Autismo: Terapia Genética reverte efeitos de Síndrome Associada ao Diagnóstico

“Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, identificaram o mecanismo por trás da mutação de um gene que causa a Síndrome de Pitt-Hopkins, uma disfunção neuropsiquiátrica considerada parte do transtorno do espectro autista (TEA). Além disso, eles conseguiram testar com sucesso modelos de terapia genética para reverter os efeitos do distúrbio. As descobertas foram publicadas na revista científica Nature Communications (..)O distúrbio provoca um quadro clínico marcado por déficit cognitivo, atraso motor profundo, ausência de fala funcional e anormalidades respiratórias, e estima-se que uma a cada 35 mil pessoas tenha a mutação no gene responsável pela síndrome. Seu quadro clínico é associado a uma série de diagnósticos que vão desde transtornos psiquiátricos até o autismo.”

Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2022/05/autismo-terapia-genetica-reverte-efeitos-de-sindrome-associada-ao-diagnostico.ghtml

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Seletividade Alimentar, você sabe o que é?

Introdução

“A seletividade alimentar é caracterizada por recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento. É um comportamento típico da fase pré-escolar, mas, quando presente em ambientes familiares desfavoráveis, pode acentuar-se e permanecer até a adolescência.” (SAMPAIO et.al, 2013).

Entretanto em caso de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, o comportamento não se limita a fase da pré-escola e da adolescência, pois as causas podem se relacionar a questões sensoriais, comportamentais ou motoras orais. Podem ter ligação também com questões visuais, de sabor ou de cheiro, bem como com questões de rigidez comportamental, tendo em vista que algumas crianças não querem quebrar padrões que possuem como alterar o que já têm o costume de comer ou a forma que comem.

O que fazer

O primeiro ponto a ser levado em consideração é o respeito que deve-se ter com a criança, pois o trabalho com a seletividade alimentar não deve acarretar sofrimento para a criança e seus familiares. Por isso enfatizo, mais uma vez, a importância do trabalho multidisciplinar com uma equipe especializada com fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, nutricionista e pediatra.

Em segundo, lito aqui algumas orientações importantes:

  • Nunca subestime o que a criança está sentindo;
  • Nunca force a alimentação;
  • Não coloque de castigos e não faça trocas (a alimentação não deve se relacionar com algo ainda mais aversivo);
  • Coloque a criança para participar do preparo dos alimentos;
  • Faça aproximações sucessivas;
  • Deixe a criança brincar com o alimento que ainda não come;
  • Promova variações do alimento, como várias texturas, e seja o modelo para seu filho.

Importante

Como afirma Magagnin et.al (2021), cada indivíduo manifesta padrões alimentares próprios, através de diversos fatores biológicos, ambientais, sociais e familiares que interagem entre si. Dessa forma, algumas crianças apresentam comportamentos alimentares desadaptativos, enquanto outras enfrentam grandes dificuldades com relação à alimentação. Isso faz com que olhemos o indivíduo com TEA para além do diagnóstico, pois mesmo compartilhando o mesmo transtorno apresentam uma variabilidade sintomática particular de cada um.

Obrigada por me acompanhar até aqui! Para saber mais sobre a ODAPP acesse www.odapp.org.

Referências:

Magagnin, Tayná et al. Aspectos alimentares e nutricionais de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. Physis: Revista de Saúde Coletiva [online]. 2021, v. 31, n. 01.p.1-21. Disponível em:< https://www.scielo.br/j/physis/a/WKnC7ffTK4CJZbgbCJRcChS/#>. Acesso em: 17 de mai de 2022.

Sampaio, Ana Beatriz de Mello et al. Seletividade alimentar: uma abordagem nutricional. Jornal Brasileiro de Psiquiatria [online]. 2013, v. 62, n. 2. p. 164-170. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/XMDX3Wc8Xn7XbcYvRfjdSpd/?lang=pt# >. Acesso em: 17 de mai de 2022.

TORRES, Débora. Seletividade Alimentar no Autismo. Brasil, 16 de mai de 2022. Instagram: @psicodeboratorres.  Disponível em: <https://www.instagram.com/p/CdnkUIkAccF/ >.  Acesso em: 16 de mai de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Contribuições da implementação do Plano Educacional Individualizado (PEI) em alunos com TEA

Introdução

Com certeza você educador e profissional da educação já ouviu, mesmo que de modo superficial e distante, sobre o Plano Educacional Individualizado (PEI). Hoje irei escrever sobre a implementação do mesmo.

Sabe-se que poucos estudos mostram de fato como o PEI é elaborado e executado, isso se dá devido ao fato de que o PEI, no Brasil, é frequentemente atribuído somente ao professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE), com foco na instituição (mais especificamente nas ações do professor) e não no processo de aprendizagem do aluno, sendo então realizado unicamente como formalidade (TANNÚS-VALADÃO; MENDES, 2018).

O PEI é também conhecido como Planejamento Educacional Individualizado ou Plano de Ensino Individualizado e é internacionalmente considerado uma metodologia de trabalho colaborativo (COSTA; SCHMIDT, 2019). Tem como foco o aluno com deficiência e é elaborado a partir da idade, da série, dos conhecimentos prévios e do grau de desenvolvimento, levando em consideração os objetivos de curto, médio e longo prazo (YELL, BATEMAN e SHRINER apud SILVA e CAMARGO, 2021).

Recorte Histórico

Em 2008, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, foi adotada pelo Brasil, representando um grande marco histórico e legislativo nacional no que se refere ao acesso e direitos universais à educação. Esta política tem como função orientar as instituições de ensino a respeito da inserção incondicional de todos os alunos e da promoção de estratégias para atender às necessidades educacionais de cada estudante.

Já em 2015, para alavancar as políticas de inclusão, foi sancionada a Lei Brasileira de Inclusão nº 13.146 de 2015, chamada também de Estatuto da Pessoa com Deficiência, que reúne todos os dispositivos legais anteriores que abrangem os direitos das pessoas com deficiência, incluindo e reforçando a inclusão escolar.

PEI em outros países

O PEI não existe somente no Brasil. Nos Estados Unidos, Itália, França e Portugal existem legislações que garantem a elaboração e aplicação desse documento para todos os alunos com necessidades educacionais especiais.

Na Itália e nos Estados Unidos (pioneiro na legislação e utilização deste instrumento), o PEI tem o foco na vida escolar do aluno.  E na França, o PEI abarca questões de vida cotidiana, questões médicas, educacionais e psicossociais.

Contribuições da Implementação

De acordo com Pereira e Nunes (2018) em sua pesquisa, com a aplicação do PEI houveram mudanças significativas nas áreas acadêmicas e/ou funcionais do aluno, sendo demonstradas através de dados qualitativos e quantitativos. Foi realizado um estudo quase-experimental, com um aluno com Transtorno do Espectro do Autismo em uma escola regular de ensino, sendo que o PEI era a variável independente.

 As autoras utilizaram duas variáveis dependentes, uma qualitativa referente a participação na rotina do lanche e ao desenvolvimento das produções escritas, e outra quantitativa, concernente ao tempo de engajamento nas tarefas. Após a implementação do PEI, foi possível perceber, no aluno, ganhos qualitativos na rotina do lanche, pois o mesmo demonstrou participar de forma independente e proativa. Também foi possível observar o aumento na participação e qualidade das atividades escritas. A professora do aluno, apontou o PEI como sendo norteador do trabalho, pois contribuiu para uma melhor inclusão do aluno com TEA.

Para saber mais sobre a Odapp acesse www.odapp.org. Obrigada por me acompanhar até aqui!

Referências:

COSTA, D. S.; SCHMIDT, C. Plano Educacional Individualizado para estudantes com Autismo: revisão conceitual. Cadernos de Educação, n. 61, pp. 102-128, jan./jun. 2019.

PEREIRA, D. M.; NUNES, D. R. P. Diretrizes para a elaboração do PEI como instrumento de avaliação para educando com autismo: um estudo interventivo. Revista Educação Especial, v. 31, n. 63, p. 939-960, Santa Maria, out./dez. 2018

SILVA, Gabrielle Lenz da; CAMARGO, Síglia Pimentel Höhe. Revisão integrativa da produção científica nacional sobre o Plano Educacional Individualizado. Revista Educação Especial, v. 34, Santa Maria, 2021.

TANNÚS-VALADÃO, G.; MENDES, E. G. Inclusão escolar e o planejamento educacional individualizado: estudo comparativo sobre práticas de planejamento em diferentes países. Revista Brasileira de Educação, v. 23, e 230076, 2018.

Rebeca Collyer dos Santos  
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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Criança Autista fica mais de 10 dias sozinho com a mãe que infartou

Introdução

Ao falar do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), neste blog, sempre o assunto abordado é sobre a importância de algo, ou sobre os benefícios de algo para o TEA, e até mesmo sobre alguma notícia a respeito do assunto. Hoje o intuito é trazer uma reflexão para além de tudo já escrito por aqui. Possivelmente não teremos uma resposta pronta e decorada, porém poderemos refletir juntos e pensar em estratégias de enfrentamento plausíveis e reais.

Nossa missão é melhorar a qualidade de vida das famílias que convivem com crianças com Transtornos do desenvolvimento e em especial o autismo, justamente por isso trago a notícia de hoje para refletirmos sobre a invisibilidade de muitas famílias que lidam com crianças com o TEA, sobre a luta diária dos familiares para ensinarem seus filhos autistas a se defenderem e a se expressarem e sobre o apoio da comunidade que cerca tais famílias e crianças. Estamos em constante evolução, e todos os dias são lutas e conquistas, mas em qual passo estamos? O que ainda precisamos melhorar e planejar? Deixo para você essa reflexão, talvez inquietante e conflituosa, porém real.

Notícia

“O caso aconteceu em São Sebastião do Paraíso e comoveu os moradores do bairro Jardim Itamarati. Na segunda-feira, dia 16, E.S. foi até a casa de sua irmã Ana Paula, de 39 anos, pois estranhou que ela não havia entrado em contato com seus familiares há dias.

Ele chamou no portão por vários minutos e como estava tudo trancado, estourou o cadeado e arrombou a porta da sala. Na entrada ele já sentiu um forte cheio e foi até quarto de Ana Paula, onde a encontrou caída, sem vida, com seu corpo em avançado estado de decomposição. Na cozinha estava o filho dela, de 6 anos, autista, que não conseguiu se expressar para informar o que aconteceu.

A Polícia Militar foi acionada para registrar boletim de ocorrência. Inicialmente a suspeita era de que Ana Paula teria cometido suicídio e teria deixado comida pronta, biscoitos e suco, para que o filho se alimentasse.

Mas essa hipótese foi descartada com o exame feito no IML, que constatou morte por infarto. Segundo o laudo, o óbito pode ter ocorrido há mais de 12 dias, pelo estado em que o corpo foi encontrado. Durante esse tempo, o garotinho ficou ao lado da mãe e sozinho, se alimentando do que havia na mesa. O corpo foi liberado hoje para velório e sepultamento.”

Obrigada por me acompanhar até aqui!

Fonte: https://correiosudoeste.com.br/noticia/3206/-Crian%C3%A7a-autista-fica-mais-de-10-dias-sozinho-com-a-m%C3%A3e-morta-que-infartou-

Rebeca Collyer dos Santos  
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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Instrumentos diagnósticos que podem ser utilizados para avaliação do Transtorno do Espectro do Autismo

  • Modified Checklist for Autism in Toddlers – M-CHAT-R/F – Deborah Fein, Marianne Barton, 2009 – Traduzida por Dra. Rosa Miranda Resegue

Segundo a  lei 13.438/17, o uso da M-CHAT-R/F é obrigatória para crianças em consultas pediátricas de acompanhamento realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As respostas aos itens da escala levam em conta observações dos pais com relação ao comportamento do filho. A soma total dos pontos indica a presença de sinais do TEA, mas não necessariamente confirma o diagnóstico preciso. A escala classifica as crianças avaliadas em três níveis: baixo risco, risco moderado e alto risco.

  • Childhood Autism Rating Scale – CARS (Escala de avaliação para Autismo Infantil) – Schopler et al., 1980.

A CARS é baseada nas definições de autismo apresentadas por Rutter, Ritvo e Freeman. Os aspectos comuns entre essas definições são: i) desenvolvimento social comprometido em relação às pessoas, objetos e acontecimentos; distúrbio da linguagem e habilidades cognitivas; início precoce do transtorno, antes dos 30 meses de idade. A escala é um instrumento para observações comportamentais, sendo administrada na primeira sessão de diagnóstico. É composta por 15 itens, sendo que cada um deles é  pontuado num continuum, variando do normal para gravemente anormal, todos contribuindo igualmente para a pontuação total. De acordo com o manual da CARS, o autismo é caracterizado por um resultado de 30 pontos, em uma escala que varia de 15 a 60 pontos, sendo que o intervalo entre 30 e 36,5 é definido como característico de autismo moderado. O que se apresenta entre 37-60 pontos é definido como autismo grave.

  • Escala de Traços Autísticos – ATA (Avaliação de Traços Autísticos) – Ballabriga et al., 1994; adapt. Assumpção et al.,  1999.

Esta escala, embora não tenha o escopo de avaliar especificamente uma função psíquica, é utilizada para avaliação de uma das patologias mais importantes da Psiquiatria Infantil – o Autismo. Seu ponto de corte é de 15. Pontua-se zero se não houver a presença de nenhum sintoma, 1 se houver apenas um sintoma e 2 se houver mais de um sintoma em cada um dos 36 itens, realizando-se uma soma simples dos pontos obtidos.

  • Avaliação de Tratamentos do Autismo – ATEC (Autism Treatment Evaluation Chechlist) – Bernard Rimland, Ph.D. e Stephen M. Edelson, Ph.D, 1995.

A Checklist de Avaliação do Tratamento do Autismo, ou ATEC, é uma das ferramentas de avaliação mais utilizadas na comunidade do autismo. A lista de verificação é projetada para avaliar a eficácia dos tratamentos, bem como para monitorar como um indivíduo progride ao longo do tempo. O ATEC é utilizado por pais e pesquisadores, bem como por escolas, clínicas médicas e comportamentais e companhias de seguros. Mais de meio milhão de ATECs foram concluídos nas últimas duas décadas.  O ATEC contém um total de 77 questões classificadas em quatro subescalas: Fala / Linguagem / Comunicação, Sociabilidade, Sensibilidade Sensorial / Cognitiva e Física / Saúde / Comportamento.  Além do inglês, o ATEC está disponível em 20 idiomas diferentes, como português, chinês, tcheco, japonês, francês, italiano e espanhol. Esta escala não tem padronização brasileira, portanto não é uma escala reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia.

  • Autism Behavior Checklist – ABC ou ICA (Lista de Checagem de Comportamento Autístico) -Krug et al., 1980

O ABC ou ICA é um questionário constituído por 57 itens, elaborados para avaliação de comportamentos autistas em população com retardo mental, que tem ajudado na elaboração de diagnóstico diferencial de autismo. Esta lista de verificação foi desenvolvida a partir do registro de comportamentos, selecionados de nove instrumentos utilizados para se identificar o autismo. Os itens desta escala, na forma de descrições comportamentais, foram agrupados em 5 áreas de sintomas: sensorial, relacionamentos, uso do corpo e de objetos, linguagem, e habilidades sociais e de auto-ajuda. A análise da escala propõe 17 itens comportamentais pontuados com nota 4, que são considerados altamente indicadores de autismo, 17 itens pontuados com nota 3, 16 itens pontuados com nota 2, e 7 itens comportamentais com nota 1, considerados pouco indicadores de autismo. O resultado médio dos estudos de validação do instrumento  é 78 pontos para o autismo e 44 pontos para o retardo mental grave. O ABC, aparentemente, é capaz de identificar sujeitos com altos níveis de comportamento autista.

  • Autism Diagnostic Observation Schedule – ADOS ou ADOS2  (Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo) – Lord et al., 1989.

A Escala de Observação para o Diagnóstico de Autismo 2 (ADOS-2) é uma avaliação padronizada e semiestruturada da comunicação, da interação social e jogo ou uso criativo de materiais para pessoas suspeitas de terem Perturbações do Espetro do Autismo. A escala está estruturada em cinco módulos (t, 1, 2, 3 e 4), cada um específico para determinada idade e nível de linguagem. O ADOS2 e ADIR são escalas consideradas “padrão ouro” na literatura internacional para auxiliar no diagnóstico de autismo, contudo suas traduções para o português não são oficiais, infelizmente não há padronização na população brasileira. O ADOS é um protocolo padronizado de observação e avaliação dos comportamentos sociais e da comunicação da criança e do adulto autista, originalmente planejado para pessoas com idade mental de 3 anos ou mais. Esta escala não tem padronização brasileira, portanto não é uma escala reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia.

  • Autism Diagnostic Interview-Revised – ADI-R (Entrevista Diagnóstica para Autismo Revisada) –  Lord, Rutter, & Le Couteur, 1994.

A aplicação da ADI, deve ser administrada junto aos pais, com o objetivo de obter descrições detalhadas dos comportamentos que são necessários para o diagnóstico diferencial de TEA. A versão original da ADI foi planejada com propósitos de pesquisa, visando completar a avaliação comportamental de sujeitos com idade cronológica de 5 anos, e idade mental de pelo menos 2 anos. A versão revisada, foi resumida e modificada para adequar-se a crianças com idade mental de aproximadamente 18 meses até a vida adulta, e está vinculada aos critérios do DSM-V e da CID-10. O ADOS2 e ADIR são escalas consideradas “padrão ouro” na literatura internacional para auxiliar no diagnóstico de autismo, contudo suas traduções para o português não são oficiais, infelizmente não há padronização na população brasileira. A ADI-R, consiste numa entrevista estruturada com 93 questões, que permite aos profissionais analisar, através dos pais ou cuidadores, a sintomatologia relacionada com as perturbações do espectro autista. Esta escala não tem padronização brasileira, portanto não é uma escala reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia.

  • Autism Screening Questionnaire – ASQ ou SQS (Questionário de Triagem para Autismo) – Rutter et al., 1999.

O ASQ consiste em 40 questões extraídas da ADI-R, que foram modificadas para tornarem-se mais compreensíveis aos pais.  Há questões sobre as áreas abordadas pela ADI-R relativas à interação social recíproca, comunicação e linguagem, padrões de comportamento estereotipados e repetitivos, além de questões sobre o funcionamento atual da linguagem. Duas versões do questionário foram projetadas, uma para crianças menores de 6 anos e outra para crianças com 6 anos ou mais. As questões recebem pontuação “0” para ausência de anormalidade ou “1” para a presença dela. A pontuação total varia de “0” a “39” para indivíduos com linguagem verbal e até “34” quando as questões sobre linguagem forem inaplicáveis. A nota de corte “15” é considerada pontuação padrão ótima para a diferenciação do transtorno do espectro autístico, e acima de “22” pode diferenciar autismo de outros diagnósticos.

  • Inventário Portage Operacionalizado – Williams e Aiello, 2001.

No Portage a criança é avaliada em cinco áreas:socialização, cognição, linguagem, autocuidados e desenvolvimento motor. É específico para a faixa etária de 0 a 6 anos e é composto por 5 áreas: desenvolvimento motor, linguagem, socialização, autocuidados e cognição. Esta fase é muito importante porque além de coletar informações a respeito da criança e sua família, é o momento de discussão e elaboração do processo de intervenção domiciliar ou escolar. Vale ressaltar que esta escala é valida no Brasil.

  • Perfil Psicoeducacional – (PEP-3) – Schopler, Reichler, Bashford, Lansing & Marcus, 1990

O PEP-R  é um instrumento de avaliação da idade de desenvolvimento de crianças com autismo ou com outros transtornos da comunicação. Serve como alicerce para a elaboração de um planejamento psicoeducacional de acordo com os pressupostos teóricos do modelo TEACCH. Foi concebido para identificar padrões de aprendizagem irregulares e idiossincráticos, destinando-se a crianças cuja faixa etária vai de um a doze anos. As áreas avaliadas são: coordenação motora ampla, coordenação motora fina, coordenação visuo-motora, percepção, imitação, performance cognitiva e cognição verbal. Para cada área foi desenvolvida um escala específica com tarefas a serem realizadas.  Esta escala é valida no Brasil.

  • Escala Vineland I e II – ECAV – Sara S. Sparrow, Domenic V. Cicchetti, David A. Balla, 1998.

A Vineland avalia o comportamento adaptativo desde o nascimento até à idade adulta. Os conteúdos e escalas da Vineland-II estão organizados em 4 grandes domínios que se subdividem em 11 subdomínios. A sua aplicabilidade é bastante vasta, justificando-se a sua utilização sempre que seja necessária uma avaliação da funcionalidade do sujeito. Esta escala não tem padronização brasileira, portanto não é uma escala reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia.

  • VB-MAPP – Marcos do Comportamento Verbal Programa de Avaliação e Colocação

A sigla significa Avaliação de Marcos do Comportamento Verbal e Programa de Nivelamento, utilizado para avaliação do repertório inicial em intervenções com ABA. Esse instrumento compreende 170 marcos de desenvolvimento subdivididos em três níveis, que vão de zero a 48 meses de idade. Dentro de cada divisão, existem diferentes habilidades, tais quais mando, tato, imitação motora, habilidades de grupo e pré-acadêmicas. Além disso, são avaliadas 24 possíveis barreiras para o aprendizado, como comportamento hiperativo e baixo contato visual. O VB-MAPP disponibiliza uma avaliação de transição, na qual a junção de habilidades e barreiras ajuda a identificar os fatores determinantes para as dificuldades de aprendizado daquela criança. Ainda há uma ferramenta chamada “análise de tarefas e rastreamento de habilidades”, com a qual é possível maior detalhamento das habilidades esperadas, chegando a cerca de 900. Por fim, tem-se acesso a um plano de ensino individualizado que propiciará o nivelamento.

  • Checklist Curriculum do Modelo Denver de Intervenção Precoce Para Crianças Pequenas com Autismo – ESDM (versão em português)

A implementação de planos de tratamento individualizados segundo o Modelo Denver de Intervenção Precoce em Crianças com Autismo requer, para cada criança, o uso desta ferramenta de avaliação muito completa, tem como objetivo a promoção da linguagem, da aprendizagem e da socialização.

  • Protocolo PREAUT – (Programme Recherche Evaluation Autisme)

O protocolo de sinais Preaut auxilia os profissionais da saúde e educação a identificarem indícios de que o bebê tenha o risco de uma evolução autística a partir do quarto mês e antes dos três anos. Secundariamente, toda vez que pesquisamos sinais de risco de autismo, podemos encontrar outros sinais que levem a outros transtornos de desenvolvimento.

  • Protocolo IRDI – Indicadores de Risco para Desenvolvimento Infantil de 0 a 18 meses

O protocolo IRDI tem sido utilizado na realidade brasileira em pesquisas para demonstrar a correlação entre risco e presença de alteração de humor materno , dificuldades com a constituição do papel materno; prolongamento do aleitamento materno e dificuldades na transição alimentar; a menor produção de fala entre 13 e 16 meses. O IRDI é um instrumento de leitura e não um checklist. Não se pode aplicá-lo como um questionário, pois o profissional é convocado a observar a dupla mãe/bebê e a conversar com a mãe para então poder proceder a uma leitura do que percebeu e, depois da consulta, preencher se o indicador está presente, ausente ou se não foi possível verificá-lo. Além disso, a concepção do IRDI retoma em cada faixa etária as mesmas questões, por meio de diferentes situações, propondo com a aplicação da faixa etária atual e da faixa etária pregressa uma leitura a posteriori, tal qual preconiza a psicanálise. Não pode ser aplicado automaticamente como seria ticar em uma lista: seu uso requer um raciocínio clínico.

Fonte: https://institutoinclusaobrasil.com.br/instrumentos-diagnosticos-para-avaliar-o-autismo-tea/

Referências

ALMEIDA, Marina. Instrumentos Diagnósticos para avaliar o Autismo-TEA. Instituto Inclusão Brasil, 16 de out de 2018. Disponível em:<https://institutoinclusaobrasil.com.br/instrumentos-diagnosticos-para-avaliar-o-autismo-tea/&gt;. Acesso em: 10 de maio de 2022.

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Inclusão, Suporte e Adaptação para crianças com TEA no ambiente escolar

É de extrema importância promover adaptações no ambiente físico, escolar, familiar e social. As adaptações fazem parte da inclusão, pois com o suporte necessário o indivíduo pode se desenvolver, se comunicar e interagir da melhor maneira possível. Cada pessoa, sobretudo, com Transtorno do Espectro Autista, possui suas individualidades, suas necessidades, bem como suas potencialidades, por isso é necessário conhece-las a fim de proporcionar a adaptação ideal e funcional para cada uma.

Quando falamos em inclusão e adaptação, um dos espaços que pensamos é sem dúvida a escola, pois a mesma se destaca por favorecer o desenvolvimento infantil. Isso ocorre devido a convivência social que as crianças têm umas com as outras e também pelo importante papel do professor de mediar as diferentes formas de aprendizado e aquisições de habilidades.

De acordo com Höher Camargo e Bosa (2012), o contexto escolar proporciona contatos sociais, favorecendo o desenvolvimento da criança autista, assim como o das demais crianças, pois na medida em que convivem, as mesmas aprendem com as diferenças. Já Silva e Facion (2008) corroboram com os autores, afirmando que os demais alunos irão se enriquecer por terem a oportunidade de conviver com as diferenças.

Com isso, podemos fazer associação com o conceito de mediação de Vygotsky, pois todo o processo realizado dentro de sala de aula, dos alunos aprenderem e auxiliarem uns aos outros, pode ser considerado mediação da aprendizagem, desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento das crianças.

E para que toda a interação e a inclusão ocorram, quais sãos os tipos de suporte e adaptações que podem ser pensados no ambiente escolar? Veja alguns exemplos:

  • Material Pedagógico Adaptado (Cartões de Comunicação, Prancha de Comunicação Alternativa, Livros adaptados, informática acessível);
  • Acompanhante Especializado na sala de aula (profissional de apoio);
  • PEI(Plano Educacional Individualizado);
  • Adaptação de aulas extras como nas aulas de Educação física e música;
  • Atenção e cuidado nas necessidades sensoriais da criança.

Obrigada por me acompanhar até aqui. Para saber mais sobre a ODAPP acesse: http://www.odapp.org.

Referências

HÖHER CAMARGO, S. P.; BOSA, C. A. Competência social, inclusão escolar e autismo: um estudo de caso comparativo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v.28, n.3, p.315-324, 2012

Lemos, Emellyne Lima de Medeiros Dias, Salomão, Nádia Maria Ribeiro e Agripino-Ramos, Cibele Shírley. Inclusão de crianças autistas: um estudo sobre interações sociais no contexto escolar. Revista Brasileira de Educação Especial [online], v. 20, n. 1, p. 117-130, 2014. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbee/a/GS4c9BPW9PW8ZqzBGjx7Kzj/?lang=pt >. Acesso em: 25 de abr de 2022.

SCHIRMER, Carolina Rizzotto; FERREIRA PINTO, Luciana Meira; RACHED, Ana Caroline. Material pedagógico adaptado ou especialmente elaborado e os recursos de Comunicação Alternativa e Ampliada postados no WhatsApp. In: NUNES, L. R. O. P., and SCHIRMER, C. R., orgs. Salas abertas: formação de professores e práticas pedagógicas em comunicação alternativa e ampliada nas salas de recurso multifuncionais [online]. Rio de Janeiro: EDUERJ.p. 207-241, 2017. Disponível em: < https://books.scielo.org/id/xns62/pdf/nunes-9788575114520-12.pdf>.  Acesso em: 25 de abr de 2022.

SILVA, M. F. M. C.; FACION, J. R. Perspectivas da inclusão escolar e sua efetivação. In FACION, J. R. (Org.). Inclusão escolar e suas implicações. 2ª ed. Curitiba: Ibpex. p.185-216, 2008.

SIMONE, Leal. A escola parece inclusiva mas não é quando. 20 de abr de 2022. Instagram: @atipicamente.azul. Disponível em: < https://instagram.com/atipicamente.azul?igshid=YmMyMTA2M2Y=>. Acesso em: 26 de abr de 2022.

VYGOTSKY, L. S. Formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

Rebeca Collyer dos Santos  
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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga no Instituto CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Governo lança programa de atividades físicas para crianças e adolescentes Autistas

“O Ministério da Cidadania e da Secretaria Nacional do Paradesporto lançou em 1 de abril o programa TEAtivo, que visa prover atividades físicas para crianças e adolescentes autistas. O projeto está sendo implantado inicialmente em Goiânia e também em Tanguá, no Rio de Janeiro, e é previsto que beneficiem cerca de 300 pessoas. De acordo com nota do Governo Federal, é previsto que a cidade do Rio de Janeiro também receba ações do projeto. As atividades ocorrerão no Parque Olímpico da Barra. É estimado um gasto de R$ 1,7 milhão no projeto.”

Fonte: Canal Autismo

Referência

Governo lança programa de atividades físicas para crianças e adolescentes autistas. Canal autismo, 14 de abr de 2022. Disponível em:< https://www.canalautismo.com.br/noticia/governo-lanca-programa-de-atividades-fisicas-para-criancas-e-adolescentes-autistas/>. Acesso em: 25 de abr de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Ressonância Magnética do Cérebro Fetal Humano (MRI) Indica o Futuro Surgimento de Distúrbios do Espectro do Autismo

Conforme já escrito aqui no Observatório do Autista, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um Transtorno do Neurodesenvolvimento, no qual a causa é desconhecida, porém existem fatores de risco que são considerados como a prematuridade, diabete gestacional, idade avançada da mãe etc.

O Centro de Convenções da Pensilvânia publicou, no dia 05 de abril, a respeito da Ressonância Magnética em pessoas com TEA. Na publicação afirmaram que criaram a hipótese que pacientes com TEA apresentariam, nos estágios de desenvolvimento, anormalidades específicas na região da anatomia cerebral.

“Usamos ressonância magnética cerebral clínica retrospectiva dos fetos que foram diagnosticados como TEA em idade avançada para obter biomarcadores volumétricos regionais mais precoces baseados em ressonância magnética. Trinta e nove fetos (idade média 24,87 ± 5,05 semanas gestacionais [GW]) foram incluídos neste estudo (9 pacientes com TEA prospectivos, 20 controles neurotípicos, 6 controles sem TEA com comorbidades neurológicas observadas nos pacientes com TEA prospectivos, e 4 controles sem TEA com comorbidades não neurológicas observadas nos pacientes com TEA em perspectiva.”

Nos resultados obtidos, a ínsula/lobo insular apresentou volume estatisticamente significativamente maior no TEA do que nos três grupos de controle na comparação lobar. Com isso, foi possível perceber que, na comparação regional, o grupo TEA apresentou comissura hipocampal, amígdala, e ínsula estatisticamente significativamente maiores em comparação aos controles sem TEA com comorbidades neurológicas e não neurológicas.

 Em suma, os resultados sugerem que um volume aumentado da ínsula/lóbulo insular pode ser um forte biomarcador de ressonância magnética pré-natal que poderia prever o surgimento de TEA mais tarde na vida.

Com isso, podemos entender a correlação estabelecida e estudada, mas também podemos questionar a respeito desse surgimento, visto que tantos outros estudos científicos afirmam que o Transtorno do Espectro Autista é genético.

Para ler o texto na íntegra acesse: https://www.eventscribe.net/2022/EB2022/index.asp?presTarget=2001481.

Referências

CARVALHEIRA, Gianna; VERGANI, Naja; BRUNONI, Décio. Genética do autismo. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 26, n. 4, pp. 270-272, 2004. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rbp/a/pQT5d9NrjtgpDntk3qcgXhw/?lang=pt#>. Acesso em: 14 de abr de 2022.

COUTINHO, João Victor Soares Coriolano; BOSSO, Rosa Maria do Vale. Autismo e Genética: Uma revisão da Literatura. Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.1, Pub.4, 2015. Disponível em: < https://assets.unitpac.com.br/arquivos/Revista/76/Artigo_4.pdf>. Acesso em: 14 de abr de 2022.

Ressonância Magnética do Cérebro Fetal Humano (MRI) indica o Futuro Surgimento de Distúrbios do Espectro do Autismo. Centro de Convenções da Pensilvânia, 5 de abr de 2022. Disponível em: < https://www.eventscribe.net/2022/EB2022/index.asp?presTarget=2001481 >. Acesso em: 13 de abr de 2022.

SANTOS, Camila Alves dos.; MELO, Hugo Christiano Soares. A Genética associada aos Transtornos do Espectro Autista. Conexão Ci, Formiga, MG, Vol. 13, Nº 3. p. 68-78, 2018. Disponível em: < file:///C:/Users/User-pc/Downloads/756-Texto%20do%20artigo-5003-2-10-20181011%20(1).pdf >. Acesso em: 15 de abr de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Quais são os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista?

“O final do ano de 2012 foi um marco decisivo em relação aos direitos da pessoa com autismo. A Lei 12.764 de 27/12/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, determinou que a pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Lembrando que a Lei é federal, portanto, vale em qualquer lugar do Brasil. A Lei 13.146 de 06/07/2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência ou conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, confirma e solidifica muitos direitos não somente da pessoa com autismo, mas também de toda pessoa com deficiência, sendo essa juntamente com a Lei Berenice Piana, as principais fontes de busca e garantia de direitos.”(Autismo Legal, 2022).

Embora muitos desconhecem, o autista possui direitos na saúde, na educação, no trabalho, na previdência(BPC/LOAS), no transporte, no lazer, e civis. Aqui citarei apenas alguns para conhecimento.

Com relação aos direitos na área da saúde, um deles é referente a regulamentação da ANS (Agência Nacional de Saúde), na qual estabelece limites de sessões de terapia, de acordo com o tipo da terapia. As Pessoas que são diagnosticadas dentro do Transtorno do Espectro Autista pelo código (F84.*) do cid 10 tem um limite diferenciado. Além disso, o limite que é determinado não significa o número máximo, mas sim o mínimo, por isso caso seja necessário e comprovado, pelo médico, o convênio médico é obrigado a disponibilizar quantas sessões forem necessárias para o paciente.

Na educação são muitos os direitos. A pessoa com TEA tem direito desde o transporte que o leva para a escola até a uma pessoa que irá acompanhá-lo durante os estudos, intermediando suas relações escolares. Uma questão importante referente a educação é a escola negar a matrícula de um aluno por causa do TEA. Não existe limite máximo de vagas para alunos de inclusão, se a escola afirmar isso, saiba que é crime de discriminação.

Já abordando sobre os direitos na previdência, todo deficiente, e idoso, de baixa renda tem direito a um benefício chamado Benefício de Prestação Continuada (BPC). As pessoas, na maioria das vezes, fazem referência ao BPC como LOAS. No Entanto, LOAS é a Lei Orgânica de Assistência Social. É de extrema importância entender que o benefício não é uma aposentadoria, e a principal diferença é que quem tem BPC ou LOAS não recebe 13º salário, e também não é “herdável” pelos dependentes.

Para entender mais sobre questões legais referentes ao Autismo, acesse o e-book do Autismo Legal que está disponível gratuitamente em: www.autismolegal.com.br/e-book.

E Para saber mais sobre a ODAPP acesse: www.odapp.org.

Referências

Autismo Legal. Direitos do Autista. Butantã, São Paulo. Disponível em: <www.autismolegal.com.br/e-book>. Acesso em: 13 de abr de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Semana da Conscientização do Autismo da ODAPP, o que aconteceu?

Dia 2 de abril comemora-se o dia Mundial da Conscientização do Autismo, por isso todo ano muitas empresas, profissionais e famílias costumam organizar a semana e/ou o mês de Conscientização do Autismo. Neste ano de 2022, nós, da Odapp Autismo, realizamos a nossa Semana da Conscientização.

Do dia 31 de março ao dia 8 de abril, diversos profissionais abordaram diferentes aspectos relacionados ao Autismo, pois a temática deste ano foi Interdisciplinaridade. Os convidados foram profissionais das mais diversas áreas, de diversos Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de Aveiro (Portugal). Todos proporcionaram experiências únicas, transmitindo conhecimento para toda a comunidade autista. O evento contou com Lives e exposições artísticas.

Dia 31 de março as profissionais Rahissa Mafra e Bruna Bezzeril deram início ao evento, sendo que a primeira, às 19 horas, abordou sobre Autismo na Infância e na Adolescência e a segunda, às 20 horas, em parceria com a Rádio Ame os Raros, abordou sobre Terapias Comportamentais na Vida de Crianças com TEA.

No dia 01 de abril, a convidada foi a Psicóloga Marina Almeida que, às 18:30, falou a respeito do Desenvolvimento Psicossexual das Pessoas Autistas e durante a Live a participante deixou várias indicações de livros: Jogo de cartas Conversinha Teens-livraria Florence; Série Descobertas Maria está menstruada; Maria aprende sobre intimidade;João aprende intimidade – Amazon ou na Carlos livraria; Sexuality and severe Autism autora Kate Reynolds- Amazon; Falando com seu filho sobre sexo – Summus Editora; Sexo e Adolescência- Editora Atica; Série Coisas da Vida – Editora Artemed; Enquanto isso no mundo do autismo -Editora Memnon; Uma vivência de Amor- Êxitos Scipione.

Já no dia 02 de abril, dia da Conscientização Mundial do Autismo, contamos com a presença da Neuropsicóloga Leticia Segretti, que, às 20 horas, em parceria com a Rádio Ame os Raros,abordou o tema Avaliação do Autismo.

No 04 de abril ocorreram duas Lives, a primeira, às 18 horas, com a Terapeuta ABA Raquel Nunes, de Portugal, e a segunda, às 20 horas, com o Ph.D Lucelmo Lacerda. Na primeira Live o tema abordado foi Intervenção Precoce no TEA. Já na segunda, que ocorreu em parceria com a Rádio Ame os Raros, o tema trabalhado foi A Atuação do Analista do Comportamento e do Acompanhante Terapêutico no Cuidado de Crianças com TEA: Atualidade e Tendência.

Em continuidade ao evento, no dia 05 de abril, o convidado foi o Psicólogo Matheus Alves que transmitiu seu conhecimento a respeito das Habilidades Sociais no TEA.

Já no dia 06 de abril, às 18 horas, a Psicóloga e Acompanhante Terapêutica, Débora Guerra falou sobre a Importância do Acompanhante Terapêutico no Tratamento de Pessoas com TEA. No mesmo dia, às 20:30, Rodrigo Tramonte, Autista, Cartunista e escritor, falou sobre O Lado Sério do Autismo, explicando sobre suas vivências, dificuldades, facilidades e sobre seus trabalhos profissionais.

No penúltimo dia do evento, 07 de abril, a convidada, Fisioterapeuta e Analista de Negócios, Tatiana Sanches, explicou sobre a Regulamentação nas Operadoras de Saúde, esclarecendo a respeito do papel das mesmas, da forma de atuação e sobre a regulamentação que seguem.

Por fim, a profissional, Psicopedagoga Núbia Rosetti, no dia 08 de abril, abordou sobre  Modelos cognitivos no TEA. Nesta Live a convidada falou sobre os Modelos Cognitivos, sobre estratégias pedagógicas, assim como questões referentes ao processo de aprendizagem.

É importante enfatizar que durante todo o período do evento, todos os dias às 12 horas, ocorreu a exposição de talentos do artista Lucas, que através das suas obras, Guaxinim TEA, sempre aborda aspectos concernentes ao Autismo e sobretudo sobre ele mesmo.

Se você não assistiu as Lives, todas ficaram gravadas no instagram da Odapp e também no instragram da Rádio Ame os Raros. A seguir os links para que você possa acompanhar e aprender com cada uma delas:

Rahissa Mafra

Bruna Bezerril

Marina Almeida

Leticia Segretti

Raquel Nunes

Lucelmo Lacerda

Matheus Alves

Débora Guerra

Rodrigo Tramonte

Tatiana Sanches

Nubia Rosetti

Lucas Cartunista

Rebeca Collyer dos Santos – 
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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.