização e relaciona-se às questões entre o que se tem e o que se quer ter;
  • Segunda dimensão:  diz respeito ao que os povos realmente consideram ser o seu ideal real de vida;
  • Terceira dimensão: Envolve a relação percebida entre as circunstâncias atuais e o que se espera se tornar;
  •  Quarta dimensão: É a relação percebida entre a vida atual e vida que já se teve no passado;
  • Quinta dimensão: Pressupõe que uma questão importante a ser analisada é o que é possuído por uma pessoa e pelo grupo de referência;
  • Sexta dimensão: Refere-se à importância de buscar esclarecer o quão bom é o ajuste da pessoa no ambiente em que se está inserido.

Por isso, convido você leitor a pensar sobre a qualidade de vida das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. A partir do VEQ foi possível pensar um pouco mais sobre as tantas experiências negativas e de vulnerabilidade que pessoas com TEA vivem, é necessário sempre ter muita atenção nos detalhes.

Obrigada por me acompanhar até aqui e até a próxima semana.

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Referências

DAY, H.; JANKEY, S.G. Lessons from the literature: toward a holistic model of quality of life. In: RENWICK, R.; BROWN, I.; NAGLER, M. (Eds.). Quality of life in health promotion and rehabilitation: conceptual approaches, issues and applications. Thousand Oaks: Sage, 1996.

GRIFFITHS, Sarah et.al. O Quociente de Experiências de Vulnerabilidade (VEQ): Um Estudo de Vulnerabilidade, Saúde Mental e Satisfação com a Vida em Adultos Autistas. Autismo Res. 12(10), p. 1516-1528, 2019. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31274233/ >. Acesso em: 02 de mar de 2022.

Pereira, Érico Felden; Teixeira, Clarissa Stefani; Santos, Anderlei dos. Qualidade de vida: abordagens, conceitos e avaliação. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte,v. 26, n. 2, p. 241-250, 2012. Disponível em:  < https://www.scielo.br/j/rbefe/a/4jdhpVLrvjx7hwshPf8FWPC/?lang=pt# >. Acesso em: 2 de mar de 2022.

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Mais chance de desenvolver Autismo? Autismo não é desenvolvido ou adquirido

Desde o início do mês de fevereiro deste ano, alguns profissionais se movimentaram nas redes sociais após uma notícia de uma revista falando a respeito do desenvolvimento do Transtorno do Espectro do autismo. A revista, na qual não citarei o nome, afirmou ter realizado um estudo e com isso escreveu que meninos que passam duas horas por dia em frente às telas possuem mais chance de desenvolver autismo.

Inicialmente é importante lembrar que o TEA não é desenvolvido ou adquirido, e sim genético. Crianças que desenvolvem-se de modo neurotípico até os dois anos de idade e após esta idade apresentam déficits em seus comportamentos, não adquirirem ou desenvolvem o TEA, esse processo ocorre porque, a poda neural (eliminação dos neurônios e sinapses que não estão sendo utilizadas) que se inicia aos dois anos de idade na vida de todo ser humano, ocorre de modo irregular em crianças com TEA.

Perceba que não há um processo de adquirir em um meio externo ao sujeito, o que há são modificações internas, modo de funcionar do próprio indivíduo. Vale ressaltar que isto não o torna de modo nenhum culpado ou anormal, é apenas uma forma diferente de ser e de estar no mundo.

Com relação às horas exacerbadas em frente às telas, é notório que a criança apresentará comportamentos deficitários, e até mesmo risco de obesidade, maior pressão arterial e problemas relacionados à saúde mental, pois não estará estimulando a imaginação, a interação social, e a cognição, visto que estará apenas recebendo informações prontas. Entretanto tais comportamentos não são iguais aos de pessoas com TEA e tampouco suficientes para fechar um diagnóstico. Novamente deixo claro que tal Transtorno, segundo o DSM 5, é um transtorno do Neurodesenvolvimento que é caracterizado pelas dificuldades que o indivíduo tem na interação social, na comunicação e pelo padrão restrito e repetitivo de comportamento.

Por isso, fique atento às notícias e às falsas propagações de informações. E para conhecer mais sobre a ODAPP acesse: www.odapp.org.

Obrigada por me acompanhar até aqui!

Referências

APA – American Psychiatric Associatio. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução: Maria Inês Correa Nascimento et al., revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli et al. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

GAIATO, Mayra. Poda Neural: O que é e como impacta uma criança com autismo? Mayra responde. 2021.(08:28). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=Pn4qwHcUdeI>. Acesso em: 21 de fev de 2022.

NOBRE, Juliana Nogueira Pontes et.al. Fatores determinantes no tempo de tela de crianças na primeira infância. Ciência & saúde coletiva, 26 (3),15,p. 1127-1136,2021.

SEGRETTI, Letícia. Não é verdade. São Paulo, 8 de fev de 2022. Instagram: @leticiasegretti. Disponível em: < https://www.instagram.com/p/CZvQr8RsoUw/ >. Acesso em: 21 de fev de 2022.

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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

STJ adia julgamento sobre cobertura dos planos de Saúde

“O julgamento sobre a cobertura dos planos de saúde para procedimentos listados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi suspenso, mais uma vez, na tarde desta quarta-feira (23/2). A apreciação do caso terminou empatada e foi adiada após pedido de vistas (mais tempo para analisar o tema) do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Ainda não há data para ser retomada. Na ação, os ministros devem decidir se a cobertura dos planos deve ser exemplificativa ou taxativa, ou seja, se as operadoras podem ou não ser obrigadas a cobrir procedimentos não incluídos na lista da ANS, conhecida como rol(..)”.

Para esclarecer melhor o assunto em questão, a lista de Rol de procedimentos da ANS consiste em uma lista de exames, procedimentos e tratamentos que possuem cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Diante disso se o rol for taxativo implica em uma lista pré-definida pela Agência Reguladora, ou seja mesmo que o médico indique algum exame ou procedimento o plano de saúde não tem a obrigatoriedade de cobrir. Já o rol exemplificativo consiste em uma lista de procedimentos mínimos obrigatórios, o que significa que a mesma fica em aberto para a inserção de novos procedimentos.

É por isso que profissionais da área da saúde, pais e familiares de crianças e pessoas com TEA se mobilizaram nas redes sociais, visto que lutam pelos seus direitos e pelos melhores tratamentos possíveis.

Para ler o texto na íntegra acesse: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/02/4987831-stj-adia-julgamento-que-pode-mudar-na-cobertura-dos-planos-de-saude.html

Referências

PATRIOLINO, Luana. STJ adia julgamento que pode mudar cobertura dos planos de saúde. Brasília, 23 de fev de 2022. Disponível em: < https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/02/4987831-stj-adia-julgamento-que-pode-mudar-na-cobertura-dos-planos-de-saude.html > Acesso em: 23 de fev de 2022.

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