A importância da musicoterapia para pessoas com transtorno do espectro do autismo

Conforme já foi esclarecido aqui no blog, existem diversos mitos sobre o transtorno do Espectro do autismo (TEA), que são propagados e tidos como verdadeiros. Diante disso que tal direcionarmos nosso olhar para fatos baseados em evidências científicas, sobretudo na neurociência?

Vários estudos mostram a existência de diversas alterações no sistema nervoso central que poderiam explicar o TEA e as alterações referentes à interação social, comunicação e comportamento. Diante desses variados estudos exponho os de Damásio e Maurer, citados por SCHARTZMAN (2011) e SAMPAIO, R. T. et al (2015) que afirmaram que haveriam alterações fisiológicas e/ou anatômicas em várias regiões do sistema nervoso, tais como na área entorrinal, giro do cíngulo, giro para-hipocampal, área perrinial, regiões subicular e pré-subicular. Estas alterações foram verificadas a partir da comparação de comportamentos encontrados em pessoas com TEA e em adultos com lesões corticais adquiridas.

Outro estudo que apresento é o de SCHARTZMAN, citado por SAMPAIO, R. T. et al (2015), que em suas pesquisas sobre a teoria da mente em pessoas com TEA verificou alterações no córtex-orbito-frontal, no corpo amigdalóide e nos lobos temporais. Vale ressaltar que a teoria da mente é a capacidade que uma pessoa tem para fazer inferências sobre os estados mentais de outras pessoas, como compreender comportamentos e sentimentos (BOSA e CALLIAS, 2000).

Posso citar inúmeros estudos, porém faço apenas um recorte para uma breve compreensão a respeito do tema, pois é importante entender determinadas alterações para compreender a importância da musicoterapia.

Falar a respeito de música é falar de expressão social, cultural, emocional e religiosa. A mesma encontra-se presente em todas as culturas e simboliza histórias, experiências e entretenimento. A música possui a capacidade de gerar emoções e de mobilizar processos cognitivos complexos como a memória, o controle de impulso, a atenção, a execução e o controle de ações motoras. A partir de estudos foi possível observar também que tanto canções quanto músicas instrumentais são capazes de gerar ativações no hipocampo, na amígdala, na ínsula e em outras regiões cerebrais (OMAR et al., 2011 apud SAMPAIO, R. T. et al, 2015).

A musicoterapia, portanto, é capaz de modular a atenção, a emoção, a cognição e os comportamentos do paciente, a fim de alcançar os objetivos clínicos, elaborados de modo individual para cada sujeito. Vale ressaltar que, no processo terapêutico da musicoterapia, os resultados não dependem somente do estímulo musical, mas também da relação estabelecida entre o profissional e o paciente.

Com isso, um dos objetivos que podem ser trabalhados com pessoas com o transtorno do Espectro do autismo, no processo de musicoterapia, é a atenção compartilhada, visto que é possível trabalhar os processos de comunicação e interação social a partir da manipulação de objetos.

Se você é musicoterapeuta e trabalha com pessoas com o TEA ou com outros transtornos do neurodesenvolvimento, conheça a Odapp (www.odapp.org). Uma plataforma na qual você trabalha suas avaliações, programas e planos terapêuticos de maneira mais prática.

Obrigada por me acompanharem até aqui e até a próxima semana.

Referências

BOSA, C.; CALLIAS, M. “Autismo: breve revisão de diferentes abordagens”. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2000, n.1, v.13, p.167-177.

SAMPAIO, R. T. et al. A Musicoterapia e o Transtorno do Espectro do Autismo. Per Musi. Belo Horizonte, 2015, n.32, p.137-170.

SCHWARTZMAN, J. “Neurobiologia dos Transtornos do Espectro do Autismo”. In: SCHWARTZMAN, J.; ARAUJO, C. Transtornos do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon, 2011.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Afinal o que é Neurodiversidade?

“A Neurodiversidade tem como pressuposto chave que todas as formas de diversidade neurológica devem ser respeitadas. Deste modo, as terapêuticas deveriam buscar não uma cura, mas centrar-se em maximizar habilidades, fornecer suporte socioemocional e fomentar estratégias diante das demandas individuais e ambientais” (Silberman, 2015).

O importante é entender que todos são diferentes e respeitar e trabalhar a diversidade neurológica não é pensar em incapacidade, mas sim em diferentes modos de ser e de desenvolver potencialidades e por esse motivo cada dia mais a ciência estuda e reflete a respeito do conceito de deficiência e de diversidade.

Com isso, atualmente existem ativistas do movimento de neurodiversidade que se opõem à famílias e aos grupos de pais de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo que entendem o transtorno como doença. (Ortega, 2009). Desse modo cabe aos profissionais da área da saúde e da educação pensar em meios de trabalhar e respeitar a neurodiversidade.

A plataforma ODAPP acredita justamente nisso, e por esse motivo trabalha empoderando e conectando profissionais da saúde e da educação especial com as famílias por meio da plataforma completa. A mesma facilita o dia a dia do terapeuta dentro e fora do consultório, pois proporciona forte engajamento dos pais no tratamento e no fornecimento de indicadores de desempenho para gestores das clínicas e operadoras de planos de saúde.  Para saber mais acesse www.odapp.org.

Referências

Brilhante, Aline Veras Morais et al. “Eu não sou um anjo azul”: a sexualidade na perspectiva de adolescentes autistas. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2021, v. 26, n. 2, p. 417-423. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232021262.40792020&gt;. Acesso em: 22 de nov. de 2021.

Oliver M. The Politics of Disablement London: The Macmillan Press; 1990.

Ortega, Francisco.Deficiência, autismo e neurodiversidade. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2009, v. 14, n. 1,p. 67-77. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1413-81232009000100012&gt; Acesso em: 22 de nov. de 2021.

Silberman S. Neurotribes: The legacy of autism and the future of neurodiversity. New York: Penguim Random House; 2015.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

A importância do Psicopedagogo e do profissional de apoio no processo de inclusão escolar

Pensar no processo de inclusão escolar é analisar um longo processo histórico marcado por sofrimentos e conquistas. Quando falamos em inclusão, podemos nos lembrar que nem sempre essa nomenclatura e prática existiu. Na idade média acontecia a exclusão, na qual pessoas eram isoladas e sofriam maus tratos, pois eram atribuídas às questões religiosas.

Já no Renascimento ocorria a segregação. Pessoas eram separadas em instituições assistencialistas, hospitais e hospícios. Em Meados do Século XX teve-se a integração, época em que classes especiais foram criadas dentro de escolas e instituições. A integração ocorreu devido à primeira guerra mundial, pois os soldados voltavam mutilados da guerra e precisavam estar inseridos na sociedade.

Somente na década de 90 pensou-se na inclusão, que teve e tem como objetivo proporcionar oportunidade e igualdade a todos. A partir de então leis importantes foram elaboradas, dentre elas: A Declaração de Salamanca (Política Nacional de educação especial), de 1994; e a Lei de diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996.

Nesse contexto torna-se indispensável falar a respeito do psicopedagogo e do profissional de apoio, que sãos os profissionais que trabalham de forma mais direta com o público da educação especial no ambiente escolar. O trabalho do primeiro requer a elaboração de estratégias para as questões de aprendizagem e para a valorização das potencialidades do aluno, a fim de propor melhorias nos métodos de ensino.

Com isso, “a intervenção pedagógica provoca avanços que não ocorreriam espontaneamente. A importância da intervenção deliberada de um indivíduo sobre os outros como forma de promover desenvolvimento articula-se como um postulado básico de Vygotsky: a aprendizagem é fundamental para o desenvolvimento desde o nascimento da criança”(OLIVEIRA, 1992 apud BARROSO DE ALMEIDA JÚNIOR 2012).

O modelo educacional necessita do olhar do psicopedagogo sobre a prática pedagógica no ambiente educacional inclusivo, pois a psicopedagogia não se limita em estudar as dificuldades que o aluno apresenta no processo de ensino e aprendizagem, mas também trabalha a relação com o social, em meio à construção do conhecimento coletivo.

O psicopedagogo, portanto pode trabalhar estratégias para serem utilizadas na sala de aula e também nas salas de recursos multifuncionais, que fazem parte do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que tem por objetivo identificar e elaborar soluções pedagógicas que promovam a participação efetiva dos alunos na escola. O profissional que trabalha no AEE tem uma formação específica para trabalhar em tal área, e é denominado professor de apoio que não tem o mesmo significado e função do profissional de apoio.

Ao se tratar do último, temos como base a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, que em seu artigo 3, inciso XIII, define esse profissional como o sujeito que realiza funções de auxílio à higiene, alimentação e locomoção e que trabalha em todas as atividades do ambiente escolar, em qualquer nível de ensino e instituição. E no artigo 24, inciso XVII, a lei garante a oferta do profissional de apoio em sala de aula.

Para o acompanhamento dos alunos com necessidades especiais, tais profissionais costumam elaborar o Plano Educacional Individualizado (PEI), no qual com a colaboração do NAPNE e da CSP fazem o levantamento das necessidades, dos conhecimentos prévios, e das potencialidades e habilidades dos mesmos.

Cada ser possui a sua subjetividade, por isso o PEI deve ser elaborado de maneira única, atendendo às necessidades individuais de cada aluno. Diante disso, tem-se a ODAPP, que é uma plataforma completa de gestão terapêutica, na qual o profissional pode elaborar seus planos de maneira prática e segura. A plataforma oferece suporte ilimitado para a utilização da mesma, fazendo com que esse processo de inclusão se torne cada vez mais efetivo. Para mais informações acesse: http://www.odapp.org.

Referências bibliográficas

BARROSO DE ALMEIDA JÚNIOR, Claudovil. O psicopedagogo na Educação Especial. Estação Científica (UNIFAP), [S.l.], v. 2, n. 1, p. 01-10, nov. 2012. ISSN 2179-1902. Disponível em: <https://periodicos.unifap.br/index.php/estacao/article/view/220>. Acesso em: 16 nov. 2021.

IFSP. Plano Educacional Individualizado – NAPNE. Sorocaba. Disponível em: <https://sor.ifsp.edu.br/index.php/ultimos/87-artigos-arquivados/655-plano-educacional-individualizado-napne> . Acesso em: 16  nov.2021.

ZILIOTTO, Denise Macedo; BURCHERT, Amanda. O profissional de apoio e a inclusão de alunos público-alvo da educação especial. Roteiro, Joaçaba,  v. 45,  e21096,  jan.  2020 .   Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2177-60592020000100511&lng=pt&nrm=iso&gt;. Acesso em  16  nov.  2021.

Rebeca Collyer dos Santos –  Redatora e Editora Chefe do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Mitos e Verdades sobre o autismo

Existem diversos mitos com relação ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e embora seja um assunto que tem-se ouvido de modo mais frequente nos últimos anos, ainda é propagado e entendido de forma errônea. “Apesar dos avanços científicos na compreensão do autismo e das atualizações em documentos que trazem a sintomatologia do Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais V (DSM-V), da  American Psychiatric Association – APA (2014) e a Classificação Internacional de Transtornos Mentais e de Comportamento 11 (CID-11), da World Health Organization (2018), ainda há grande falta de entendimento sobre o que é autismo e quais são características específicas do modo de ser e de viver de pessoas com TEA” (LEMOS SHAW, Gisele Soares; LEANDRO, Leonésia  e  ROCHA-OLIVEIRA, Rafaela, 2021).

O TEA é um transtorno do Neurodesenvolvimento que é caracterizado pelas dificuldades que o indivíduo tem na interação social, na comunicação e pelo padrão restrito e repetitivo de comportamentos. A classificação desse transtorno sofreu várias alterações durante os anos gerando grande confusão. Por isso vamos citar alguns mitos propagados e explicar as verdades por trás dos mesmos.

Mito 1- A frieza e a falta de amor da mãe causa o autismo

Esse mito permanece até os dias de hoje e teve início com o psiquiatra Leo Kanner, em 1940, que criou o conceito das “mães geladeiras”. O mesmo afirmou que as crianças vivam em seu “mundo particular”, sem interação com as outras, devido à postura fria que suas mães possuíam. No entanto, posteriormente, o cientista fez publicamente uma autocrítica, compreendendo que essas mães, possivelmente, se relacionavam com maior distanciamento de seus filhos porque estes não conseguiam corresponder efetivamente a elas.

Mito 2- Todo autista é igual

Como citado anteriormente, a classificação do TEA gerou muita confusão com relação às nomenclaturas e até mesmo com relação ao próprio diagnóstico. Por isso é importante entender, de modo breve, a história.

Em 1952, o Manual diagnóstico estatístico de saúde mental (DSM) apresentava o autismo como sendo sintoma da esquizofrenia.  Já 1980, com o DSM 3, houve a separação desses transtornos, ou seja crianças que falavam sozinhas não eram vistas como aquelas que tinham alucinações, mas sim aquelas que possuíam ecolalia (repetição daquilo que a própria criança diz ou daquilo que falam).

Posteriormente, com o DSM 4, o autismo era definido pela tríade de dificuldades na  socialização, comunicação e interesses restritos e estereotipado e poderia ser classificado como Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Síndrome de Asperger, entre outras várias possibilidades.

Em 2013, com o DSM 5, a versão mais atual do DSM, essas várias possibilidades de classificação diagnóstica foram eliminadas, passando a possuir uma única termologia: Transtorno do Espectro Autista, dividido em nível I (necessita de apoio), nível II (necessita de apoio substancial) e nível III (necessita de apoio muito substancial).

Com isso, a eliminação das classificações não faz com que as pessoas com o transtorno do Espectro Autista sejam todas iguais, o diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado, especializado na área, para identificar o transtorno e sobretudo os níveis de apoio, para que o tratamento seja feito de forma individualizada, Vale ressaltar que cada sujeito é único e generalizar o tratamento não contribui para o seu real desenvolvimento.

Mito 3- As classificações do autismo se dividem em: Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e Síndrome de Asperger

Mesmo já tendo sido explicado acima, é importante enfatizar essa questão da nomenclatura, porque muitas pessoas e profissionais ainda utilizam as nomenclaturas antigas. Atualmente o termo utilizado é “Transtorno do Espectro Autista”, pelo DSM 5 e pelo CID 11(código internacional de doenças), “Transtorno do Espectro do Autismo”.

Diante disso, a Síndrome de Asperger, termo comumente utilizado,não é mais um diagnóstico possível, porque todas as pessoas que têm dificuldades de interação social e comunicação ou interesses restritos e estereotipados são classificadas como pessoas com TEA.

A mudança da classificação se justifica, porque nos Estados Unidos o tratamento é financiado pelo governo, e todos os detalhes são elementos usados para não disponibilizar o tratamento de forma gratuita ou a inclusão do sujeito em um plano de saúde. Diante disso, o diagnóstico de Síndrome de Asperger não cobria os mesmos direitos contidos no diagnóstico de autismo.

Mito 4 – Drogas e Vacinas causam o autismo

Assim como o mito das “mães geladeiras”, é errado pensar que as causas do autismo se dão devido ao uso de drogas e vacinas. O uso da primeira sem dúvida tem seus efeitos, porém não tem nenhuma relação com o transtorno citado, já o uso da segunda também em nada se relaciona. Foi comprovado que as causas são hereditárias, unicamente genéticas, e o que encontram-se são fatores de risco como: Prematuridade, idade avançada da mãe, diabetes gestacional etc.

Mito 5- Como o autismo não tem cura, não tem nada que se possa fazer

Muitos acreditam que pelo o autismo ser um transtorno e não possuir “cura” nada deve ser feito. Pelo contrário o tratamento do TEA é de extrema importância para o desenvolvimento do indivíduo. Todos possuem suas potencialidades, sobretudo pessoas com o Transtorno do Espectro autista. É fundamental que os familiares procurem profissionais capacitados para a realização desse processo e não negligenciem o crescimento dos mesmos.

No Brasil, existem profissionais e empresas qualificadas para o auxílio de pessoas com TEA e a ODAPP, é um exemplo. A empresa conta com uma gestão completa de terapias em crianças com autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento através de um software web e um aplicativo para coleta de dados. Para saber mais acesse: www.odapp.org.

Rebeca Collyer dos SantosEditora Chefe
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), e como Customer Success na empresa Odapp Autismo

Projeto “Hora do silêncio” : Iniciativa que busca trazer inclusão para pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Foto por Gustavo Fring em Pexels.com

Como muitos já sabem, a hipersensibilidade (quando a pessoa percebe os estímulos do ambiente de maneira mais intensa) e a hiposensibildade (quando a pessoa busca por mais estímulos no ambiente) são características de pessoas com TEA. Existem diferentes tipos de hipersensibilidade, sendo elas: visual, sensorial, auditiva, olfativa e oral.

Quem convive com pessoas com o TEA, sabe o quão bom seria se todos entendessem e respeitassem as necessidades das mesmas. Por isso na cidade de Rio Claro (SP), na qual existem aproximadamente 2000 autistas, a prefeitura em parceria com o “Instituto Incluir”, criou o projeto “Hora do silêncio”. A implementação do mesmo foi realizada em um supermercado da cidade.

Por uma hora a luz e o som do ambiente são reduzidos, a fim de proporcionar a inclusão de pessoas com TEA, de modo que ocupem espaços na sociedade de maneira igualitária. É importante citar também que os funcionários desse supermercado, foram orientados e treinados para receber essas pessoas, com o objetivo de criar uma experiência mais agradável possível.

Para saber mais assista ao vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=s3H_iCzYJLU

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
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O isolamento social por COVID-19 e seus efeitos em crianças e adolescentes com o Transtorno do Espectro Autista.

“A pandemia da COVID-19 mobilizou pesquisadores de diversas partes do mundo em várias frentes científicas. Numa situação de Emergência de Saúde Pública, desde o início do ano de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a gravidade da doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), caracterizada como uma pandemia. Os dados de setembro de 2021 confirmam mais de 223 milhões de casos de COVID-19 e 4,6 milhões mortes no mundo, sendo que no Brasil são quase 21 milhões de casos confirmados e mais de 585 mil mortos” (World Health Organization, 2021 apud Givigi et.al, 2021).

Sabe-se que para evitar a disseminação do vírus foi necessário realizar o isolamento social e isso gerou efeitos positivos e negativos, sobretudo para as pessoas com o Transtorno do Espectro Autista, visto que apresentam déficit na interação social e na comunicação e que possuem interesses restritos e movimentos repetitivos e estereotipados.

Além do isolamento, várias medidas foram tomadas para conter a pandemia, como o fechamento de escolas, de parques, de serviços terapêuticos e de reabilitação, e de eventos públicos e privados. Com isso, crianças com Transtorno do Espetro Autista (TEA), apresentaram maior risco de sentirem-se angustiadas, estressadas, ansiosas e frustradas, podendo agravar possíveis problemas comportamentais.

Um dos impactos, provocados pelo isolamento social, foi a diminuição de renda de muitas famílias, que consequentemente provocou mudança no contexto familiar. Outo impacto foi com relação à rotina das crianças e adolescentes com TEA, pois muitos faziam algum tipo de atividade religiosa, artística, e esportiva, e até mesmo algum acompanhamento com um profissional da área da saúde como um terapeuta, e com o isolamento essas atividades foram substituídas por brincadeiras dentro de casa.

Por fim, a partir desses impactos, surgiram mudanças negativas e positivas no comportamento de crianças e adolescentes com TEA.  Com isso, algumas mudanças negativas foram: a modificação de rotina, a necessidade de suporte escolar e terapêutico, e a sobrecarga das famílias em assumir o cuidado e as demais obrigações. E dentre as mudanças positivas, observou-se que crianças com TEA que possuíam irmãos e apoio entre os membros da família enfrentaram melhor o isolamento. (Cahapay, 2020, Guidotti et al, 2020 apud Givigi et.al, 2021).

Fonte: Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, 24(3), 618-640, set. 2021. 

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa Odapp Autismo.

A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista no mercado de trabalho

O transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, que caracteriza-se por dificuldades na interação social e na comunicação e por padrão restrito e repetitivo de comportamentos. Desde 2013, a partir da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o termo é utilizado para referir-se às pessoas que anteriormente recebiam o diagnóstico de “Autismo, Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância e Transtorno Global do Desenvolvimento sem Outra Especificação”.

Dessa maneira, há uma grande discussão a respeito do Transtorno do Espectro Autista, sendo que a gravidade e a incidência geram preocupações aos familiares e aos profissionais da área da saúde e da educação. Após a aprovação da Lei 12.764, de 27 de dezembro de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, a inclusão para esse público vem sendo pensada e discutida para que de fato ocorra.

Diante disso, é possível observar os avanços nos serviços de suporte, bem como nas terapias de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista, que, consequentemente, geram um aumento na procura pelo mercado de trabalho. No entanto, o ingresso e a manutenção no último tornam-se desafiadores para as pessoas com diagnóstico de TEA. De acordo com Leopoldino (2015) as pessoas com TEA relatam três grandes dificuldades, referentes à inclusão no mercado de trabalho, sendo elas: dificuldade em conseguir emprego, em manter-se nele e a obtenção de uma colocação compatível com a sua formação e expectativas.

Portanto, é possível observar dificuldades e descontinuidades no processo de inclusão de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista no mercado de trabalho, sendo que as barreiras enfrentadas por essas pessoas são provenientes de dificuldades estruturais, culturais e específicas do próprio transtorno. (LEOPOLDINO; COELHO, 2017).

Em suma, os mesmos autores citados acima, afirmam que a inclusão de pessoas com TEA, no mercado de trabalho, deve ser considerada como um processo de ações coordenadas, provenientes de políticas públicas relativas ao tema, no qual deve envolver: preparação dos indivíduos; adequações do ambiente laboral; encaminhamento destes para o mercado de trabalho; e o acompanhamento de todo o processo desde a contratação até o desenvolvimento do indivíduo no ambiente de trabalho.

Fonte: Revista Educação Especial, v. 32, 2019 – Publicação Contínua

Rebeca Collyer dos Santos – Editora Chefe do Observatório do autista
Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa Odapp Autismo.