Autismo e relacionamentos amorosos

Como sempre escrevo aqui, pessoas com o TEA enfrentam preconceitos, estereótipos e lidam constantemente com informações errôneas a respeito do diagnóstico, entretanto existem muitas questões que são relevantes e necessitam de atenção. Falar a respeito de relacionamento amoroso é uma delas. Esse assunto é tratado por profissionais da área da saúde, em diversos artigos científicos e também em filmes como “Atypical” e documentários como o “Amor no espectro”.

Segundo Willian Chimura (2021) as dificuldades relacionadas aos relacionamentos de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo se dão devido alguns fatores, sendo eles: déficits em reciprocidade social e emocional; déficits em comportamentos não verbais usados para a interação social; e déficits em desenvolver, manter e entender relacionamentos (teoria da mente).

Um estudo qualitativo realizado por BRILHANTE, A. V. M. et al (2021), com 14 autistas oralizados (verbais), com idades de 15 a 17 anos, matriculados em escolas regulares, teve como objetivo identificar as demandas de autistas sobre sua sexualidade e o paradigma da neurodiversidade. É importante observarmos os resultados desse estudo para melhor compreensão do assunto, afinal, é através de estudos que validamos e entendemos melhor determinado assunto, não é mesmo?

Uma questão importante apresentada como resultado da pesquisa foi a dificuldade que pais e professores tiveram em reconhecer autistas como pessoas sexuadas. Nesse sentido falsas crenças sobre o autismo foram alimentadas. Outra questão importante foi em relação às experiências e às demandas das pessoas autistas quanto à sua sexualidade, pois são tão diversas quanto o espectro. Por isso necessitam de uma estrutura de apoio adaptável, que leve em consideração os desejos, as necessidades, as dificuldades e os comprometimentos. Vale ressaltar que pessoas com TEA possuem dificuldades nas relações sociais em geral e não somente nas relações amorosas.

Se você é um(a) profissional que trabalha com esse público ou com outros transtornos do neurodesenvolvimento, venha conhecer a ODAPP (www.odapp.org), uma plataforma de gestão terapêutica completa que irá lhe auxiliar na praticidade dos seus atendimentos.

Gostou desse conteúdo? fique atento aos próximos e obrigada por me acompanhar até aqui.

Referências

Amor no Espectro. Direção de Cian O’Clery. Austrália: NETFLIX, 2020. Acesso em: 28 de dez de 2021.

Atypical. Criação de Robia Rashid. Estados Unidos: NETFLIX, 2017. Acesso em: 28 de dez de 2021.

BRILHANTE, A. V. M. et al. “Eu não sou um anjo azul”: A sexualidade na perspectiva de adolescentes autistas. Ciênc. Saúde Coletiva [online]. 2021, vol. 26, n. 02, p. 417 – 423. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/csc/a/CLJhwP677n6865nSVZW78hf/?lang=pt>. Acesso em: 27 de dez de 2021.

CHIMURA, William da Costa. Autismo e dificuldades em relacionamentos. 2021. (08:45). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=6NgJfgfPk5o>. Acesso em: 24 de dez de 2021.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Alunos da Universidade do Vale do Taquari fazem trabalho de conclusão de curso sobre a ODAPP

No dia 25 de novembro de 2021, os alunos Cristiane Bonora, Gabriel Faller, Gilmar L. Raach, Gleice Montagner e Valdenir J. Elauterio, da Universidade do Vale do Taquari,  apresentaram um trabalho de conclusão de curso sobre estratégia de vendas. Para a realização do mesmo, produziram um estudo de caso sobre a empresa ODAPP. E o trabalho contou com a orientação da professora, mestra Cristina Marmitt.

O estudo foi qualitativo, de caráter descritivo e teve como objetivo: identificar as principais estratégias de vendas da empresa, identificar como acontece o alinhamento estratégico entre marketing e vendas, bem como identificar quais são as estratégias utilizadas e as possíveis lacunas entre a bibliografia e as estratégias utilizadas pela empresa. Para isso realizou-se uma pesquisa com o CEO da ODAPP a fim de levantar dados e compreender alguns pontos sobre o funcionamento da empresa.

Ao decorrer do trabalho os alunos abordaram temas como: prospecção de clientes, inbound Marketing, planejamento de vendas, recrutamento e treinamento de vendedores entre outros aspectos importantes. Ao final do trabalho apresentaram seus resultados e propuseram também possíveis melhorias para a empresa. Vale ressaltar que no dia da apresentação o CEO da ODAPP assistiu ao trabalho através de vídeo chamada.

A empresa agradece o interesse dos alunos e todo o trabalho desenvolvido pelos mesmos. É de extrema importância abordar sobre estratégias de vendas, sobretudo com o foco no cliente. É exatamente isso que a ODAPP acredita.

Para saber mais sobre a ODAPP acesse: http://www.odapp.org.

Referências

BONORA, Cristiane et.al. Estratégia de Vendas: Estudo de caso da empresa ODAPP. 2021.17f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação). Universidade do Vale do Taquari-UNIVATES, Lajeado, 2021.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista.

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

Aumento de prevalência de Autismo: 1 a cada 44 crianças.

No dia dois de dezembro de 2021, o relatório do CDC (Center of Diseases Control and Prevention) traduzido para o português como Centro de Controle de Doenças e Prevenção, publicou dados recentes a respeito da prevalência de autismo entre crianças de 8 anos (1 a cada 44 crianças), dados estes que foram coletados em 2018, obtiveram um aumento de 22% em relação ao estudo anterior (1 para cada 54 crianças). Segundo Paiva Jr (2021), se estes dados fossem referentes ao Brasil, o país teria cerca de 4,84 milhões de autistas, entretanto, apesar de alguns estudos em determinados estados, não tem-se ainda um número de prevalência no Brasil.

Para corroborar os estudos realizados no Brasil, cito um que foi realizado no interior do estado de São Paulo, no qual a amostra populacional foram crianças entre 7 e 12 anos de idade. A taxa encontrada foi de 27,2 a cada 10 mil crianças (Paula et.al.,2011 apud Júlio Costa e Antunes, 2018). Entretanto, como falado anteriormente, não é um dado significativo para representar toda a população brasileira.

Com relação ao assunto principal desta publicação, os dados apresentados pelo CDC tiveram como base 11 comunidades da rede de monitoramento de Deficiências de Desenvolvimento e autismo (ADDM) e teve como resultado a prevalência geral de TEA de 23,0 por 1000, ou seja, um em 44 crianças de 8 anos. Vale ressaltar que o resultado mostrou também que a prevalência é de 4,2 vezes maior entre meninos que entre meninas.

Diante disso, você pode pensar: “Por que de alguns anos para cá aumentou tanto o número de pessoas com TEA? O que aconteceu”? Muitos ainda ficam confusos com relação ao diagnóstico e à prevalência, mas a resposta se dá devido ao aumento de profissionais capacitados e consequentemente aos diagnósticos assertivos, ao aumento do número de estudos e de pesquisas, à melhora na qualidade dos serviços de saúde e no aumento da conscientização da população em geral (Júlio Costa e Antunes 2018).

Gostou do conteúdo? Não deixe de ler os próximos assuntos.

Obrigada por me acompanhar até aqui.

Referências

JÚLIO COSTA, Annelise; ANTUNES, Andressa Moreira. Transtorno do Espectro autista na prática clínica. São Paulo: Pearson Clinical Brasil, 2018.

PAIVA JR, Francisco. EUA publica nova prevalência de autismo: 1 a cada 44 crianças, com dados do CDC. Canal autismo, 2021. Disponível em: <https://www.canalautismo.com.br/noticia/eua-publica-nova-prevalencia-de-autismo-1-a-cada-44-criancas-segundo-cdc/>.  Acesso em: 06 de dez de 2021.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.

A importância da musicoterapia para pessoas com transtorno do espectro do autismo

Conforme já foi esclarecido aqui no blog, existem diversos mitos sobre o transtorno do Espectro do autismo (TEA), que são propagados e tidos como verdadeiros. Diante disso que tal direcionarmos nosso olhar para fatos baseados em evidências científicas, sobretudo na neurociência?

Vários estudos mostram a existência de diversas alterações no sistema nervoso central que poderiam explicar o TEA e as alterações referentes à interação social, comunicação e comportamento. Diante desses variados estudos exponho os de Damásio e Maurer, citados por SCHARTZMAN (2011) e SAMPAIO, R. T. et al (2015) que afirmaram que haveriam alterações fisiológicas e/ou anatômicas em várias regiões do sistema nervoso, tais como na área entorrinal, giro do cíngulo, giro para-hipocampal, área perrinial, regiões subicular e pré-subicular. Estas alterações foram verificadas a partir da comparação de comportamentos encontrados em pessoas com TEA e em adultos com lesões corticais adquiridas.

Outro estudo que apresento é o de SCHARTZMAN, citado por SAMPAIO, R. T. et al (2015), que em suas pesquisas sobre a teoria da mente em pessoas com TEA verificou alterações no córtex-orbito-frontal, no corpo amigdalóide e nos lobos temporais. Vale ressaltar que a teoria da mente é a capacidade que uma pessoa tem para fazer inferências sobre os estados mentais de outras pessoas, como compreender comportamentos e sentimentos (BOSA e CALLIAS, 2000).

Posso citar inúmeros estudos, porém faço apenas um recorte para uma breve compreensão a respeito do tema, pois é importante entender determinadas alterações para compreender a importância da musicoterapia.

Falar a respeito de música é falar de expressão social, cultural, emocional e religiosa. A mesma encontra-se presente em todas as culturas e simboliza histórias, experiências e entretenimento. A música possui a capacidade de gerar emoções e de mobilizar processos cognitivos complexos como a memória, o controle de impulso, a atenção, a execução e o controle de ações motoras. A partir de estudos foi possível observar também que tanto canções quanto músicas instrumentais são capazes de gerar ativações no hipocampo, na amígdala, na ínsula e em outras regiões cerebrais (OMAR et al., 2011 apud SAMPAIO, R. T. et al, 2015).

A musicoterapia, portanto, é capaz de modular a atenção, a emoção, a cognição e os comportamentos do paciente, a fim de alcançar os objetivos clínicos, elaborados de modo individual para cada sujeito. Vale ressaltar que, no processo terapêutico da musicoterapia, os resultados não dependem somente do estímulo musical, mas também da relação estabelecida entre o profissional e o paciente.

Com isso, um dos objetivos que podem ser trabalhados com pessoas com o transtorno do Espectro do autismo, no processo de musicoterapia, é a atenção compartilhada, visto que é possível trabalhar os processos de comunicação e interação social a partir da manipulação de objetos.

Se você é musicoterapeuta e trabalha com pessoas com o TEA ou com outros transtornos do neurodesenvolvimento, conheça a Odapp (www.odapp.org). Uma plataforma na qual você trabalha suas avaliações, programas e planos terapêuticos de maneira mais prática.

Obrigada por me acompanharem até aqui e até a próxima semana.

Referências

BOSA, C.; CALLIAS, M. “Autismo: breve revisão de diferentes abordagens”. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2000, n.1, v.13, p.167-177.

SAMPAIO, R. T. et al. A Musicoterapia e o Transtorno do Espectro do Autismo. Per Musi. Belo Horizonte, 2015, n.32, p.137-170.

SCHWARTZMAN, J. “Neurobiologia dos Transtornos do Espectro do Autismo”. In: SCHWARTZMAN, J.; ARAUJO, C. Transtornos do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon, 2011.

Rebeca Collyer dos Santos – 
Redatora e Editora Chefe
do observatório do Autista

Psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais , pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista e pós-graduanda em Neurociência pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com cursos na área de Educação Inclusiva pela Universidade Federal de São Carlos. Atua como Psicóloga na clínica CAEP, em Poços de Caldas (MG), como Customer Success na empresa Odapp Autismo e redatora do blog Observatório do Autista.