Direitos à inclusão escolar de crianças e jovens dentro do espectro

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No Brasil, a inclusão de crianças com necessidades educacionais específicas toma como partida e modelo a Declaração de Salamanca e na Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que defende e assegura a presença dessas pessoas na escola, mercado de trabalho e sociedade.

O conceito de Escola Inclusiva integra o principio de que todas as crianças aprendam juntas independentes de suas diferenças e, que quando haja necessidade, ela seja adaptada e resolvida. Abaixo destacaremos o que é direito por lei para as crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e legislações mais amplas que protegem também esses indivíduos.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, LEI Nº 9394/96, Educação Especial é descrita como “a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação” (art. 58). A Educação Especial é dever constitucional do Estado e inicia-se desde a entrada do educando no sistema escolar, na educação infantil (art. 59 §3º).

É previsto e assegurado, quando necessário, um serviço de apoio especializado para atender as necessidades específicas desses educandos e, quando não for possível ajudá-los em classes regulares de ensino, deve-se proceder em classes, escolas ou serviços especializados (§ 2º).

A Lei Brasileira de Inclusão (lei, nº 13.146/15), LBI, promulgada pelo Decreto no 6.949, de 25 de agosto de 2009, destina-se “a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania” (Art. 1º).

Define que a pessoa com deficiência é considerada

“Aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.” (Art. 2º).

A Lei requer que o Poder Executivo crie avaliações quanto à necessidade específica dessas crianças e jovens, acompanhados de profissionais especializados e multidisciplinares (§1º). Com o intuito de auxiliar e atender as limitações deste grupo específico, conta-se com projetos de acessibilidade que garante a pessoa com deficiência e mobilidade reduzida tenha livre acesso e consiga de maneira independente exercer seus direitos de cidadania e participação social e acesso tecnológico assistiva ou ajuda técnica que ajuda esses indivíduos com deficiência e mobilidade reduzida conseguirem realizar suas atividades; serem independentes e autônomos; e melhorarem sua qualidade de vida e inclusão social.

Em 2012, o Governo Brasileiro após avaliar e considerar os princípios da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC/2008) e o propósito da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, Lei nº 12.764/2012 – PN – TEA.

A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista prevê ainda:

IV – o acesso:

a) à educação e ao ensino profissionalizante; (art. 3º)

E ainda estabelece que “em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2o, terá direito a acompanhante especializado” (parágrafo único).

Referência:

OLIVEIRA, Rafaela Machado. O papel do Profissional de Apoio Escolar na inclusão da criança autista na educação infantil. Rafaela Machado Oliveira. Brasília: UnB. 2016. p.144 Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Pedagogia) – Universidade de Brasília, 2016. Rafaela Machado Oliveira.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.

Pesquisa publicada na Nature é pioneira nos estudos com células-tronco induzidas em testes com variantes genéticas relacionadas com o Autismo

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Sabe-se que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio causado em regiões cerebrais que são responsáveis pelo desenvolvimento, comprometendo assim as habilidades de comunicação e socialização. Os primeiros sintomas clínicos do TEA são diferentes de pessoa para pessoa, o que dificulta seu diagnóstico precoce. Como cada indivíduo autista manifesta os sintomas em graus diferentes, alguns apresentam severas dificuldades na comunicação, por exemplo, e outras falam bem e possui um vocabulário acima da média comparado com outras.

O que já foi elucidado até o momento, é que o autismo pode ser atribuído a fatores epigenéticos, genéticos, ambientais e grupos de genes específicos. O grupo que preocupa bastante a comunidade científica especializada no assunto são os indivíduos com TEA que não apresentam sintomas clínicos claros (não sindrômico).

Pesquisa publicada recentemente na Nature mostra vários tipos celulares como polpa dentária e as células-tronco pluripotentes induzidas para testes moleculares. Foi relatada nesta pesquisa uma perturbação de translocação balanceada do gene TRPC6 em um indivíduo não sindrômico. A redução ou haploinsuficiência (quando a proteína que este gene produz reduz sua produção por consequência da insuficiência de uma das cópias herdadas dos pais) do gene TRPC6 leva a alterações de desenvolvimento, características físicas e funcionais neurais.

Durante essa pesquisa desenvolvida pela Universidade da Califórnia e cooperação com a Universidade de São Paulo, Escola de Medicina da Universidade de Yale, Instituto de Farmacologia e Toxicologia da Universidade de Munique, Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e Instituto Salk de Estudos Biológicos descobriram que substâncias como a IGF1 ou hiperforina podem completar a função do TRPC6 que pode melhorar a qualidade de autistas não sindrômicos.

Identificaram também que os níveis de síntese proteica do gene MeCP2 afetam a expressão gênica de TRPC6. Além disso, mutações do gene MeCP2 provocam a Síndrome de Rett que é uma distúrbio de desenvolvimento através de uma encefalopatia degenerativa progressiva caracterizada por comportamentos bastante agitados e comunicação verbal debilitada. Um estudo sobre sequenciamento genético com autistas e grupo controle identificou mutações deste gene específico em ambos os grupos e não apresentou relação com o autismo.

A conclusão dos pesquisadores constata que o gene TRPC6 tem predisposição ao autismo e pode desencadear o transtorno de outras alterações genéticas. Além disso, essa pesquisa foi pioneira nos estudos com células-tronco induzidas utilizadas em testes de variantes genéticas que podem ocorrer em indivíduos autistas. Corresponde um grande avanço dentro dos estudos da área dos transtornos de desenvolvimento.

Artigo pode ser encontrado no PubMed referenciado como:

GRIESI-OLIVEIRA, Karina et al. Modeling non-syndromic autism and the impact of TRPC6 disruption in human neurons. Molecular psychiatry, v. 20, n. 11, p. 1350, 2015.

MUOTRI, Alysson et al. Modeling non-syndromic autism and the impact of TRPC6 disruption in human neurons. 2014.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.

Estudos sobre TEA e distúrbios do sono

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Os distúrbios do sono aparecem entre 40 a 80% de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles normalmente se queixam de dificuldades para dormir, acordar frequentemente durante a noite, inquietações e poucas horas do sono. Estudos ainda comprovam que dificuldades na hora de dormir são mais frequentes em pessoas com autismo regressivo e aumentam com a gravidade do autismo. Além disso, os distúrbios do sono podem aumentam quando o indivíduo apresenta ansiedade, déficit de atenção, impulsividade e uso de medicação.

Outros dois estudos independentes mostraram que distúrbios do sono podem estar ligados realmente á ansiedade e a hipersensibilidade sensorial dos autistas. Os sintomas melhoraram com intervenção Short Sensory Profile (modelo de regressão hierárquica) associadas á melhora da resposta sensorial e filtragem auditiva. O objetivo do presente estudo foi realizar um exame mais aprofundado da relação entre os distúrbios do sono e sensibilidades sensoriais, utilizando o completo Perfil Sensorial do Cuidador. Ao contrário do Short Sensory Profile, que integra pontuações em vários domínios sensoriais, o Perfil Sensorial do Cuidador contém um número maior de perguntas que permitem avaliar os níveis de hiposensibilidade e hipersensibilidade separados para cada um dos cinco domínios sensoriais (audição, visão, gosto / cheiro, vestibular e toque). Isso permitiu que os cientistas determinassem se os distúrbios do sono estão mais fortemente associados a algumas sensibilidades sensoriais do que outros.

Foram recrutadas 131 crianças, sendo 69 crianças autistas pelo Centro de Autismo de Negev e 62 crianças controle, que possuem características de desenvolvimento regulares, foram questionadas através do fórum online da Universidade de Bem Gurion. O questionário Perfil Sensorial do Cuidador contém 125 perguntas que quantificam a frequência de respostas comportamentais anormais a várias experiências sensoriais. No presente estudo, incluem questões sobre processamento auditivo, visual, vestibular, tátil e sensorial oral. Essas perguntas são divididas em itens de limiar alto e limiar baixo com pontuações mais baixas indicando sintomas mais graves. Examinaram as diferenças entre os grupos para cada uma dessas pontuações separadamente e também para a pontuação bruta total, que combina itens mencionados acima.

Os resultados de sensibilidade sensorial do questionário comprovaram que a pontuação bruta de crianças autistas era menor comparada com a pontuação de crianças do grupo controle. Contudo, foi identificado que a pontuação de crianças autistas que tomam medicação não sofreu muitas alterações em relação a pontuação de crianças autistas que não tomam. Quanto aos distúrbios do sono, crianças autistas tiveram uma pontuação significativamente maior comparado ao grupo controle, exceto em distúrbios respiratórios, acordar a noite e sonolência durante o dia.

Os cientistas tiveram o cuidado de comparar os resultados com grupos de crianças autistas diferentes e constataram que as pontuações foram similares. Porém, crianças autistas que não tomam medicação possuem maiores problemas em distúrbios do sono comparados com as crianças que fazem o uso de alguma medicação. Esse resultado foi surpreendente porque quando analisado a sensibilidade sensorial, a pontuação das crianças não teve grandes diferenças. Os pesquisadores compararam os distúrbios do sono com as pontuações brutas da sensibilidade sensorial de cada domínio sensorial e constataram que há relações negativas entre a sensibilidade ao toque e da fala com distúrbios do sono em crianças autistas e relações negativas entre a sensibilidade ao toque e vestibular em crianças do grupo controle. Os outros domínios sensoriais não tiveram grande impacto nos problemas com o sono.

O presente estudo revelou que a hipersensibilidade ao toque provavelmente é um fator importante na dificuldade de dormir e outros distúrbios do sono em crianças com autismo. Esse resultado abre porta para novos estudos na eficácia de intervenções terapêuticas relacionada à sensibilidade ao toque em crianças e indivíduos com TEA que possui dificuldades de dormir, podendo incorporar técnicas objetivas e mais diretas, tais como medidas psicométricas e de neuroimagem para sensibilidade tátil, bem como actigrafia e polissonografia para distúrbios do sono.

Pesquisa publicada na Molecular Autism e desenvolvida no Behavioral Science Department da Emek Yesreel College; Soroka University Medical Center; e Ben Gurion University, todas localizadas em Israel. Pode-se encontrar a pesquisa na PubMed.

TZISCHINSKY, Orna et al. Sleep disturbances are associated with specific sensory sensitivities in children with autism. Molecular Autism, v. 9, n. 1, p. 22, 2018.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.

Pesquisa sugere que “cérebro social” é alterado nos estágios iniciais de crianças autistas

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Publicada na revista eLife, pesquisa desenvolvida por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça, encontraram mudanças precoces no cérebro que correspondem a socialização de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sua pesquisa pode abrir o caminho para novas intervenções terapêuticas nos primeiros anos de vida, enquanto o cérebro passa por mudanças. Também auxiliará na descoberta de evidências diretas desse desenvolvimento prejudicado durante a infância para os anos pré-escolares.

À medida que as crianças se desenvolvem, elas principalmente se movem em direção e respondem a sugestões sociais – como vozes, rostos e gestos humanos. Ao mesmo tempo, seu cérebro desenvolve uma rede de regiões especializadas em traduzir essas sugestões, conhecidas como “cérebro social”.

No entanto, uma observação comum em crianças diagnosticadas posteriormente com TEA é a redução da sensibilidade e da atenção em relação a essas sugestões sociais durante o primeiro ano de vida. Essa aparente indiferença às sugestões sociais supõe que impossibilite o desenvolvimento normal do cérebro social nos primeiros estágios de desenvolvimento.

Os resultados do estudo demonstram que as intervenções, que focam na melhora da capacidade social da criança para responder a sugestões sociais nos estágios iniciais, podem religar o cérebro enquanto ainda é possível fazê-lo, potencialmente restaurando o desenvolvimento do cérebro social. O Dr. Holger Sperdin, pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Medicina do UNIGE e principal autor do estudo, explica o que ele e sua equipe tomaram como partida para a pesquisa: “Como crianças com autismo têm menos atenção preferencial por gesticulações sociais, nós sugerimos que quando mostrássemos imagens que estimulam comunicação social, as crianças autistas demonstrariam diferençastanto na maneira como exploram visualmente essas imagens quanto na forma como suas redes cerebrais processam informações sociais, em comparação com crianças tipicamente em desenvolvimento”.

Tecnologia de rastreamento ocular

A equipe usou um método de monitoramento eletrofisiológico chamado eletroencefalografia (EEG) para estudar a atividade cerebral das crianças e uma poderosa tecnologia de rastreamento ocular para observar seus olhares enquanto assistiam a vídeos apresentando interações sociais humanas. Eles descobriram que as crianças com TEA tinham padrões diferentes de olhar enquanto assistiam aos vídeos quando comparado com crianças em desenvolvimento típico, e que isso era acompanhado por alterações na conectividade das células nervosas e no fluxo de informações no cérebro.

A equipe também observou em crianças autistas, o que é conhecido como “aumento da direção” em duas frequências específicas de ondas cerebrais – alfa e teta – bem como altos níveis de conectividade entre as células nervosas em certas regiões do cérebro. A frequência das ondas cerebrais teta e as regiões do cérebro afetadas são ambas conhecidas como componentes importantes do “cérebro social” e a frequência alfa é importante para a atenção visual. Esses achados representam a primeira evidência de que as diferenças na exploração visual das imagens coincidem com as mudanças na conectividade entre regiões-chave do cérebro social em crianças muito jovens com TEA. As regiões do cérebro que geram essas frequências de ondas cerebrais podem, portanto, se desenvolver de forma diferente em crianças autistas em comparação com crianças tipicamente em desenvolvimento.

“Nossos resultados mostram pela primeira vez a presença de alterações no fluxo de informações de áreas cerebrais, envolvidas no processamento social de estímulos, em crianças e pré-escolares com Transtornos do Espectro Autista”, conclui a autora sênior Marie Schaer, professora assistente da Universidade de Genebra, Suíça. “Essas alterações dentro das regiões do cérebro social estão presentes nos estágios iniciais da TEA e justificam uma investigação mais aprofundada sobre as intervenções terapêuticas direcionadas às habilidades de orientação social. Podem também ajudar a remediar o desenvolvimento social do cérebro durante esse estágio crítico, quando a plasticidade neural ainda é possível”.

Materiais cedidos pela Université de Genève e adaptado do site Science Daily 
(https://www.sciencedaily.com/releases/2018/02/180227090721.htm).

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.

Sobre as terapias comportamentais DIR/Floortime, ESDM e TEACCH

2 - tratamentos

Autismo é um distúrbio complexo do desenvolvimento que afeta principalmente a fala, o comportamento, as interações sociais e afetivas de indivíduo. Sabe-se que a manifestação dos sintomas é diferente para cada pessoa ou criança, sendo assim o transtorno pode ser classificado de leve a severo. Baseado neste parâmetro, o portador de Transtorno do Espectro Autista (TEA) deve ter um tratamento individualizado para atender a necessidade e dificuldade de cada um. Hoje em dia, encontra-se variados tratamentos para o autismo e, neste artigo, citaremos os principais e seus benefícios.

Os tratamentos ajudam nas habilidades e desenvolvimento como comunicação, socialização, alfabetização e controle dos comportamentos repetitivos e estereotipados dos indivíduos autistas, então eles devem ser iniciados o quanto antes para que os comportamentos não prolonguem e interfiram na sua vida adulta.

Atualmente, as pesquisas científicas estão trabalhando na produção de diversas intervenções para minimizar os sintomas do distúrbio e estabelecer bem-estar dos autistas e suas famílias. Os tratamentos que destacaremos neste artigo são: o modelo Denver de Intervenção Precoce; Teacch e DIR Floortime.

Modelo Denver

O Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM – Early Start Denver Model) é direcionado para crianças com autismo entre 1 a 5 anos (12-60 meses) e tem a intenção de trabalhar a comunicação receptiva e expressiva, competências sensoriais, competências motoras e comportamento adaptativo. Os níveis de competência são divididos por faixa etária: Nível 1: 12-18 meses; Nível 2: 18-24 meses; Nível 3: 24-36 meses; Nível 4: 36-48 meses.

Os benefícios do modelo foram bastante significativos podendo ressaltar a aceleração do desenvolvimento, melhora nos aspectos motores e na linguagem, incluindo ganhos importantes na comunicação receptiva e expressiva e no desenvolvimento sociocomunicativo, especialmente na fala espontânea. Por outro lado, o método não mostrou avanço na socialização de pessoas fora da família e nas atividades da vida diária.

Modelo TEACCH

O TEACCH, ou Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com déficits relacionados à Comunicação, aborda um método transdisciplinar que envolve o aspecto educacional e clínico e baseia-se na Teoria Behaviorista e a Psicolinguística Esta última foi a teoria que mais pesquisou estratégias para diminuir os déficits de comunicação do Autismo e utiliza recursos visuais para enriquecer a conexão entre o pensamento e a linguagem, proporcionando uma maior riqueza e facilidade na comunicação.

O tratamento procura melhorar adaptação de cada indivíduo através do aprimoramento das habilidades e enriquecendo o ambiente para incentivar a socialização; promove a troca de conhecimento entre os pais e os profissionais especializados em transtornos de desenvolvimento, apontando os principais pontos que devem ser priorizados e trabalhados tanto no espaço clínico como em casa; avaliar qual habilidade a ser praticada e método que auxilia o desenvolvimento da criança; trabalhar de em um modelo transdisciplinar e geral, fazendo que com os profissionais que trabalham com esse método possa ajudar a controlar o maior número de problemáticas envolvidas ao transtorno.

DIR Floortime

Do inglês, Developmental, Individual Difference, Relationship-based Model (DIR®/Floortime™), o modelo visa trabalhar o desenvolvimento, a diferença individual e o relacionamento das crianças com outras pessoas. É um método que auxilia pais, educadores e outros profissionais a analisar o indivíduo com TEA e empregar a melhor intervenção que desenvolve as dificuldades e pontos importantes do autista.

O modelo procura construir uma base para aumentar as capacidades sociais, emocionais e intelectuais de maneira generalizada, diferente de outros modelos que trabalham apenas comportamentos e habilidades de modo isolado. Esse tratamento permite que as atividades desenvolvidas acessem diferentes regiões do cérebro e da mente, fazendo com que eles sejam acionados de maneira conjunta.

A parte D da sigla representa a parte de desenvolvimento do modelo e podemos destacar que neste momento é trabalhado o desenvolvimento de capacidades importantes como manter-se calmo e controlado, encontrar e se relacionar com outras pessoas, iniciar e responder a todos os tipos de comunicação e melhorar aspectos cognitivos. O sucesso deste conjunto ajuda a crianças nas relações interpessoais e na vida academia e profissional.

A letra I corresponde às diferenças individuas de cada criança, estudando como ela recebe, entende e transmite as informações do ambiente. Procura buscar as percepções mais sensíveis da criança como as sensações aos toques e sons e como ela capta informações ou planeja suas ações.

A letra R significa a parte que analisa os relacionamentos da criança com outras pessoas como educadores, profissionais, familiares, cuidadores, colegas e outros que possuem afinidades e relações afetivas. Essa parte descreve e compara a aprendizagem realizada por pessoas de sua convivência com as aprendizagens feitas baseadas nas diferenças individuais de capacidade e desenvolvimento.

O Floortime™ procura trabalhar as emoções e habilidades da criança e instigá-la com desafios para desenvolver suas capacidades. Um exemplo comum é em jovens autistas que são incentivados a andar e em crianças a falar e se comunicar. O método DIR®/Floortime™ abrange todas as técnicas com o fim de querer que a criança evolua e supere seus desafios e principais dificuldades.

Referências

GREENSPAN, Stanley; WIEDER, Serena. DIR®/Floortime™ Model. The International Council on Developmental and Learning Disorders, 2008.

LÖHR, Thaise. Intervenção precoce em crianças com autismo: modelo Denver para a promoção da linguagem, da aprendizagem e da socialização. Educar em Revista, v. 32, n. 59, p. 293-297, 2016.

KWEE, Caroline Sianlian; SAMPAIO, Tania Maria Marinho; ATHERINO, Ciríaco Cristóvão Tavares. Autismo: uma avaliação transdisciplinar baseada no programa TEACCH. Revista CEFAC, v. 11, n. 2, 2009.

Por Ana Carolina Gonçalves, da redação do Observatório do Autista®.

Ácido fólico pode reduzir o risco de autismo provocado por medicamentos para epilepsia e produtos tóxicos

5 - acido folico

O ácido fólico é uma vitamina B e, normalmente, é usado como suplemento na gravidez para evitar problemas congênitos. De acordo com cinco pesquisas publicadas nos últimos meses, o ácido fólico pode reduzir o risco de autismo e aliviar as características da condição.

Três destes estudos indicam que o ácido fólico, como suplemento na gravidez, diminui o risco de autismo associado á exposição de fármacos epilépticos ou produtos tóxicos da criança no útero. Os suplementos pré-natais são conhecidos por prevenir problemas congênitos (durante a gravidez).

Pesquisas com crianças expostas às drogas epilépticas Durante a pesquisa das gestações com crianças expostas as drogas epilépticas, revisaram dados médicos para 104.946 nascimentos na Noruega entre 1999 e 2008. Eles se concentraram em 288 mulheres que tomaram drogas epilépticas durante seus 328 gestações. Quando as mães estavam grávidas entre o período de 17 a 30 semanas, relataram a ingestão do ácido fólico como suplementação e, posteriormente, quando seus filhos tinham 18 a 36 meses de idade, responderam um questionário que avaliavam a presença do autismo nas crianças. Dos 68 filhos cujas mães não tomaram ácido fólico, 11 (32 por cento) apresentaram características de autismo aos 18 meses de idade; 9 das crianças (26 por cento) apresentaram esses traços aos 36 meses. Em comparação com as mulheres que tomaram ácido fólico, 15 das crianças de 18 meses (9 por cento) e 8 das crianças de 36 meses de idade (6 por cento) apresentaram traços de autismo. Sendo assim, os bebês que não tiveram suplementação do ácido fólico durante a gestação foram quase seis vezes mais passíveis de mostrar traços de autismo aos 18 meses e oito vezes mais passíveis aos 36 meses, quando comparados com crianças que tiveram a suplementação.
Ação do ácido fólico contra pesticidas e produtos químicos

Os outros dois estudos sobre suplementos analisaram os partos na Califórnia entre 1997 e 2008. Os pesquisadores exploraram se o ácido fólico reduz o risco de autismo provoca por pesticidas. Quando as crianças tinham entre 2 e 5 anos, as mães relataram a ingestão de ácido fólico e outras vitaminas – a partir de suplementos e alimentos – durante a gravidez. Eles questionaram as mães a frequência da exposição pré-natal aos inseticidas na casa para 296 crianças com autismo e 220 crianças saudáveis. Eles também estimaram a exposição pré-natal aos pesticidas com base na proximidade das casas próximas a fazendas. Entre as mulheres que ingeriram ácido fólico acima da média, os bebês expostos aos pesticidas durante a gravidez são aproximadamente de 1,3 a 1,9 vezes mais prováveis apresentar autismo quando comparado com crianças sem exposição.

Mulheres com ingestão de ácido fólico abaixo da média e exposição a pesticidas podem dobrar o risco. No outro estudo avaliando nascimentos do estado da Califórnia, os pesquisadores estimaram a exposição pré-natal a cinco tipos de poluentes atmosféricos. O estudo incluiu 346 crianças com autismo e 260 de crianças saudáveis como grupo controle. Os pesquisadores constataram que a ingestão de ácido fólico acima da média não tem um efeito estatisticamente significativo no risco de autismo da maioria dos tipos de poluentes do ar – um risco que está longe de ser estabelecido -, contudo está ligada a um risco de autismo um pouco menor devido à exposição a um poluente do ar: dióxido de nitrogênio. Todos os estudos levaram em consideração, a ingestão de outras vitaminas e minerais da mãe, idade, renda salarial, nível de escolaridade, tabagismo, consumo de álcool, gravidez precoce e o status socioeconômico. Além disso, os pesquisadores ainda precisam descobrir como o ácido fólico pode mitigar o risco de autismo associado a medicamentos, pesticidas ou poluição do ar, uma vez que esses fatores de risco provavelmente terão diversos efeitos biológicos.

Conteúdo adaptado do site Spectrum News (https://spectrumnews.org/news/flurry-studies-hint-folic-acids-protective-role-autism/) e revisados de artigos publicados na PubMed:

BJØRK, Marte et al. Association of folic acid supplementation during pregnancy with the risk of autistic traits in children exposed to antiepileptic drugs in utero. JAMA neurology, v. 75, n. 2, p. 160-168, 2018.

SCHMIDT, Rebecca J. et al. Combined prenatal pesticide exposure and folic acid intake in relation to autism spectrum disorder. Environ Health Perspect, v. 125, n. 9, p. 097007, 2017.

GOODRICH, Amanda J. et al. Joint effects of prenatal air pollutant exposure and maternal folic acid supplementation on risk of autism spectrum disorder. Autism Research, v. 11, n. 1, p. 69-80, 2018.

Adaptado por Ana Carolina Gonçalves, redatora do Observatório do Autista®.