1 em cada 30 crianças nos EUA é autista

Semana retrasada, um estudo publicado na Jama Pediatrics com 12.554 pessoas revelou um número de prevalência de autismo entre crianças e adolescentes nos Estados Unidos de 1 autista a cada 30 crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos naquele país, com dados de 2019 e 2020. Anteriormente a prevalência era de 1 em 44, divulgado em dezembro de 2021 pelo CDC (sigla em inglês do Centro de Controle de Doenças e Prevenção do governo dos EUA), com dados referentes a 2018.

Os pesquisadores usaram dados da National Health Interview Survey (pesquisa realizada anualmente pelo CDC) para mostrar que o número de diagnósticos de transtorno do espectro do autismo (TEA) em crianças e adolescentes estadunidenses tem aumentado desde o início das pesquisas. A diferença é que o CDC avalia crianças de 8 anos enquanto, neste estudo, publicado em 5 de julho de 2022, foram considerados indivíduos de 3 a 17 anos. A prevalência em 2019 foi de 1 em 35; em 2020, 1 em 28. Considerando-se os dois anos, o número final foi de 410 autista em 12.554 indivíduos, ou seja, 1 em 30.

Nos Estados Unidos, os meninos continuam sendo a maioria no número dos diagnósticos, porém, o número era de 4 para 1 (4 meninos para cada menina, tendo como base os estudos anteriores, e neste estudo é possível observar uma tendência de queda para 3,55 para 1 — dos 410 diagnósticos avaliados no estudo, foram 320 homens para 90 mulheres.

Fonte: https://www.canalautismo.com.br/noticia/novo-estudo-indica-prevalencia-1-em-cada-30-criancas-nos-eua-e-autista/#:~:text=A%20preval%C3%AAncia%20em%202019%20foi,ou%20seja%2C%201%20em%2030.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

A qualidade de vida e o estresse em cuidadores e familiares de crianças com TEA

Quando trata-se do Transtorno do Espectro Autista e sobretudo da qualidade de vida dos cuidadores, poucos estudos nacionais são encontrados. Considerando as bases de dados pesquisadas no SCIELO e no PUBMED, as pesquisas indicam a existência de poucos estudos relacionados ao tema apontando para a importância do desenvolvimento de novas pesquisas.

Os estudos encontrados apontam para a existência de alguns aspectos que influenciam na qualidade de vida e estresse percebido por familiares e cuidadores de crianças com TEA. Dentre eles, temos a severidade do caso, ansiedade, depressão, aceitação, otimismo e estratégias de enfrentamento.

Um dos estudos referente ao tema é o de HOEFMAN e cols. (apud MIELE E AMATO, 2016),  que teve como objetivo descrever os impactos vivenciados pelos pais devido aos cuidados voltados aos filhos com TEA por meio da aplicação do questionário CarerQoL (care-related quality of life – questionário de qualidade de vida adaptados aos cuidadores), investigando também o impacto sentido por parte dos cuidadores frente aos cuidados oferecido a criança com TEA.

Já, OIEN e EISEMAN (apud MIELE E AMATO, 2016), investigaram, por meio do relato de experiências de mães de crianças com TEA, que os problemas de comunicação, comportamentos e interesses apresentados pela criança impactaram na qualidade de vida materna. Dessa forma, a disponibilidade de informações relacionadas ao TEA ajuda a promover e conscientizar os familiares a respeito do suporte social que deve ser oferecido, de forma a proporcionar um conforto emocional com foco no manejo do estresse e das emoções. Tais ações são de grande importância para o bem-estar e saúde materno e familiar.

Outros pesquisadores como MCSTAY e cols. (apud MIELE E AMATO, 2016), ressaltaram o impacto negativo que os comportamentos não adaptativos externalizados pela criança com TEA causam no contexto familiar e enfatizam a promoção do desenvolvimento de medidas de enfrentamento como mediadoras entre a severidade do quadro apresentado pela criança e qualidade de vida experimentada pelos pais.

Desta forma, em suma, destaca-se a importância de redes de apoio competentes e eficazes que possam oferecer aos pais e cuidadores apoio psicológico que promovam o desenvolvimento de técnicas de instrumentalização diária e esclareçam metas e objetivos para a criança com TEA. (KULOGLU-AKSAZ 1994, e  SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014).

Obrigada por me acompanhar até aqui e até a próxima.

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Referências

KULOGLU A. N. The effect of informational counseling on the stress level of parents of children with autism in Turkey. Journal of Autism and Developmental Disorders, 24, 109-110, 1994. 

MIELE, Fernanda Gonçalves; AMATO, Cibelle Albuquerque de la Higuera. Transtono do espectro autista: qualidade de vida e estresse em cuidadores e/ou familiares – revisão de literatura. Cad. Pós-Grad. Distúrb. Desenvolv.,  São Paulo ,  v. 16, n. 2, p. 89-102, dez.  2016 . Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-03072016000200011> Acesso em: 21 de jun de 2022.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). 1 edicao, Brasilia, 2014. Disponível em: < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_reabilitacao_pessoa_autismo.pdf >. Acesso em: 05 de jul de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Obrigatoriedade do Símbolo de autismo em placas de prioridade

Desde 2012 a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é considera, perante a lei, pessoa com deficiência. Sabe-se que o TEA é um transtorno e não uma deficiência, no entanto esse reconhecimento legal garante ao autista todos os direitos de uma pessoa com deficiência, entre eles, o atendimento prioritário em estabelecimentos abertos ao público, transportes, repartições públicas entre outros.

Com isso, no dia 10 de maio de 2022, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que obriga os estabelecimentos públicos e privados a incluir a fita quebra-cabeça, símbolo mundial da conscientização do transtorno do espectro autista, em todas as placas que sinalizam prioridade de atendimento. A proposta segue para o Senado. Tal sinalização referente a prioridade para as pessoas com autismo foi incluída na lei em janeiro de 2020, no entanto era uma regra facultativa para os estabelecimentos.

Referência:

G1. Câmara aprova obrigatoriedade da inclusão do símbolo de Autismo em placas de prioridade. G1, 10 de mai de 2022. Disponível em: < https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/05/10/camara-aprova-obrigatoriedade-da-inclusao-do-simbolo-de-autismo-em-placas-de-prioridade.ghtml >. Acesso em: 21 de jun de 2022.

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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.
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Emoções expressas por meio de animações criadas por crianças com TEA

A emoção é importantíssima para o desenvolvimento de toda criança, pois ao sair do estado puramente orgânico, a criança é um ser emocional, na qual, lentamente, surge o aspecto racional. No início da vida, a afetividade e a inteligência estão misturadas, ocorrendo o predomínio do aspecto afetivo. Ao decorrer do desenvolvimento infantil, ambas se alternam e se influenciam reciprocamente. Com isso, em cada período ou estágio do desenvolvimento ocorre a preponderância e alternância de um destes aspectos.

É por meio da emoção, que o corpo toma forma e consistência. Wallon (1975), chama este processo de atividade proprioplástica que, ao modelar o corpo através da atividade muscular, permite a exteriorização dos estados emocionais e a tomada de consciência dos mesmos pelo indivíduo. Assim, pode-se afirmar que a emoção é visível, através das modificações que ocorrem na mímica e na expressão facial.

Ao saber da importância das emoções na vida de todo indivíduo, profissionais da área da saúde e da educação estão constantemente em aperfeiçoamento a fim de proporcionar melhores e efetivas estratégias de intervenção. Com isso ressalto um trabalho realizado pelo programa De criança para Criança (DCPC), um projeto que possibilita que crianças com autismo, baixa visão ou com problemas de saúde, escrevam, desenhem e gravem suas próprias histórias.

“Criamos uma ferramenta que possibilita abrir algumas portas que eram difíceis e a partir do momento em que a criança consegue se expressar por um mecanismo que é diferente dos que ela está acostumada. Acredito que a metodologia consegue trazer muita informação sobre como o autista se sente”, afirma Gilberto Barroso, cofundador do programa.

 Diversos projetos referentes ao tema e a tantos outros são elaborados no Brasil e sem dúvida enriquecem o trabalho multiprofissional e o desenvolvimento da criança e do adolescente com autismo.

Obrigada por me acompanhar até aqui e até a próxima semana! Para conhecer mais sobre a ODAPP acesse: http://www.odapp.org.

Referências

ALEXANDROFF, Marlene Coelho. O Papel das emoções na constituição do sujeito. Constr. psicopedag.,  São Paulo ,  v. 20, n. 20, p. 35-56,   2012. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542012000100005 >. Acesso em: 10 de jun de 2022.

TUCHLINSKI, Camila. Projeto ‘De Criança para Criança’ ajuda pequenos a falarem sobre sentimentos por meio de desenhos. O Estado de São Paulo, 2022. Disponível em: <https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,criancas-com-autismo-expressam-emocoes-por-meio-de-animacoes-criadas-por-elas-assista,70004052144>. Acesso em: 10 de jun de 2022.

WALLON, H. Psicologia e educação da infância. Lisboa: Estampa, 1975

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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

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Diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro do Autismo: Mulher diagnosticada aos 60 anos

A jornalista britânica Sue Nelson descobre seu diagnóstico de autismo aos 60 anos de idade. “Enquanto me recuperava da covid-19 em janeiro, recebi mais um diagnóstico. Os sintomas apareceram primeiramente na infância, mas eu simplesmente não os havia reconhecido. Não existe o equivalente médico a um teste rápido para essa condição. Ela exige a avaliação de especialistas que montam quebra-cabeças de comportamento (usando peças que parecem vir de quebra-cabeças diferentes) para criar um quadro novo e inesperado.”

Leia o texto na íntegra: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2022/04/11/autismo-fui-diagnosticada-aos-60-anos.htm

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Pesquisadores desenvolvem medicamento que pode dar mais qualidade de vida a pessoas com autismo

A pesquisa vem sendo realizada em um laboratório da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A primeira fase de testes ocorreu antes da pandemia e metade das crianças autistas que participaram do projeto apresentou resultados importantes. Acompanhe a reportagem no link a seguir: https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/pesquisadores-desenvolvem-medicamento-que-pode-dar-mais-qualidade-de-vida-a-pessoas-com-autismo-08062022

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Desafios da Inclusão Escolar

Não é a primeira vez e tampouco a última que falaremos a respeito da Inclusão escolar, ou melhor da falta da mesma e de seus desafios. Embora muitas conquistas foram concretizadas, na prática existem aspectos que são deficitários, a começar pela própria inclusão e aceitação às diferenças que muitas vezes não ocorrem no ambiente escolar.

Por isso falar de inclusão é falar da predominante exclusão que ainda existe na sociedade pós-moderna. Segundo Machado, Almeida e Saraiva (2009), se tratar de inclusão é falar de um conflito histórico e pertencente a um certo funcionamento social, determinado pela exclusão social, sendo que o sistema em que vivemos é excludente em sua raiz. Dessa maneira, abordar a inclusão é perceber as práticas exclusivas constitutivas de nossa sociedade, uma sociedade de desiguais.

Para corroborar com o tema cito o caso da jornalista Janine Saponara citado por Basílio e Moreira (2014), que passou por situações difíceis com o seu filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo, por falta de preparação dos profissionais no ambiente escolar. Observa-se claramente o despreparo profissional quando a mesma relata que a escola utilizou como estratégia a omissão do autismo de seu filho. Ela afirma: “De início, rejeitei a ideia, porque contar sobre o autismo me deixaria mais tranquila. Até que em uma reunião, me explicaram que quando você rotula, as pessoas não vão espontaneamente ajudar a romper as barreiras; ao passo que, quando não se sabe, há curiosidade para essa conquista.”

Vale ressaltar que o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, como visto no capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), apud Basílio e Moreira (2014). A mesma trata-se da Educação Especial e deve visar a efetiva integração do estudante à vida em sociedade.

Quando a inclusão ocorre?

Quando a criança e adolescente apresenta suas potencialidades e não esconde as suas particularidades, apresentando e respeitando o seu diagnóstico. De acordo com a educadora da Escola da Vila, Maria da Paz Castro, citada pelas autoras anteriores, a inclusão é possível quando observa-se também o aluno fora do contexto escolar, pois a criança autista deve ocupar e fazer uso dos espaços públicos, assim como todos os cidadãos. Com isso, pensemos: Além das leis e de todos os estudos realizados, como podemos proporcionar a inclusão? A seguir mostrarei o lúdico como uma das maneiras de incluir a criança em sala de aula ou nas horas de intervalo. Vale ressaltar que é possível adaptar as brincadeiras para cada ambiente, por isso prezo pela importância de um profissional qualificado e atualizado nos estudos para conseguir realizar tais adaptações.

A utilização do Lúdico no processo de Inclusão Escolar

De acordo com Silva (2013), o lúdico contribui para o desenvolvimento e aprimoramento, intelectual, e físico de crianças com Transtorno do Espectro Autista, ou seja, as brincadeiras, o lúdico não são apenas diversão, mas sim geradores de informações, e conhecimentos para o desenvolvimento das mesmas, ajudando na concentração e nas aptidões.

Com isso, é importante pensar que com as dificuldades nas relações sociais e na comunicação verbal e não verbal, o trabalho lúdico com crianças autistas exige uma preparação dos profissionais como também dos familiares destas crianças para que os objetivos sejam atingidos.

O autor citado acima propõe algumas ideias de como utilizar a ludicidade:

  • Podem ser aplicadas brincadeiras afetivas como sorrir, olhar, e conversar;
  •  Brincadeiras frente ao espelho, como fazer caretas, brincar de abaixar e levantar observando no espelho e sorrir;
  •  Brincadeiras corporais como brincar de fazer cocegas, abraçar, de pegar, esconder;
  •  Brincadeiras com músicas e brincadeiras cantadas como dramatizar a música com o corpo, dançar, pular e interagir; isto pode ser pensado no momento de cantar o alfabeto, por exemplo;
  • Brincadeiras com massinha, tinta e argila para que a criança perceba suas sensações.

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Referências

BASÍLIO, Ana; MOREIRA, Jéssica. Autismo e escola: os desafios e a necessidade da inclusão. Centro de Referências em Educação Integral, abr de 2014. Disponível em: < https://educacaointegral.org.br/reportagens/autismo-escola-os-desafios-necessidade-da-inclusao/ >. Acesso em: 30 de mai de 2022.

KIBRIT, Bruna. Possibilidades e desafios na inclusão escolar. Revista Latino americana de Psicopatologia Fundamental [online], v. 16, n. 4. pp. 683-695, 2013. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/rlpf/a/KLC37Vh3r7CsMSHvMjWKSjm/?lang=pt# >. Acesso em: 01 de jun de 2022.

MACHADO, A. M.; ALMEIDA, I; SARAIVA, L. F. O. Rupturas necessárias para uma prática Inclusiva. In Educação Inclusiva: experiências profissionais em psicologia. Brasília: Conselho Federal de Psicologia. p.21-35, 2009.

SILVA, L.C. O autismo e o lúdico. Revista de Ciências Sociais do Norte, 2013. Disponível em: < https://www.revistanativa.com.br/index.php/nativa/article/view/256 >.  Acesso em: 02 de jun de 2022.

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Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

ABA e o Autismo

O que é ABA?

Certamente se você recebeu o diagnóstico do seu pequeno, já deve ter ouvido falar sobre a Análise do comportamento Aplicada, seja por orientação médica/profissional ou por ter pesquisado sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Caso você ainda não tenha ouvido falar, não tem problema, este texto será uma oportunidade de conhecimento a respeito do tema.

A sigla ABA é utilizada para referir-se à Análise do Comportamento Aplicada (em inglês: Applied Behavior Analysis).  De acordo com Hübner (2019), ABA é uma ciência complexa derivada do behaviorismo de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). É uma abordagem baseada em evidências científicas, utilizada mundialmente, e foi originada nos EUA, na década de 60.  Sabe-se que não foi desenvolvida unicamente para o tratamento do Transtorno do Espetro do Autismo, porém, atualmente, há grandes resultados nessas área, por ensinar habilidades, reduzir os comportamentos repetitivos e estereotipados e por funcionar de modo intensivo e sistemático.

Características da Terapia baseada em ABA

As características gerais de uma intervenção baseada na ABA, envolvem alguns pontos importantes, como: a identificação de comportamentos e habilidades que precisam ser melhorados, seleção e descrição dos objetivos, e delineamento de uma intervenção que envolva as estratégias comprovadamente efetivas para modificar determinados comportamentos. O objetivo é que os comportamentos aprendidos e modificados sejam generalizados para diversas áreas da vida do indivíduo (Camargo & Rispoli, 2013; Cartagenes et al., 2016; Fisher & Piazza, 2015).

Para que isso ocorra, o profissional deve realizar manejos comportamentais que são necessários para o desenvolvimento da criança, como criar diferentes maneiras de brincar com os brinquedos, elogiar, imitar e reproduzir o comportamento da criança (Shillingsburg, Hansen, & Wrigth, 2018). Os comportamentos alvos devem ser medidos e constantemente definidos. Deve-se aumentar a motivação por meio de fornecimento variado de reforços (seja algum brinquedo, objeto que a criança goste ou elogios). É necessário também: fornecer instruções claras e diretas, identificar e usar instruções efetivas, reforçar toda vez que a criança se aproximar do comportamento-alvo (modelação), buscar respostas simples em comportamentos mais complexos e, por fim, usar métodos explícitos para a promoção da generalização e a manutenção dos comportamentos, em que os comportamentos alvos sejam reproduzidos em vários contextos da vida da criança (Fisher & Piazza, 2015).

Além disso, a ABA caracteriza-se por realizar uma coleta de dados antes, durante e depois da intervenção. O acompanhamento dessas informações tem como objetivo analisar o progresso individual da criança, bem como auxiliar na tomada de decisões em relação aos programas de intervenção e as possíveis estratégias.

Quais profissionais podem aplicar/trabalhar com a ABA?

Normalmente os psicólogos que trabalham com a Psicoterapia Comportamental realizam a intervenção em ABA, entretanto outros profissionais como fonoaudiólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais que possuem formação e especialização em ABA também podem utiliza-la.

Considerações finais

Para o tratamento de crianças com TEA, procure sempre profissionais qualificados, sobretudo com qualificação em ABA, pois é a ciência que traz melhores resultados.

Se você trabalha com ABA e realiza a coleta de dados durante a intervenção, bem como elabora planos terapêuticos e programas, acesse www.odapp.org e conheça a praticidade em suas mãos.

Obrigada por me acompanhar até aqui!

Referências

GAIATO, Mayra. ABA e os profissionais que podem usar. 2019 (04:23). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=m2Gd2DwgRps >.    Acesso em: 24 de mai de 2022.

MACIEL, Islaine. Análise do Comportamento auxilia no tratamento de TEA. Jul de 2019. Disponível em: < https://sites.usp.br/psicousp/analise-do-comportamento-auxilia-no-tratamento-de-tea/#:~:text=Em%20entrevista%20a%20professora%20do,%2C%20na%20d%C3%A9cada%20de%2060%E2%80%9D >.  Acesso em: 23 de mai de 2022.

SOUSA, Deborah Luiza Dias de et al. Análise do comportamento aplicada: a percepção de pais e profissionais acerca do tratamento em crianças com espectro autista. Contextos Clínic,  São Leopoldo ,  v. 13, n. 1, p. 105-124, abr.  2020 . Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822020000100007#:~:text=Os%20resultados%20mostram%20que%20a,os%20comportamentos%20repetitivos%20e%20estereotipias.>. Acesso em: 23 de mai de 2022.

Rebeca Collyer dos Santos  
Customer Success

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG) e como Customer Success na empresa ODAPP Autismo.

Autismo: Terapia Genética reverte efeitos de Síndrome Associada ao Diagnóstico

“Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, identificaram o mecanismo por trás da mutação de um gene que causa a Síndrome de Pitt-Hopkins, uma disfunção neuropsiquiátrica considerada parte do transtorno do espectro autista (TEA). Além disso, eles conseguiram testar com sucesso modelos de terapia genética para reverter os efeitos do distúrbio. As descobertas foram publicadas na revista científica Nature Communications (..)O distúrbio provoca um quadro clínico marcado por déficit cognitivo, atraso motor profundo, ausência de fala funcional e anormalidades respiratórias, e estima-se que uma a cada 35 mil pessoas tenha a mutação no gene responsável pela síndrome. Seu quadro clínico é associado a uma série de diagnósticos que vão desde transtornos psiquiátricos até o autismo.”

Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2022/05/autismo-terapia-genetica-reverte-efeitos-de-sindrome-associada-ao-diagnostico.ghtml

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Seletividade Alimentar, você sabe o que é?

Introdução

“A seletividade alimentar é caracterizada por recusa alimentar, pouco apetite e desinteresse pelo alimento. É um comportamento típico da fase pré-escolar, mas, quando presente em ambientes familiares desfavoráveis, pode acentuar-se e permanecer até a adolescência.” (SAMPAIO et.al, 2013).

Entretanto em caso de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo, o comportamento não se limita a fase da pré-escola e da adolescência, pois as causas podem se relacionar a questões sensoriais, comportamentais ou motoras orais. Podem ter ligação também com questões visuais, de sabor ou de cheiro, bem como com questões de rigidez comportamental, tendo em vista que algumas crianças não querem quebrar padrões que possuem como alterar o que já têm o costume de comer ou a forma que comem.

O que fazer

O primeiro ponto a ser levado em consideração é o respeito que deve-se ter com a criança, pois o trabalho com a seletividade alimentar não deve acarretar sofrimento para a criança e seus familiares. Por isso enfatizo, mais uma vez, a importância do trabalho multidisciplinar com uma equipe especializada com fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional, Psicólogo, nutricionista e pediatra.

Em segundo, lito aqui algumas orientações importantes:

  • Nunca subestime o que a criança está sentindo;
  • Nunca force a alimentação;
  • Não coloque de castigos e não faça trocas (a alimentação não deve se relacionar com algo ainda mais aversivo);
  • Coloque a criança para participar do preparo dos alimentos;
  • Faça aproximações sucessivas;
  • Deixe a criança brincar com o alimento que ainda não come;
  • Promova variações do alimento, como várias texturas, e seja o modelo para seu filho.

Importante

Como afirma Magagnin et.al (2021), cada indivíduo manifesta padrões alimentares próprios, através de diversos fatores biológicos, ambientais, sociais e familiares que interagem entre si. Dessa forma, algumas crianças apresentam comportamentos alimentares desadaptativos, enquanto outras enfrentam grandes dificuldades com relação à alimentação. Isso faz com que olhemos o indivíduo com TEA para além do diagnóstico, pois mesmo compartilhando o mesmo transtorno apresentam uma variabilidade sintomática particular de cada um.

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Referências:

Magagnin, Tayná et al. Aspectos alimentares e nutricionais de crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista. Physis: Revista de Saúde Coletiva [online]. 2021, v. 31, n. 01.p.1-21. Disponível em:< https://www.scielo.br/j/physis/a/WKnC7ffTK4CJZbgbCJRcChS/#>. Acesso em: 17 de mai de 2022.

Sampaio, Ana Beatriz de Mello et al. Seletividade alimentar: uma abordagem nutricional. Jornal Brasileiro de Psiquiatria [online]. 2013, v. 62, n. 2. p. 164-170. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/XMDX3Wc8Xn7XbcYvRfjdSpd/?lang=pt# >. Acesso em: 17 de mai de 2022.

TORRES, Débora. Seletividade Alimentar no Autismo. Brasil, 16 de mai de 2022. Instagram: @psicodeboratorres.  Disponível em: <https://www.instagram.com/p/CdnkUIkAccF/ >.  Acesso em: 16 de mai de 2022.

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